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Fotógrafo paraense Bruno Cecim é artista convidado da exposição 'ARS TEMPUS', em Milão

A obra apresenta sobreposições de imagens que remetem ao tempo e a efemeridade da vida, uma das fotos foi tirada no Mercado de São Brás, em Belém

Emanuele Corrêa

O fotógrafo paraense e artista visual, Bruno Cecim, a convite da Art Space Organization, irá participar de uma nova exposição em Milão (Itália), na primeira edição da "ARS TEMPUS", de 8 a 30 de junho, na galeria HUB/ART. Com o trabalho intitulado "Ciclos",  Bruno aborda a questão da impermanência do tempo e efemeridade, levando a atmosfera de Belém e São Paulo para a conhecida "metrópole moderna".

Cecim trabalha com a sobreposição de obras, que remetem ao tempo e a perda - configurada, também, por um cemitério de São Paulo - em cima de uma imagem colorida de um relojoeiro em uma oficina no Mercado de São Brás, em Belém. Bruno destaca que o tempo, principalmente o pandêmico, mostrou para todos em escala global a questão da efemeridade. "Muitas pessoas se foram nesta pandemia e nós ficamos aqui", destacou.

O artista reforça que seus trabalhos têm muito da Amazônia, para ele, este possui uma leitura mais surreal e lúdica. Destaca, também, que a fotografia virou uma imagem e, de fato, é considerada uma obra de arte.

"É uma coisa que expande mais esse lado do imaginário, da arte, né? Do lúdico, do surreal. Tanto que a imagem lembra muito uma pintura. Ela já não é mais uma fotografia. Esse trabalho de sobreposição, virou uma imagem criada mesmo. Tanto que eles a todo momento lá falaram: 'sua pintura'. Então, é como se fosse uma pintura já", comentou.

Esta é a segunda exposição internacional do fotógrafo paraense. A primeira participação internacional, em Milão, ocorreu em maio deste ano. Bruno exibiu três quadros sobre a Amazônia e ganhou a premiação na categoria Especial, o que lhe deu o direito de ser o artista convidado da primeira edição da ARS TEMPUS.

"Eu mandei o material para uma galeria lá em Milão e eles gostaram. Soube que estava tendo essa essa mostra coletiva. Com artistas de diversos países e fui selecionado. Na premiação eu fui indicado na categoria especial, ganhei o prêmio que dá o direito de participar de uma nova exposição, agora como artista convidado mesmo", relembrou.

"É muito legal participar de uma outra exposição em Milão, que é considerada um dos berços da arte, na Europa. Grandes artistas vieram dali. pra mim é uma grande honra participar mais uma vez e como convidado. Representando o Pará, o Brasil. Nossa região aqui da Amazônia", complementou.

Veia artística familiar de Bruno Cecim

 

O fotógrafo Bruno Cecim é atuante no audiovisual e fotojornalismo, mas, desde criança - por influência dos pais e da avó -, as artes plásticas e as histórias sobre a Amazônia sempre estiveram presentes no seu cotidiano. "Sempre tive essa influência da arte. Minha avó é escritora, meu pai, Vicente Cecim, é escritor. Minha mãe foi diretora do arquivo da Bienal de São Paulo, por muitos anos. Eu sempre ia nas bienais, conheci artistas importantes de São Paulo. Tenho um tio artista plástico aqui de Belém. São Paulo foi onde eu fiz um dos meus primeiros cursos relacionados a arte, fotografia, cinema, foi o de artes plásticas. Quando eu entrei na fotografia, eu já vinha dessa pegada da artes plástica", revelou.

"Meu pai também sempre foi essa referência dentro de casa, né? Ele gostava de muitos pintores, artistas plásticos. Salvador Dalí, surrealista. Isso me influenciou muito. Tá dentro do meu imagético. Também a questão das lendas que me contavam. Tudo isso me fez abrir, expandir a minha minha criatividade, eu quis me expressar de alguma forma e acho que foi através da fotografia, no cinema. Além de trabalhar esse meu lado mais autoral, mais artístico", comentou em seguida.

Bruno relembrou o percurso pessoal até a exposição internacional. Disse que a primeira exposição que participou foi em Belém, no ano de 2000."Foi aqui em Belém, no Iphan, no início de 2000, e lá se vão vinte anos. Então é muito legal, né? Tá agora tendo esse reconhecimento e também como um fotógrafo de arte, que trabalha e esse lado mais autoral", disse.

"Gostaria de agradecer o pessoal de Milão, por essa oportunidade. Eu também já tenho outros projetos - internacionais - que em breve estarei divulgando. Mas com certeza vai ser da Amazônia, que é a minha meta de trabalho. Dessa Amazônia interessante, rica culturalmente e com tanta história. Eu, como um contador de história, como a minha avó era. Como meu pai era do jeito dele. Eu do meu jeito, através de imagem, tento contar um pouco da história aqui do nosso povo, com esse olhar mais artístico, através desses trabalhos mais autorais", finalizou.

Palavras-chave

Cultura
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