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Nego Di é condenado a 14 anos e 6 meses de prisão por estelionato e lavagem de dinheiro

Penas somadas do casal ultrapassam 22 anos de prisão; investigação do Ministério Público aponta fraudes em sorteios e adulteração de documento

O Liberal

A Justiça condenou o influenciador digital e ex-BBB Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, a 14 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, além de 1 ano e 15 dias de prisão simples em regime inicial semiaberto. A sentença, proferida nesta terça-feira (23), aponta o envolvimento do réu em crimes de estelionato, lavagem de dinheiro qualificada, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. Na mesma decisão, a esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, foi condenada por lavagem de dinheiro a 8 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado. Ambos também foram sentenciados ao pagamento de dias-multa calculados com base no salário mínimo da época dos fatos.

A pena de Nego Di foi dividida em 9 anos, 4 meses e 8 dias de reclusão por lavagem de dinheiro; 3 anos e 22 dias por uso de documento falso; 2 anos e 1 mês por estelionato; e 1 ano e 15 dias de prisão simples pela promoção de loteria ilegal. A defesa do influenciador foi procurada, mas não apresentou retorno até a última atualização da reportagem, e não houve confirmação se o advogado também representa Gabriela Vicente de Sousa.

A denúncia do Ministério Público aponta que, entre novembro de 2022 e maio de 2024, o influenciador realizou 34 rifas eletrônicas sem autorização legal, divulgadas em redes sociais com promessas de prêmios em dinheiro e bens. O processo cita o sorteio de um veículo Porsche Macan avaliado em R$ 500 mil e de valores em espécie que somavam R$ 650 mil. O órgão acusador calcula que a atividade gerou prejuízo de R$ 185,3 mil a, no mínimo, 9.683 pessoas. Além disso, o Ministério Público demonstrou que o casal atuou em conjunto para ocultar a origem de R$ 2,4 milhões arrecadados, utilizando contas de terceiros, operações financeiras e compra de bens.

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A investigação também comprovou que o ex-BBB utilizou um comprovante de transferência bancária adulterado para divulgar na internet uma doação de R$ 1 milhão destinada às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul, quando o valor real transferido foi de R$ 100. Na decisão judicial, o magistrado pontuou que o réu tinha consciência da ilegalidade das ações e operava uma estrutura que movimentou mais de R$ 2,5 milhões.

Na análise jurídica dos crimes, o juiz concluiu que o sorteio do automóvel configurou estelionato porque não havia a intenção de entregar o bem, tendo ocorrido a simulação de contato com uma vencedora fictícia para manter as aparências. Quanto à lavagem de dinheiro, a sentença relata a utilização de empresas e contas bancárias ligadas ao casal para impedir o rastreamento do dinheiro. A participação de Gabriela Vicente de Sousa foi classificada como essencial para a movimentação dos recursos ilícitos e para a aquisição de patrimônio. Sobre o comprovante de doação, o juiz declarou que houve alteração consciente para induzir o público ao erro.

Paralelamente a essa condenação, o influenciador responde a outra ação judicial relacionada à loja virtual "Tá Di Zueira". Segundo dados da Polícia Civil e do Ministério Público, entre março e julho de 2022, o réu e seu sócio, Anderson Boneti, causaram um prejuízo estimado em R$ 5 milhões a mais de 370 clientes. O processo também lista crimes cometidos entre março e julho de 2021 contra 16 vítimas no município de Canoas (RS).

O inquérito policial da loja virtual foi encerrado em agosto de 2023 com pedido de prisão preventiva, decretada pela Justiça em julho de 2024 com parecer favorável do Ministério Público. Nego Di foi detido em Florianópolis (SC) e permaneceu na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) por quatro meses, até obter liberdade provisória por meio de habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em novembro de 2024.

Após sair da prisão, ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo a proibição de acessar redes sociais, a retenção do passaporte e o comparecimento regular em juízo. O influenciador chegou a receber uma advertência judicial após descumprir as regras com publicações na internet. Em primeira instância, em junho de 2025, Nego Di e Anderson Boneti foram condenados a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato no caso da loja virtual, mas a execução da pena aguarda o trânsito em julgado do processo. Posteriormente, em outubro de 2025, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre tornou ambos réus em mais uma ação penal por estelionato.