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Élida Lima estreia na poesia com o livro ‘Não sei se é da idade ou da cidade’

A publicação traz aos leitores uma cartografia da subjetividade da artista em versos

Abílio Dantas

Arte como mergulho e salvação, como investigação e mapeamento da trajetória de vida. São esses alguns dos caminhos da estreia na poesia da escritora Élida Lima, com o livro “Não sei se é da idade ou da cidade”, que será lançado neste sábado, 22, a partir das 10h, no Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA), em Belém. O livro, que sai pela editora Patuá, reúne poemas escritos ao longo dos14 anos que a autora, paraense e nômade, viveu em São Paulo.

"Eu nunca gostei de viver em São Paulo. Em 2020, chegou ao fim tanto o meu doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP quanto um casamento de 10 anos. Com a pandemia, eu intensifiquei o meu trabalho on-line como taróloga, divulgando pelo Instagram. Então eu comecei a desejar e planejar a minha saída de São Paulo”, narra Élida. Após um período morando em Alter do Chão, depois em Belém, e a chegada de um quadro de depressão, a releitura dos cadernos nos quais registrou criações e pensamentos por anos fez parte da busca por saúde.

“Em busca de sair da depressão, eu comecei atividade física, mudanças na alimentação, terapia uma vez por semana e comecei a reler os cadernos de anotações que havia cultivado ao longo de 15 anos. Como escritora, sempre tive muitos. Eu fuçava os cadernos em busca de mim mesma, pois com a depressão eu senti uma perda da minha identidade.Eu passei por mais de 50 cadernos. Página por página, entre anotações de aulas, diários, rascunhos, eu fui resgatando partes de mim e transformando em poemas. Algumas anotações já eram poemas prontos, mas a maioria era composta frases soltas que fui costurando e dando um tratamento de poesia”, explica.

Durante o processo que classifica como uma “arqueologia da subjetividade”, Élida reencontrou a si mesma, como se uma pessoa do passado houvesse deixado pistas a serem seguidas à pessoa que ela viria a se tornar. “Extraí do caos, poemas. Dei aos rabiscos um olhar de leitora de poesia”, observa.

Após a descoberta de que não estava completamente estagnada, mas, sim, escrevendo um livro, como dito por seu terapeuta na época, a autora passou a organizar os escritos por temáticas. “Vemos as temáticas que mais moldaram a experiência das idades e das cidades: poemas de amor e ódio (dois casamentos e duas separações), poemas de estranhamento com a cidade (morando em São Paulo, mas sempre tendo como referência Belém), poemas de núcleo de subjetividade (onde me pós-graduei), poemas de críticas que recebi (nas defesa do mestrado e qualificação do doutorado) e poemas de loucura e magia (ao enfrentar depressões e me aproximar de meu atual fazer como taróloga)”, relata.

"Resgatar, reunir, editar e lançar esse livro é um ato de saúde cognitiva, de ressignificação de experiências, de organização do campo psíquico, de alquimia, é um gesto de fechamento de um ciclo pessoal e abertura de outro; é uma retomada à Élida escritora, poeta, artista”, define.

O livro poderá ser adquirido durante o lançamento com autógrafos ou, após o lançamento, pelo site da Editora Patuá.

SERVIÇO

Lançamento do livro de poemas “Não sei se é da idade ou da cidade”

Data: 22/06

Hora: De 10h às 12h

Local: Centro Cultural Bienal das Amazônias – Rua Sen. Manoel Barata, 400

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