Livro contra a luta e Hecilda Veiga e Paulinho Fonteles pela democracia
Lançamento será nesta quarta (1º), às 16h, no Centro de Eventos Benedito Nunes, da UFPA
"Filho dessa raça não deve nascer". Essa frase ouvida por uma jovem militante e estudante universitária grávida, presa no começo dos anos 1970, durante os interrogatórios violentos, em plena Ditadura Militar no Brasil dá titúlo a um livro que conta uma história de muito sofrimento, mas, também, de resistência e firmeza pelo ideal de liberdade. O livro é "Filhos dessa raça: mãe e filho unidos na luta contra a ditadura", a ser lançado nesta quarta-feira (1º), às 16h, no auditório Benedito Nunes, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Essa obra, assinada pelo jornalista paraense Ismael Machado e lançada pela Imprensa Oficial do Estado (Ioepa), por meio de sua Editora Pública Dalcídio Jurandir, narra a trajetória de vida de Hecilda Veiga, a jovem que ouvia a frase dura nos interrogatórios, e a de seu filho Paulinho Fonteles, ex-vereador e ativista de direitos humanos. Hecilda deu à luz a Paulinho em plena prisão.
Ismael Machado chama a atenção para o fato de que algumas pessoas no Brasil atual tentam revisitar o passado, incluindo nessa iniciativa a proposta de negação da existência de um passado ditatorial violento no país. "E a existência da Hecilda Veiga e´a prov inconteste do contrário, de uma mulher que lutou pela democracia e que foi presa e torturada. E a história do Paulinho Fonteles é a de um cara que lutou pela memória", destaca Ismael.
Essa luta de Paulinho envolve assuntos relacionados aos conflitos agrários no sudeste do Pará, a Guerrilha do Araguaia e as ações da Comissão da Verdade. "A gente precisa conhecer a história dessas pessoas que que têm uma uma trajetória de luta, têm uma trajetória de resistência, têm uma trajetória democrática, trajetória que mostra uma outra possiblidade de país", complementa o autor da biografia.
Saga pela democracia
No livro com 300 páginas, os leitores podem acompanhar a saga de mãe e filho imersos nocontexto político e da Ditadura Militar a partir de 1964 e na luta pela memória, direitos humanos e justiça social no Brasil, principalmente na Amazônia.
Em sequência ao horror que sofreu durante o Governo Militar, incluindo a prisão, Hecilda Veiga conseguiu reconstruir sua vida, sem, no entanto, abandonar a militância política. Ela se tornou uma das vozes importantes na defesa da memória das vítimas da Ditadura Militar e na denúncia de violência política na Amazônia. Essa contribuição de Hecilda à liberdade no Brasil se deu por meio da atuação dela como socióloga, professora universitária e ativista de direitos humanos. Ela foi uma das fundadoras da Sociedade de Defesa dos Direitos Humanos - Pará.
Já Paulinho Fonteles é filho do ex-deputado Paulo Fonteles. Esse parlamentar teve atuação de destaque na defesa dos trabalhadores rurais e foi assassinado em 1987, vítima de um crime político ligado aos conflitos pela terra. Paulinho Fonteles tornou-se escritor, poeta, membro do PCdoB e presidente do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos. Paulinho morreu em 2017, aos 45 anos, ao sofrer um infarto fulminante.
Esse legado de Hecilda Veiga e Paulinho Fonteles é resgatado e colocado ao acesso do grande público por meio desse projeto da Ioepa, ou seja, uma dupla biografia que levou seis anos para ser concluída, envolvendo pesquisas, entrevistas e escrita.
Como ressalta Ismael Machado, a quem coube essa missão: "A Imprensa Oficial do Estado tem cumprido, nos últimos anos, por intermédio da editora pública Dalcídio Jurandir, um papel fundamental para a literatura paraense, disponibilizando autores e autoras locais que estavam fora de catálogo, e ainda por meio de publicações sobre a nossa história e memória. No caso desse livro, ele supre algumas lacunas a respeito de personagens da nossa história contemporânea".
“O lançamento desse livro, pela Ioepa, é mais do que uma obrigação. É um libelo à luta do nosso povo, e uma declaração de amor à democracia. E o Brasil precisa firmar, cada vez mais, essa luta. Hecilda Veiga e seu filho, Paulinho Fonteles, que resistiram bravamente à ditadura, mostram, também, uma declaração de amor à vida, traduzida com muita sensibilidade pelo escritor Ismael Machado”, pontua Jorge Panzera, presidente da Ioepa.
Para Hecilda Veiga, o lançamento desse livro é fundamental e ainda tem a emoção de sua saga virar uma lição de vida para as novas gerações. "Que responsabilidade ter minha vida retratada neste livro! Ele traz uma experiência muito dolorosa, que custou muitas vidas humanas e dificuldades. Espero que ele sirva de alerta para que aquele período sombrio não volte a acontecer de forma alguma. A luta continua! Na política e na vida", enfatiza Hecilda, sempre atenta ao cenário político brasileiro e do mundo.
Serviço:
Lançamento do livro 'Filhos dessa raça: mãe e filho unidos na luta contra a ditadura, de Ismael Machado
Em 1º de abril de 2026, às 16h
No Centro de Eventos Benedito Nunes, da UFPA, em Belém (PA)
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