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Cláudia Abreu apresenta no Theatro da Paz espetáculo baseado na autora Virginia Woolf

O monólogo, que está percorrendo o Brasil, é o resultado dos vários atravessamentos que a escritora inglesa provocou na atriz brasileira ao longo de sua trajetória

Thainá Dias

Apenas com um vestido branco, Cláudia Abreu surgirá no palco do Theatro da Paz em Belém, nos próximos dias 12, 13 e 14 de abril, a partir das 21h. A atriz apresenta ao público paraense seu primeiro monólogo: Virginia. A artista mergulha na história da autora inglesa, Virginia Woolf, começando justamente pelo afogamento que ela escolheu para dar fim a sua vida. Durante uma entrevista exclusiva para o Grupo Liberal, a atriz falou sobre o espetáculo, o carinho que tem por Belém do Pará e sua carreira.

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O texto, que marca a estreia de Cláudia como dramaturga, acaba unindo de maneira natural, momentos da infância, fase adulta e morte de Virginia. O espetáculo mostra como uma mulher, que não tinha acesso ao estudo e perdeu sua família muito cedo, conseguiu se transformar em uma das maiores escritoras de todos os tempos. “É meu primeiro monólogo e tem sido uma realização em muitos lugares, é uma produção independente. Eu já tinha escrito uma série para a TV e acabei tomando um gosto imenso pela escrita”, relatou a atriz.

Virginia é um espetáculo não só sobre a autora de “Mrs Dalloway”, mas sobre o impacto do machismo e sobre as lutas das mulheres, que até hoje, quando contrariam o que a sociedade espera delas, são chamadas de loucas. A atriz destacou ainda a importância da mulher presente no texto da autora inglesa. “Falar sobre as mulheres é sempre necessário, até porque a condição feminina não mudou tanto em 100 anos”, contou.

Virginia foi impedida de estudar por normas da época, que privavam garotas de alcançarem a universidade, perdeu a mãe, a quem tanto se afeiçoava e também uma de suas irmãs e viveu tendo que provar ao pai de que a mulher não é inferior ao homem. Na adolescência foi violentada por dois de seus meios-irmãos. Ainda assim, sua genialidade e capacidade de ver além com sua afiada sensibilidade não foram obliteradas pelos percalços que encontrou.

Para Cláudia, mostrar os abusos que a autora sofreu dentro da própria casa levanta ainda mais as questões sobre a luta constante feminina por igualdade. “Hoje em dia, quando vemos a estatística dos estupros por exemplo, podemos ver que a mulher sempre tem um papel de renunciar a si mesma, é algo que ela já vinha falando, uma luta constante”.

Encantada pela sensibilidade da autora inglesa, Cláudia destacou um ponto comum entre elas: o amor por questões da existência. “Ela traz reflexões profundas sobre esse tema, eu sou formada em Filosofia, me formei mesmo depois de já trabalhar como atriz então é um ponto que nos une bastante”, confessou.

 

Desafios

Misoginia, assédio moral, discriminação intelectual, violência psicológica, estupro e interferência masculina em decisões referentes à maternidade e ao prazer feminino fazem parte do inventário de vida feito pela escritora inglesa imediatamente antes de seu suicídio, tal qual imaginado pela atriz e agora dramaturga, após rigorosa pesquisa.

A atriz falou destacou ainda os desafios de estrear seu primeiro texto na dramaturgia. “Além do desafio do texto em si, há também o fato fazer tantas personagens dentro de uma só. E quem conta as histórias sobre ela são as vozes que a acompanham em sua consciência. Isso é desafiante no momento da atuação”, revelou.

O amor por Belém do Pará acompanha Cláudia Abreu nessa passagem pela capital paraense. De forma independente, a atriz fez questão de trazer sua peça para os palcos do Theatro da Paz, “é um sonho poder pisar nesse teatro tão lindo”. A atriz se destacou apaixonada pelas terras paraenses e seus encantos e por isso, “eu não podia deixar de trazer esse espetáculo para Belém”.

Na peça, a atriz experimenta a solidão. “Sempre estive rodeada por muita gente, tive filhos e sempre gostei de ter a casa cheia. Por isso, nunca estava sozinha”. Cláudia disse ainda que o aprendizado de solidão fez muito bem para ela mesma. “Eu tinha muito medo de fazer um monólogo. ‘E se algo acontecer em cena e eu não ter outro ator ali para me ajudar?’, eu pensava, mas descobri uma grande curtição, um prazer de estar ali sozinha”.

Carreira

Com mais de 30 anos de carreira e grandes sucessos em seu currículo, como as novelas "Cheias de Charme" e "A Favorita", ambas da TV Globo, Claudia Abreu refletiu sobre sua trajetória e aprendizados. "Eu fico muito feliz de ser uma atriz que sempre tem uma boa oportunidade de trabalho, seja na televisão, seja no teatro, no cinema. Isso me dá muita satisfação. Eu tive meu espaço de uma maneira muito positiva, regular, tive ótimos convites. Isso é uma coisa que me dá um conforto", analisou.

Ao destacar sobre o sucesso da novela novelas "Cheias de Charme", que está sendo reprisada atualmente pela TV Globo, a atriz não escondeu o carinho pelo trabalho. “Eu tinha acabado de ser mãe quando fui convidada para fazer a Chayene, mas quando li o roteiro achei imperdível”, declarou. Cláudia viu na oportunidade, a chance de mostrar ao público que tinha outras vertentes como atriz, como dançar, cantar. “Temos ainda o desejo de fazer um filme sobre essa novela e eu espero muito que dê certo para que possamos reviver esses personagens incríveis, tanto para nós atores como para quem nos assiste com tanto carinho”, concluiu a atriz.

 

Agende-se

Monólogo “Virginia” com Cláudia Abreu

Data: 12, 13 e 14/04

Hora: 21h

Local: Theatro da Paz

 

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