Bate-papo com Cristina Serra e Jamil Chade marca encerramento da Feira do Livro neste domingo (6)
Encontro será realizado às 18h30, no dia temático “Vozes da Terra e da Paz”, com entrada gratuita
Livros, jornalismo, literatura e os caminhos do Brasil diante das transformações tecnológicas estarão no centro do bate-papo que encerra a 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, neste domingo (6), em Belém. A partir das 18h30, no dia temático “Vozes da Terra e da Paz”, os jornalistas e escritores Cristina Serra e Jamil Chade participam de uma conversa aberta ao público no Hangar Centro de Convenções.
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Para Cristina, retornar à feira na cidade onde nasceu representa uma oportunidade de reencontro com leitores. A jornalista paraense participa da Feira do Livro desde 2019, quando lançou seu primeiro livro, “Tragédia em Mariana: A história do maior desastre ambiental do Brasil”. Neste ano, divide com Chade a conversa de encerramento.
“É um privilégio imenso trazer minha voz para a Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém, minha cidade, meu abrigo, meu lugar no mundo”, afirma. Segundo ela, conversar sobre livros e literatura diante dos leitores é parte importante da experiência de quem escreve.
Ela destaca a parceria com Chade, com quem trabalha em dois veículos jornalísticos. Para ela, os dois chegam à mesa com inquietações comuns sobre o Brasil, o mundo, o jornalismo e a literatura.
Entre os assuntos que a jornalista pretende abordar está o futuro da literatura em um cenário marcado pelas plataformas digitais, redes sociais e inteligência artificial. Cristina considera que a expansão da tecnologia deverá provocar mudanças nas relações humanas e no trabalho. Na leitura e na escrita, ela quer discutir como essas transformações podem interferir na relação das pessoas com os livros.
“Acho que daqui a algum tempo os livros serão o último refúgio para um pensamento realmente livre. Livre da manipulação do algoritmo”, afirma.
Brasil como eixo
O livro mais recente é “Cidade Rachada”, lançado em 2025. A obra é um livro-reportagem sobre o desastre socioambiental provocado pela extração de sal-gema pela Braskem em Maceió, capital de Alagoas.
Também fazem parte de sua trajetória “Nós, sobreviventes do ódio”, reunião de 224 crônicas publicadas na Folha de S.Paulo entre 2020 e 2023, com textos sobre o cenário político brasileiro, e “Tragédia em Mariana”, resultado do trabalho jornalístico sobre o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco, em Minas Gerais, em 2015.
“Todo o meu trabalho, como jornalista e escritora, tem a ver com o Brasil. O Brasil, seus dilemas, suas contradições, suas grandezas e toda a nossa complexidade como sociedade são o que me movem como jornalista e como escritora”, diz.
Para a escritora, escrever sobre o país exige lidar com uma realidade marcada por diferenças e conflitos. “O Brasil é formado por muitos ‘Brasis’, com imensas desigualdades e imerso num cruzamento de conflitos geopolíticos muito complexos”, afirma. “Escrever dá muito trabalho, mas é muito prazeroso também”, acrescenta.
Jamil Chade
O encontro será dividido com Jamil Chade, jornalista paulista que mantém escritório na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra. Ele atuou como correspondente na Europa por mais de duas décadas e, desde 2024, vive em Nova York com a família.
Além da conversa, o último dia terá programação literária e musical. As atividades programadas estão disponíveis nas redes sociais do evento.
Às 11h, por exemplo, estão previstas as contações de histórias “Contos de Iluminação”, com Ester Sá, e “O Reizinho e o Dragão de Duas Cabeças”, de Gil Ganesh. E, às 20h, o grupo Jazz Band apresenta o show “Trilogia e Amazônia”.
SERVIÇO:
A 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes segue até este domingo, 6 de setembro, no Hangar, das 9h às 21h, com entrada gratuita.
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