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Chargista Biratan Porto comemora 40 anos de carreira com livro especial

Lançamento reúne uma coletânea da produção do artista ao longo da carreira

Vito Gemaque

Em quatro décadas o mundo mudou bastante. Os meios de comunicação mudaram radicalmente. O aquecimento global se tornou uma realidade. Dois presidentes brasileiros foram depostos. Muita coisa aconteceu e foi retratada nas charges, cartuns, caricaturas e artes do artista Biratan Porto, que comemora 40 anos de profissão, com o lançamento do livro “Biratan, Um Traço no Tempo - 40 anos de humor & Artes visuais”.

A publicação terá apenas 400 exemplares e já podem ser adquiridos diretamente com o chargista. “O livro é uma coletânea de produção de 40 anos de todas as coisas que fiz, de pintura, das várias áreas, das charges do jornal A Província do Pará, algumas charges relacionadas a ecologia, exposições, caricaturas, prêmios, ilustração, retratos, quadrinhos, tiras, máscaras em papel mache”, lista.

O livro é uma edição especial em capa dura, policromia, em formato 21X28cm, com 180 páginas. O lançamento será nesta segunda-feura, dia 17. Por conta da pandemia, o livro será entregue já autografado sem proximidade física. A publicação é lançada pela editora GTR e com edição do próprio Biratan que faz esse passeio pela própria vida profissional de cartunista vencedor inclusive de prêmios internacionais.

Uma das muitas charges criadas por Biratan Porto ao longo da carreira (Biratan Porto)

A comemoração é dupla já que também neste ano Biratan completa 70 anos de idade, no dia 29 de outubro. Como primeira grande casa profissional, o chargista publicou por 23 anos consecutivos, desde 1978, no jornal “A Província do Pará”.

Depois trabalhou em outros veículos entre eles O LIBERAL. Nas primeiras páginas do livro, em um trecho sobre a sua história, o cartunista brinca que só faltou bordar, o resto fez tudo. “Eu já tinha cerca de 9 mil charges da Província. Afinal foram 23 anos de publicações diretas, ininterruptas, diariamente, e tinha essas charges. Fiz uma seleção do que achei mais interessante. Também tinha muita coisa guardada de salões de humor como prêmios no Brasil e no interior, e fiz uma pesquisa em revistas que publiquei. Muita coisa eu consegui com as pessoas que enviaram para mim, coisas que eu já não tinha”, explica.

Durante toda essa trajetória, ele lembra que a primeira charge publicada na Província do Pará foi sobre ecologia. “Aos poucos fui me enturmando com a política, e fui fazendo charges políticas, muitas charges no início eram ecológicas”, lembra.

Caricaturas de Roberto Jares e Betinho com o traço do artista (Biratan Porto)

Outro momento importante foi ser o vencedor International Cartoon Festival of Knokke-Heist, na Bélgica, um dos mais importantes e tradicionais salões de humor da Europa. O paraense foi o primeiro cartunista sul-americano a ganhar o prêmio.

“Até aquele momento somente os europeus ganhavam”, aponta com orgulho. Biratan tem mais de 28 prêmios em diferentes salões de exposições nacionais e internacionais, principalmente com o tema Ecologia, além de oito livros publicados. A sua produção chegou à França, Itália, Bélgica, Holanda, Estados Unidos e México.

Outro projeto de Biratan foi a criação do Salão Internacional de Humor da Amazônia que chegou a dez edições, de 2008 a 2018. As últimas edições ocorreram na Feira Pan-Amazônica de Livro. “Em 2018, foi o último salão, quis encerrar com uma data bem redonda, assim como estou fazendo o livro. A cada ano ficava mais difícil fazer o salão, porque é uma despesa muito grande. Você tem um custo com impressões em alta qualidade, com pessoas que vem de fora para ajudar o salão, e necessita de produtora para organizar tudo e de profissionais. A cada ano foi diminuindo muito os recursos. A participação de três grandes empresas que participavam no início diminuiu somente para a Secretaria de Cultura do Estado”, conta.

Máscara de papel machê do cantor e compositor Adoniran Barbosa (Biratan Porto)

Inquieto, Biratan conta que sempre está mudando e aprendendo novos traços, mesmo já estando aposentado. “Em 40 anos você aprende muito, o meu traço até hoje eu ainda mexo.  Ele começou a se definir no jornal, era bem duro na época, aí você vai mexendo vai deixando ele mais engraçado, mais fácil, menos pesado, foi evoluindo e foi se transformando, sendo mexido e adaptado. E o que se aprende em 40 anos é o que o profissional tem que saber negociar para aprender a vender o seu produto, para ter o seu retorno financeiro profissionalmente. No início você vai tateando e não tem ideia de mercado, vai aprendendo viajando, publicando, tanto na imprensa nacional, quanto na estrangeira”, conta.

Apesar das mudanças nos veículos de comunicação e da diminuição dos espaços reservados para charges, Biratan enxerga que é possível fazer muita arte e divulgá-las em blogs, sites e nas redes sociais.

“O cartunista perdeu muito espaço dentro dos jornais pelas próprias transições que os jornais estão passando para a fase digital. Na Europa e Estados Unidos isso já é uma realidade, aqui no Brasil ainda é uma transição. O chargista perdeu espaço físico, mas ganhou uma tribuna dentro da internet. Ele pode criar o seu blog e pode criar uma página e se manifestar até com mais liberdade do que dentro dos jornais, sem que exista uma autocensura ou por causa da linha editorial dos jornais, que faz com que o chargista caminhe para dentro do padrão estabelecido”, assegura.

Homenagem ao cantor e compositor Paulinho da Viola (Biratan Porto)

Os interessados em adquirir o livro podem falar com o artista diretamente pelas suas redes sociais no Facebook pelo perfil Biratan Porto. A publicação custa R$ 80 e somente pode ser adquirida por encomenda via transferência bancária com entrega em domicílio.

A tiragem é limitada a 400 exemplares. Até o final do ano o artista ainda planeja executar outros projetos como publicar um ebook, um pocket book para reunir a produção de quase 20 anos para o jornal PQP, e depois um livro de crônicas do cotidiano. Biratan Porto completa décadas de vida e de profissão sem espaço para a apatia, sempre produzindo e desenhando o mundo a sua maneira.

Cultura
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