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Inspirada em Saramago, Cia Waldete Brito celebra 28 anos com estreia do espetáculo ‘Mal Branco’

Direcionada pela obra de José Saramago, montagem de dança contemporânea será apresentada a partir desta sexta (19), sempre às 19h. Confira o calendário completo de apresentações

O Liberal

A Cia Experimental de Dança Waldete Brito celebra 28 anos de trajetória artística com a estreia de “Mal Branco”, espetáculo inspirado no célebre romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, do escritor português e Nobel de Literatura José Saramago. Em Belém, a temporada de apresentações começa nesta sexta-feira (19) e vai até a 21 de junho, e segue com novas sessões programadas para os dias 26 e 27 de junho, encerrando o ciclo de exibições entre 3 e 5 de julho no próprio Espaço Experimental de Dança Waldete Brito.

Sob a direção e dramaturgia de Waldete Brito, a montagem traduz a densidade da obra literária em uma experiência cênica potente, movida pela dança contemporânea. No palco, os intérpretes-criadores Luan Silva e Rogério Filho usam o corpo para investigar temas profundos como o medo, a vulnerabilidade, a violência e a desigualdade social, evocando a resistência e a incapacidade humana de enxergar o outro em momentos de crise.

"Mal Branco" simboliza a continuidade de um trabalho artístico desenvolvido há quase três décadas. Fundada em 1998, a Cia Experimental de Dança Waldete Brito consolidou-se como uma das mais importantes referências da dança contemporânea na Amazônia, mantendo uma produção ininterrupta baseada na pesquisa de linguagem, na formação de artistas e na experimentação de diferentes espaços de criação e apresentação.

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Ao longo de sua história, a companhia expandiu as fronteiras dos palcos tradicionais ao levar espetáculos para ruas, escolas públicas, rios e manguezais, estreitando os laços entre arte, cidade e território. O grupo consolidou uma trajetória de destaque na formação artística e na circulação da dança contemporânea, contabilizando apresentações em mais de 14 cidades brasileiras, além de percorrer diversos municípios paraenses.

Entre os projetos permanentes desenvolvidos pela companhia destacam-se o Encontro Contemporâneo de Dança e a Residência Artística em Dança, iniciativas voltadas à formação, intercâmbio e fortalecimento da cena local. Outro marco da atuação do grupo é a transformação de sua própria sala de ensaio em um espaço cênico independente, que há anos recebe espetáculos, artistas e companhias locais, nacionais e internacionais, contribuindo para a democratização do acesso à produção cultural.

Para Waldete Brito, celebrar os 28 anos da companhia representa um gesto de resistência diante dos desafios enfrentados pela produção artística independente. “Celebrar 28 anos de pesquisa cênica, sendo uma companhia de dança independente, é ao mesmo tempo um ato de amor ao ofício artístico e um movimento de resistência. Seguimos produzindo, pesquisando e contribuindo com a formação de artistas que passaram por nossa trajetória e continuam atuando na dança”, afirma.

A escolha da obra de Saramago surgiu a partir do desejo de criar uma coreografia para dois intérpretes masculinos. Embora publicado em 1995, o romance mantém uma forte atualidade ao abordar a cegueira social, a perda da empatia e os mecanismos de exclusão presentes na vida contemporânea. “Já conhecia este romance, o escolhi e iniciamos a pesquisa cênica. Embora seja uma obra escrita em 1995, sua narrativa é atemporal, pois fala da cegueira social que sempre existiu. Continuamos cegos a cada momento que perdemos valores éticos ou quando não nos importamos com o sofrimento alheio. Ao nos tornarmos egoístas, perdemos a empatia.   Esta dramaturgia dançada revela a vulnerabilidade dos corpos em cena”, observa Waldete Brito.

Agende-se

Datas: 19 a 21 de junho; 26 e 27 de junho; e 3 e 5 de julho
Hora: 19h
Local: Espaço Experimental de Dança Waldete Brito ­- R. Domingos Marreiros, 1775 – Umarizal
Ingressos: Sympla