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Entrevista Exclusiva: Johnny Massaro protagoniza nova série da Netflix sobre o Césio-137

Ator reflete sobre a responsabilidade de dar voz às vítimas do desastre com o Césio 137 ao engatar duas obras baseadas em historias reais

Bruna Dias Merabet

A minissérie brasileira Emergência Radioativa, da Netflix, estreia nesta quarta-feira, 18 de março. Estrelada por Johnny Massaro, a obra revisita um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil: o acidente com Césio-137 ocorrido em Goiânia em 1987.

“A história da série, assim como o próprio césio, vai se espalhando por diferentes núcleos e personagens: físicos, médicos, políticos, catadores de lixo, toda Goiânia e o restante do país. Existe um mosaico de pontos de vista. O Márcio, personagem que interpreto, é um jovem físico que, ao mesmo tempo em que descobre que vai ser pai, descobre também que sua cidade natal está prestes a enfrentar um desastre radiológico sem precedentes. Por uma questão de destino ou acaso, ele é a primeira pessoa a ter essa informação. A partir daí, a série se desenvolve”, pontua Johnny Massaro, em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal.

Emergência Radioativa mostra uma atmosfera tensa e incerta sob múltiplas perspectivas, no maior acidente radiológico já registrado fora de uma usina nuclear. Em um momento em que poucos compreendiam a real gravidade da contaminação, um aparelho de radioterapia abandonado foi encontrado por catadores de material reciclável em uma clínica desativada. Sem saber do que se tratava, eles manipularam a cápsula contendo o material radioativo, o que acabou provocando uma contaminação em larga escala.


“É sempre mais delicado lidar com dramas reais, porque significa falar de dores que pertencem a pessoas que existem. Isso é algo que atravessa constantemente a minha consciência quando estou num projeto dessa natureza. O que funciona, para mim, é redobrar o respeito e a escuta”, explica o ator.

Na ocasião, ao menos quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição, e mais de 100 mil pessoas foram avaliadas por possível exposição à radiação, além de centenas que sofreram diferentes níveis de exposição ao material radioativo. Três décadas após o desastre, os moradores de Goiânia ainda lidam com as consequências. Durante anos, enfrentaram estigmas, medo e desinformação.

Um dos pontos de encantamento da minissérie é a cápsula levada para um ferro-velho com um pó azul brilhante que chamou a atenção pela aparência luminosa. Ali, o material acabou sendo manuseado e distribuído entre familiares, amigos e vizinhos, o que ampliou rapidamente a contaminação.

“Essa contradição é muito perturbadora: uma substância visualmente fascinante que carrega uma ameaça invisível e devastadora. Sei que houve um cuidado enorme da equipe para traduzir isso na série, tanto na construção dramática quanto na forma visual. Estou muito curioso para ver o resultado final, porque também ainda não assisti”, analisa Johnny Massaro.

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O desenrolar da trama se dá com a confusão dos sintomas com sinais de doenças comuns, o que atrasou a identificação da radiação. Porém, quando as autoridades perceberam a gravidade da situação, equipes especializadas iniciaram uma operação de emergência para conter a contaminação. Casas foram isoladas, objetos pessoais precisaram ser destruídos e áreas inteiras da cidade passaram por processos de descontaminação. O drama destaca os heróis anônimos cujos esforços mobilizaram o país e trouxeram renovada atenção ao trabalho de cientistas e equipes médicas brasileiras.

“Contar essa história já é, por si só, uma forma de jogar luz sobre um episódio que marcou profundamente o Brasil. A gente sabe que muitas vítimas ainda enfrentam consequências até hoje. Minha esperança é que a série ajude a relembrar esse acontecimento e, quem sabe, contribua para que essas pessoas sejam mais vistas, mais escutadas e melhor assistidas”, pontua.

Por ser uma situação muito séria e trágica, que até o momento assola o país, Johnny Massaro destaca que interpretar o protagonista Márcio exigiu cuidado e sensibilidade. Atualmente, a Netflix está disponível em mais de 190 países, ou seja, Emergência Radioativa chega com um alcance global.

“Ao mesmo tempo em que não posso pensar muito nisso, também é impossível não pensar (risos). No fim das contas, tento me concentrar na oportunidade de fazer o que gosto de fazer da melhor maneira possível. O resto é fé e trabalho”, reflete Johnny Massaro.

No ano passado, ele completou duas décadas em atividade; sua estreia como artista foi aos 12 anos, quando fez o primeiro teste para a novela “Floribella”, que estreou em 2005. Desde então, ele não parou mais, somando trabalhos de destaque na TV, no cinema e no teatro. Recentemente, ele foi protagonista da nova série “Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente”, na HBO e na HBO Max, ao viver Nando, um comissário de bordo que sofre ao ser diagnosticado com o vírus da Aids em meio à epidemia do HIV nos anos 1980.

A trama é baseada em uma história real, que retrata o contrabando de AZT, um medicamento antirretroviral, organizado por comissários de bordo brasileiros nos anos 1980, devido à negligência do governo frente à epidemia de HIV e à demora na regulação do remédio no Brasil. Ou seja, em um curto intervalo de tempo, Johnny Massaro faz parte de produções com histórias reais.

“Mesmo quando partimos de uma história real, ao se tornar uma série ela inevitavelmente passa por um processo de ficcionalização, pois existe um olhar, uma intenção, uma direção. Então, para mim, o desafio é o mesmo: entender qual é o lugar do personagem dentro daquela história. Seja ela inspirada em fatos ou completamente inventada, o desafio é encontrar o humano”, finaliza o ator.