Kamara Kó revela ao público em Belém a construção de imagens fotográficas
Será em duas ações formativas do Laboratório “Olhos de Ver... Com que Olhos?”, e as inscrições para módulos e minioficinas já podem ser feitas pelos interessados
Em abril, a Kamara Kó Galeria vai possibilitar que o público em Belém que aprecia a arte da fotografia possa mergulhar bem fundo no processo de construção de imagens fotográficas, por meio de duas ações formativas do Laboratório “Olhos de Ver… Com que Olhos?”. Esse projeto foi contemplado no Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas 2025 e promoverá, ao longo de 2026, oito módulos de formação e cinco minioficinas, com o fotógrafo Miguel Chikaoka. Desse modo, essas ações exploram a relação entre arte, natureza e percepção. As inscrições para o primeiro módulo e primeira minioficina já podem ser feitas.
A proposta do Laboratório Olhos de Ver, no módulo I: “Luz-Imagem: Percepção e Pedagogia dos Fluxos”, é de uma imersão sensorial entre os dias 6 e 11 de abril, investigando a construção de imagens a partir de processos perceptivos, experiências multissensoriais e práticas como a câmera pinhole.
Em 18 de abril, ocorrerá a minioficina “Gotas de Luz”, com Tataki Zomé e acessível em Libras para pessoas com deficiência auditiva. O público vai ter, então, acesso à técnica japonesa de impressão botânica, estimulando a criação artística por meio de pigmentos naturais e da experimentação com formas, cores e texturas. O Laboratório “Olhos de Ver... Com que Olhos?” é conduzido pelo fotógrafo e educador Miguel Chikaoka, com realização da Kamara Kó Galeria, em Belém.
A iniciativa propõe um percurso de aprendizagem que articula experimentação, reflexão crítica e vivências sensoriais em torno do que permeia os diferentes meios de produzir e pensar imagens fotográficas. A proposta se inspira na ideia de que a fotografia pode ser compreendida como um campo de percepção e experiência do mundo, estimulando práticas colaborativas e exercícios de observação dos fluxos que constituem o tempo e o espaço da existência.
Nos oito módulos do laboratório, será abordado desde os princípios da formação da imagem e da fotografia pinhole até processos de organização de acervos, curadoria e montagem de exposição. Essa programação também inclui rodas de conversa, minioficinas da série “Gotas de Luz” e uma exposição de encerramento, construída a partir das produções desenvolvidas pelos participantes.
Como repassa a coordenação das ações, entre os temas abordados estão percepção e multissensorialidade, gênese da fotografia, princípios ópticos da imagem, técnicas experimentais de impressão com pigmentos vegetais, gestão de acervos fotográficos digitais e processos de curadoria e expografia. As atividades serão realizadas na sede do espaço cultural Kamara Kó Galeria, no bairro da Campina, no centro histórico de Belém.
Pessoas interessadas em fotografia e processos experimentais de criação visual, a partir de 16 anos de idade, poderão participar dos módulos. A seleção de candidatos às turmas será realizada por meio de inscrição online e entrevista. Os interessados podem se inscrever em mais de um módulo, caso tenham disponibilidade e interesse em acompanhar diferentes etapas do laboratório.
Percepção
Miguel Chikaoka é um dos principais nomes da fotografia brasileira na Amazônia. Ele desenvolve há mais de três décadas uma pesquisa que articula imagem, educação e experiência sensorial. No Laboratório “Olhos de Ver... Com que Olhos?”, Chikaoka retoma princípios que marcam sua trajetória pedagógica, estimulando a experimentação coletiva e o exercício do olhar como forma de compreender o mundo. Daí que os participantes das ações formativas vão investigar a fotografia desde a sua gênese, por meio de câmeras pinhole e acompanhando processos ópticos elementares e outros aspectos relacionados a essa arte.
Para Miguel Chikaoka, com 48 anos na área fotográfica, a fotografia envolve a parte técnica, científica, ou seja, o princípio do uso da luz, e, como linguagem, abrange a autoria, a intenção de quem fotografa, e, então, se tem o fotojornalismo, fotografia documental, fotografia para redes sociais e por aí vai. É um processo que se assemelha ao uso da palavra.
Ele contribui em muito para a formação de um olhar mais sensível e critico no fazer fotográfico, ao destacar que “a imagem é uma experiência com a luz, com a vida”. Os aspectos técnico e subjetivo, intencional caminham juntos. Uma pessoa não precisa conhecer o processo da fotografia para produzir uma imagem, mas acessar à história da fotografia, o princípio e os processos de produção da imagem pode sempre gerar narrativas interessantes.
Serviço:
Laboratório “Olhos de Ver... Com que Olhos?”
Módulo I — ‘Luz-Imagem: Percepção e Pedagogia dos Fluxos’
Realização: 6 a 11 de abril
Inscrições: até 27 de março
Link aqui
Minioficina Gotas de Luz
Com Tataki Zomé – Impressão Botânica (PCDS auditivas) - Libras
Realização: 18 de abril – 9h às 13h
Inscrições: Até dia 06 de abril
Link aqui
Informações: (91) 98134-7719
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA