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Fotógrafa paraense Patrícia Brasil vence a primeira edição do Prêmio Badauê

Sob o conceito de "Gingado Brasileiro", premiação destaca trabalho focado nas formas de convivência e habitação em territórios tradicionais

O Liberal

A fotógrafa paraense Patrícia Brasil conquistou o primeiro lugar na edição de estreia do Prêmio Badauê – Gingado Brasileiro, promovido pela Badauê, Plataforma de Inovação Cultural. A premiação foi concedida à obra intitulada "A margem que rema no tempo". O trabalho fotográfico registra corpos em movimento durante uma corrida em direção ao rio, retratando a interação entre as pessoas, a água e a paisagem local.

Segundo a vencedora do prêmio, a participação permitiu consolidar uma linha de trabalho voltada ao registro das formas de habitação e convivência em diferentes territórios, com foco na relação com os elementos naturais. “O gingado está no corpo e na forma como ele se expressa em ritmos. Na imagem premiada, A margem que rema no tempo, o gingado está muito presente no movimento dos corpos, na corrida, na espontaneidade e na força desse gesto coletivo em direção à água”, afirma Patrícia Brasil.

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A fotógrafa destacou a importância da criação de premiações direcionadas à produção cultural nacional, com ênfase no mercado artístico da região amazônica e na descentralização das produções locais. “Valorizar a cultura brasileira é reconhecer que existem muitos Brasis e que nossa maior riqueza está nessa diversidade, nessa mistura e na capacidade que temos de transformar a vida em linguagem, beleza e criação”, afirmou Patrícia Brasil.

A diretora de Criação da Badauê, Natália Lucas, apontou que a obra registra a coexistência entre o ambiente natural e a rotina local, retratando dinâmicas comunitárias como mergulhos, travessias e atividades recreativas. Para a gestora, a imagem documenta aspectos da identidade regional associados à coletividade. “É um registro sensível de uma identidade construída pelo movimento, pela coletividade e pela conexão com suas origens, onde o gingado não é apenas visto, mas vivido”, avaliou Natália.

Na primeira edição, o Prêmio Badauê selecionou dez finalistas, que apresentaram produções em diferentes suportes e técnicas visuais. As obras passam a integrar o Banco Badauê, acervo digital que documenta manifestações regionais por meio da linguagem fotográfica.

De acordo com a diretora de Criação, Natália Lucas, o corpo de jurados do concurso foi composto por profissionais de diferentes especialidades, critério adotado para avaliar o alinhamento das imagens com a temática do edital. Com a conclusão da chamada pública, o projeto consolida um acervo focado na preservação e na difusão do trabalho de fotógrafos de diversas regiões do país.

“Acreditamos que reconhecer artistas é reconhecer quem ajuda a construir a identidade cultural do Brasil. Cada obra amplia nosso repertório, preserva memórias e revela perspectivas que enriquecem a forma como enxergamos o país. Ao valorizar a produção criativa brasileira, fortalecemos não apenas trajetórias individuais, mas também a riqueza cultural do Brasil, sua diversidade e sua capacidade de imaginar novos futuros”, conclui a gestora.

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