Mamonas Assassinas: 30 anos após acidente, banda é relembrada e homenageada em Belém
Grupo que marcou os anos 1990 com humor escrachado e rock irreverente inspira o cover paraense Mangas Assassinas
Para muitos brasileiros, a música dos Mamonas Assassinas marcou a infância e a adolescência nos anos 1990. Neste domingo (1º), às vésperas de completar 30 anos do acidente aéreo na Serra da Cantareira, em São Paulo, que vitimou os cinco integrantes no auge da fama, o país relembra o legado do grupo que vendeu cerca de 3 milhões de cópias com um único álbum e se tornou referência de rock irreverente e humor escrachado.
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Mesmo após tantos anos, a influência permanece viva na memória dos fãs e também nos palcos. Em Belém, o Mangas Assassinas, cover paraense da banda, mantém acesa a energia e o espírito debochado que eternizaram Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Sérgio Reoli e Júlio Rasec.
Idealizador pelo comediante João The Rocha, o projeto nasceu há dez anos quase por acaso. Segundo ele, a ideia surgiu após um guitarrista amigo comentar sobre sua semelhança com Dinho. O comentário despertou a curiosidade e o levou a explorar também a imitação vocal, já que o próprio vocalista do Mamonas era conhecido por brincar com diferentes vozes no palco.
“Eu queria levar o meu público para algum tipo de show, mas ainda não sabia fazer comédia stand-up. Foi a forma que encontrei de começar a conhecer meu público”, conta.
O comediante destaca que o tributo não é encarado como um ‘peso’ ou obrigação para os membros. “Eles faziam por diversão e porque eram muito talentosos. A gente também faz muito na zoeira. No nosso show tem piada pesada, tem brincadeira”, comenta. A banda também é formada pelo guitarrista Diddio Mlkn.
João relembra que o pai tinha uma aparelhagem de som em casa e costumava tocar os CDs do grupo com frequência, o que ajudou a moldar sua linguagem artística.
Mangas Assassinas (Arquivo pessoal)
“Eu decorava as letras. Acho que assim a gente vai criando uma forma de humor, um gênero, e acaba tendo mais facilidade depois”, disse, ao destacar que parte do seu estilo irreverente tem, sim, influência do quinteto.
Nostalgia
Para o baixista Luyan Sales, que também atua como técnico de áudio, a relação com os Mamonas vem da infância e do convívio familiar com a música. “Lembro que era comum reunir meus pais aos domingos para acompanhar a trajetória deles nos programas de TV. Minha família já vem do meio da música, então, isso sempre esteve no sangue desde que nasci. A bateria virou minha paixão muito por influência do meu pai, que é percussionista”, relembra.
Ele destaca que o tributo carrega um sentido que vai além da nostalgia. “Temos a oportunidade de mostrar para nova geração, que não viveu o que a gente viveu, o quanto uma banda noventista consegue até hoje ser querida no repertório das apresentações”, afirma.
Novas gerações
O contrabaixista Naoto Shibata também associa o grupo às primeiras memórias musicais. “Eu era bem pequeno, mas lembro o quanto eles arrancavam risadas da gente. A gente queria até se fantasiar igual. Naquela época eu nem imaginava que me tornaria músico, era tudo diversão. Mas eles mostraram que era possível fazer músicas bem trabalhadas, instrumentalmente falando, sem perder o bom humor”, pontua.
Para ele, o diferencial do Mangas está na entrega. “A gente tenta sempre manter a ideia da banda viva. Não é só tocar as músicas, é levar a energia para o palco, como eles faziam. É isso que faz a diferença”, disse.
Naoto também ressalta a recepção do público que acompanha o cover. “É sensacional! Lembro de um show em Paragominas em que pais levaram os filhos só para ver a apresentação. Eles diziam o quanto era nostálgico e que sempre ouviram Mamonas com os filhos, passando para a próxima geração algo que eles mesmos não puderam mais ver ao vivo”, comenta.
Memória que permanece
No teclado, Fábio Paes de Almeida, o DJ Skaner, recorda o impacto da notícia do acidente. “Eu tinha quase 18 anos quando vi pela TV. Aquilo me destruiu por dentro. Eu sabia todas as letras de cabeça. Foi uma tortura ainda maior ouvir ‘Pelados em Santos’ em uma versão lenta acompanhando o cortejo”, relembra.
Para ele, o que permanece é a atitude irreverente que marcou a banda. “A alegria, a irreverência, a ‘sem-vergonhice’, as letras que brincavam com qualquer tema, seja piada ou crítica social. A grande sacada deles era mexer com eles mesmos, sem ofender ninguém. Eles eternizaram uma época que deixou muita saudade. Espero que continuem bem vivos na nossa memória”, disse.
Mamonas em Belém
A relação com o grupo também tem um capítulo especial na capital paraense. No dia 26 de janeiro de 1996, os fãs lotaram o Iate Clube do Pará para um show que reuniu cerca de 3.600 pessoas, entre crianças e adultos.
Na época, a apresentação mobilizou admiradores de todas as idades e gerou grande expectativa. Para marcar a vinda da banda, a Liberal FM sorteou uma Brasília amarela inspirada em “Pelados em Santos”. A promoção recebeu mais de 50 mil cartas, e o carro - originalmente branco, ano 82 - foi reformado e pintado para ficar igual ao do videoclipe.
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