'A Última Sessão de Cinema' é destaque em mostra no CCBEU com curadoria de Ismaelino Pinto
A sessão oferece ao público de Belém uma imersão técnica e histórica sobre a obra que consagrou Peter Bogdanovich
Nesta quinta-feira (30), às 18h, o CCBEU (Padre Eutíquio, 1309) irá exibir gratuitamente o filme "A Última Sessão de Cinema" (1971). Com retirada de entradas antecipadas pelo Sympla, esta sessão tem curadoria de jornalista e colunista do Grupo Liberal, comentarista de cinema e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema e da Associação de Críticos de Cinema do Pará, Ismaelino Pinto.
“O filme aborda temas universais: o fim da inocência, a solidão nas relações, o vazio existencial e a transformação social. O fechamento do cinema dentro da narrativa funciona como metáfora poderosa para o desaparecimento de sonhos e de uma forma de viver”, conta Ismaelino Pinto.
VEJA MAIS
Em "A Última Sessão de Cinema", a história se desenvolve entre a 2ª Guerra Mundial e a Guerra da Coreia, período em que dois jovens, Duane Jackson (Jeff Bridges) e Sonny Crawford (Timothy Bottoms), vivem em Anarene, uma pequena cidade no Texas. Eles se parecem fisicamente, mas mental e emocionalmente são opostos. Passam boa parte do tempo no cinema ou no salão de sinuca. Enquanto Duane tenta se firmar frequentando festas de embalo, Sonny é iniciado no sexo por Ruth Popper (Cloris Leachman), a frustrada esposa do seu treinador. Mas os dois compartilham um desejo: Jacy (Cybill Shepherd).
“‘A Última Sessão de Cinema’ é um retrato melancólico da juventude e da decadência do interior americano. A escolha pelo preto e branco reforça o clima de nostalgia e perda, quase como se o filme já fosse uma lembrança no momento em que acontece. A direção de Peter Bogdanovich é precisa e sensível, influenciada pelo cinema clássico de Orson Welles e John Ford. Ele constrói personagens complexos, cheios de fragilidades, evitando julgamentos fáceis. O roteiro, baseado na obra de Larry McMurtry, traz diálogos naturais e situações que revelam solidão, desejo e frustração”, pontua o jornalista.
A direção é de Peter Bogdanovich, que aos 31 anos se tornou o garoto-prodígio do cinema ao transformar um drama intimista sobre garotos texanos em um dos maiores hits do ano. Ele pertence à geração de entusiastas do cinema da década de 1960, formada pelas exibições de clássicos de John Ford, Howard Hawks e Orson Welles na televisão. Bogdanovich foi o jovem aspirante que entrevistou esses diretores e estabeleceu laços de amizade com Hawks e Welles.
No período em que atuava como ensaísta e crítico, Bogdanovich fixou o objetivo de realizar seu primeiro longa-metragem até os 25 anos, inspirado na trajetória de Orson Welles. Porém, a oportunidade ocorreu aos 29 anos, quando dirigiu "Na Mira da Morte" com um orçamento reduzido para Roger Corman, em 1968. Apesar de não ter alcançado sucesso comercial, o trabalho garantiu o respaldo para que ele assumisse o comando de uma produção de aproximadamente um milhão de dólares: "A Última Sessão de Cinema".
“As atuações são um dos pontos mais fortes no filme: Cloris Leachman oferece uma performance profundamente comovente, premiada com o Oscar; Ben Johnson também venceu o Oscar, com uma interpretação silenciosa e carregada de significado; e Jeff Bridges, ainda jovem, já demonstra carisma e presença marcante”, explica.
Agende-se
Data: quinta-feira, 30
Hora: 18h
Local: CCBEU - Centro Cultural Brasil-Estados Unidos - Travessa Padre Eutíquio, 1309, Em frente a Clínica Rede Mais Saúde, Batista Campos
Ingressos: Sympla
Palavras-chave