Marabá pode ser vista de diferentes maneiras por quem percorre suas ruas, vive em suas comunidades ou carrega na memória histórias do município. É a partir dessas experiências que alunos do projeto Perifa.Doc produziram dois documentários: “Marabela” e “Cabelo Seco”, que têm como ponto de partida o território, as memórias e as pessoas que vivem na cidade.
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As produções foram desenvolvidas por jovens participantes de oficinas, aulas teóricas, cineclubes e atividades de campo realizadas pelo projeto. Agora, a proposta é que os filmes, junto a outras produções da iniciativa, cheguem a Marabá e Belém entre os dias 25 e 30 de setembro. As informações sobre a programação devem ser divulgadas nas redes sociais do projeto.
Diferentes perspectivas
Em “Marabela”, a equipe parte do poema de mesmo nome da professora Eliane Soares para abordar diferentes formas de enxergar Marabá. O título faz referência às expressões “MaraBala” e “MaraBela”, utilizadas na produção para apresentar perspectivas distintas sobre a cidade.
O documentário reúne relatos de moradores e imagens de diferentes pontos do município. Durante as gravações, os alunos também perceberam que as duas perspectivas não estavam necessariamente separadas, aparecendo na trajetória de uma mesma pessoa.
“Esperamos que o público reflita sobre os desafios sociais presentes em Marabá, compreendendo que a dicotomia entre beleza e caos pode coexistir historicamente em um mesmo território, assim como em diversos lugares do país. Ao mesmo tempo, reflitam que as riquezas culturais permanecem vivas por meio da dança, da música, das paisagens, dos afetos e das formas de pertencimento construídas pelos moradores”, afirma o grupo formado por Daniele Mousinho, Pedro Kauê Negreiros, Lucas Fernandes, Layanni Pompeu, Tayllon Fonteneles, Adrian Santos, Marcos Landin, Débora Melo, Marcos Riper, Carine Santos, Fernando Fernandes, Sarah Lima e Felismar Rodrigues.
Memória e identidade
Já “Cabelo Seco” tem como foco a comunidade de mesmo nome, no município, e aborda a relação entre território, memória e identidade. A equipe acompanhou iniciativas como o coletivo Raízes do Cabelo Seco e o Dança Longevo e colocou mulheres da comunidade no centro da narrativa.

“Para quem assistir ao documentário, desejamos que fique a reflexão de que toda comunidade tem o direito de contar sua própria história e de ressignificar as narrativas que lhe foram impostas. E, para a comunidade, esperamos que o filme seja um gesto de reconhecimento, pertencimento e fortalecimento, reafirmando que sua memória, sua cultura e, principalmente, suas mulheres são as verdadeiras protagonistas dessa história. Se o documentário contribuir para que o nome Cabelo Seco passe a ser visto como um símbolo de identidade, potência e orgulho, teremos alcançado nosso principal objetivo”, destaca o grupo formado por Bárbara Lopes, Vitória Monteiro, Madu, Grazi Azevedo, Gabriel Dias, Beatriz Rocha, Maria Eduarda, Alyne Pacheco e Aline Veríssimo.
O Perifa.Doc é realizado através da Lei Rouanet, e conta com Apoio do Instituto Rolé, da Tuntum Cultura, da Horus Planejamento e Gestão, Patrocínio da Vale, Co-Realização do estúdio UM.BA.RA.KÁ e realização da Pressa Filmes e do Ministério da Cultura.

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