Estreia internacional na Netflix e sucessos nacionais marcam carreira de Pâmela Germano
A artista transita entre festivais mundiais de destaque e o entretenimento de massa, reforçando sua versatilidade em diversos papéis
A atriz brasileira Pâmela Germano marca sua estreia na Netflix dos Estados Unidos com a série “Man on Fire”, produção também disponível no catálogo global da plataforma. A trama acompanha a jornada de vingança de John Creasy, um ex-mercenário das Forças Especiais. Na obra, Pâmela dá vida a Marina, filha da personagem Valéria (interpretada por Alice Braga). As duas possuem um vínculo afetivo forte, mas acabam envolvidas em uma missão perigosa iniciada pela mãe.
“Marina e Valéria são inseparáveis. Eu e Alice realmente entendemos que elas trabalham juntas para escreverem outra história para seus futuros e para a própria subsistência. Nesse sentido, existe uma companhia e uma lida muito horizontal entre mãe e filha, vinda de um trauma de violência em comum que foi a morte do pai e marido. E foi assim que, conforme fomos trabalhando o roteiro e a relação das personagens, me deparei com a maturidade que existe em Marina causada pela dor. Os humores de Marina são justamente engatilhados pelo perigo e pela tensão da própria narrativa da série. Fui trabalhando minhas emoções e os arcos da personagem a partir do grau de ameaça que ela e Valéria começaram a sofrer”, conta Pâmela Germano, em entrevista ao Grupo Liberal.
Além das duas, o elenco ainda tem outros brasileiros, como Thomás Aquino, Iago Xavier, Jefferson Baptista e Bruno Suzano.
A atriz integrou o elenco deste projeto após participar de produções premiadas e de destaque no streaming. No cinema, protagonizou o longa “A Batalha da Rua Maria Antônia” (2025), dirigido por Vera Egito, obra que conquistou o prêmio de Melhor Filme no Festival do Rio 2023. Na televisão, compôs o elenco principal da série “Dois Tempos”, disponível no Disney+. Sua trajetória recente e futura inclui atuações nos filmes “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, “O Mistério de Santa Dica” e “Mapas e Fogaréu”.
“Quando olho pra trás e pro presente, vejo a internacionalização dos projetos que estive. E fico extremamente reflexiva, emocionada, agradecida. Porque realmente é um marco ou uma característica que têm presença na minha trajetória. Em trabalhos mais mainstream mas também em circunstâncias mais íntimas e experimentais. Em 2024, por exemplo, fui pedalando com a minha família de Brasília à Januária (MG), e chegando lá me deparo com ‘Miçangas’ compondo um festival de cinema de rua ‘Outra Margem’; o mesmo filme que estreou em Berlinale, um dos festivais mais renomados. O meu trabalho me leva para muitos lugares e isso molda profundamente quem sou”, conta.
VEJA MAIS
“Festivais mundiais de destaque, com artistas, equipes e projetos de excelência. Assisti os melhores filmes da minha vida nesses festivais em que pude ir: em Berlim, em Durban, Huesca, em Sundance. É gigantesco o meu sentimento, difícil mesmo de exprimir. Nesses festivais pude me formar no sentido da artista que sou e quero ser. Pude conhecer pessoas, pesquisas, olhares muito singulares e brilhantes, que me impulsionam a verticalizar cada vez mais no fazer artístico. Com os curta-metragens e o longa estivemos em todos os cantos, e em alguns eu pude ver. Mas em vários não. É muito louco pensar em todas as salas de cinema que esses filmes ressoaram, nas mostras que comporam, nos públicos tão diversos que os receberam. Essa é a minha estreia com a Netflix, e foi logo com a Netflix US. Sinto que são projeções distintas e ainda vou descobrir o que é. Tudo isso se imprime na minha percepção de espaço, de coletividade, de cultura e me faz muito interessada em como continuar”, acrescenta a atriz.
A trajetória de Pâmela Germano é marcada pela diversificação de sua atuação, transitando entre produções de nicho e projetos voltados ao entretenimento de massa. A atriz mantém um fluxo constante de trabalho em diferentes plataformas e formatos, o que demonstra sua busca por papéis distintos e a capacidade de equilibrar projetos com propostas artísticas variadas. Esse trânsito entre o cinema e o streaming reforça uma carreira pautada pela versatilidade na escolha de seus personagens.
“Busco roteiros e personagens complexos, sejam os trabalhos independentes ou não. Esse costuma ser o meu critério. Transito pela cultura popular, pelo teatro, como também pelo cinema e pelo entretenimento. Eu adorei fazer uma série estratosférica de ação e de suspense. Adorei estar num set trilíngue, adorei gravar em inglês e português numa mesma cena; e às vezes só em inglês, noutras só em português. Quero muito mais mesmo. E faço questão de lembrar que sou artista, que preciso criar também em graus de experimentação mais radicalizada. Então, eu nutro e conduzo meus passos para acessar diversos modos de fazer, diversos públicos. Fico muito curiosa à respeito da novela, quero muito fazer. Entender outra linguagem e outra relação com seu público. Ao mesmo tempo, não deixo de jeito nenhum de ficar em contato com grupos, artistas independentes, núcleos de teatro, curso, experimentação. É uma conexão que me dá base pro que sou, e como trabalho nos outros projetos ‘maiores’”, explica.
Palavras-chave