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Da crítica social às memórias da infância

Conheça mais dois artistas selecionados na Mostra Nacional

Bruna Lima

Pela crítica social e revelações íntimas perpassa a apresentação de mais dois trabalhos que vão compor a Mostra Nacional do Arte Pará 2022. Nesta edição vamos conhecer um pouco mais sobre a obra da dupla do Coletivo Coletores, de São Paulo, e do artista visual Douglas Ferreiro, do Piauí.

A série tem como objetivo trazer os artistas e suas obras para mais perto do público e possibilitá-los narrar um pouco sobre a trajetória e desafios que enfrentam para produzir suas artes. Todos os trabalhos estarão expostos a partir de 22 de setembro, no Museu de Arte Sacra e na Casa das Onze Janelas, no bairro da Cidade Velha.

Coletivo Coletores, São Paulo, 2008

O Coletivo Coletores nasceu na periferia de São Paulo, em 2008. Formado pelos artistas Toni Baptiste e Flávio Camargo, o coletivo tem interesse em construir uma produção artística que dialoga, a um só tempo, com a história das cidades, seus diferentes territórios e suas linguagens artísticas, realizando intervenções urbanas e projetos de arte que permitam a participação do público.

Dentre as múltiplas linguagens desenvolvidas pela dupla, está a pesquisa aprofundada no vídeo mapping, com trabalhos que discutem apagamentos de memórias, sobretudo afro-brasileiras e indígenas. “Nossas referências são do mundo da arte e também de outros lugares. Gostamos muito de Gordon Matta-Clark, na música dos Racionais MC’s; na literatura, Carolina Maria de Jesus e Sueli Carneiro. Já nas artes digitais e multimídias, William Kentridge e da Arca”, destaca Toni Baptiste.

A obra inscrita pelo coletivo se chama Pujança Editada, um vídeoarte documental que apresenta uma intervenção com vídeo mapping no monumento Borba Gato – monumento feita pelo artista plástico Júlio Guerra, morto em 2001, instalada em São Paulo, que homenageia o bandeirante paulista, caçador de esmeraldas, indígenas e escravos fugidos. Na intervenção realizada pelo coletivo, o vídeo mapping é uma forma de mostrar o legado de violência e exploração que a figura representa na história brasileira.

"Enxergamos a arte contemporânea por diferentes prismas: como artistas, como público, como pesquisadores ou como professores. Sobre cada uma dessas perspectivas, ela se apresenta como algo único e carregado de muitos sentidos e contradições. A parte que nos interessa nesta discussão sobre a arte contemporânea é a oportunidade de estarmos vivos e participando de algo que está impactando nossa vida no tempo presente”, reflete Toni Baptiste. E complementa, “para nós é uma grande honra estar no Arte Pará: pela história dessa mostra e pelos artistas e curadores que já participaram de antigas edições e da atual, pois, sempre são produções de grande relevância para o cenário nacional. Então, fazer parte dessa seleção nos faz sentir parte de algo que desde o início de nossa trajetória nos inspira e motiva. Outro ponto interessante é ter a oportunidade de ouvir e trocar com o público do Pará e região”, comemora o integrante do coletivo.

 

Douglas Ferreiro, Piauí, 1995

O jovem artista visual Douglas Ferreiro nasceu em Teresina, mas mora no Distrito Federal desde pequeno. O trabalho com a arte visual de forma profissional começou em 2018, em exposições de outros artistas. E a partir desse contato, passou a desenvolver a própria pesquisa artística e poética. Ele explica que anterior a isso, já tinha a prática de desenhar e de pintar, mas não entendia que aquele fazer era já um  trabalho artístico. 

Atualmente, Douglas produz pinturas figurativas, nas quais busca um imaginário poético que dialoga, principalmente, com as reminiscências da infância. “A minha infância tem uma composição familiar funcional, uma criação religiosa e cristã, entre outros marcadores, mas que ainda assim encontra espaço para beleza e para doçura”, conta o Ferreiro. Ele diz ainda que os trabalhos servem como a criação de provas sobre a sua própria existência. 

Para o Arte Pará, Douglas inscreveu pinturas de uma série em desenvolvimento, que se chama “Eu não lembro o rosto do meu pai”. Dentro da série, ele escolheu as pinturas “Eu sou alguém que chora” e “O último passeio”. O artista explica que a série e o conjunto de trabalho que vem produzindo dialogam com a representação e também buscam questionar a figura paterna como um agente que ajuda nesse processo formativo de construção de outros sujeitos, no caso, os filhos. 

“Esse trabalho também me faz pensar como que a ausência dessa figura afeta nesse processo formativo. Pensando que isso é algo recorrente na vida de muitas pessoas, principalmente, pessoas pretas”, pontua o artista.

A seleção no Arte Pará, para Douglas, significa a expansão de sua arte, que de certa maneira, pensa nessa descentralização da produção. “Parar para pensar nessa descentralização é muito importante para mim e me contempla como artista, que não está dentro desse eixo. Outro aspecto importante é a construção de um espaço de coletividade, onde o trabalho vai dialogar com outros e também vai dialogar com essa narrativa curatorial que foi criada”, destaca Douglas. 

Sobre a arte contemporânea, Douglas explica que enxerga como um lugar, uma possibilidade de construção, reconstrução, imaginação, ficção e uma gama de narrativas. E que ao mesmo tempo têm suas individualidades, mas que também toca o coletivo. 

O Projeto Arte Pará 2022 prevê a distribuição de R$ 50 mil em prêmios, de R$ 10 mil cada um, sendo três premiações para a Mostra Nacional, duas na de Fomento, e mais duas bolsas de residência dos Institutos Inclusartiz, do Rio de Janeiro, e Pivô Arte e Pesquisa, de São Paulo. Ao todo, são sete prêmios, e os contemplados serão conhecidos no dia da abertura da 40ª edição. 

O Projeto Arte Pará 2022 é apresentado pelo Instituto Cultural Vale, com patrocínio do Centro Universitário Fibra e do grupo Equatorial Energia e com apoio institucional do grupo O Liberal e dos Institutos Inclusartiz e Pivô Arte e Pesquisa. O Arte Pará é uma realização da Fundação Romulo Maiorana.

Palavras-chave

Cultura
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