Fotografia feita no rio Arauaia leva Barcarena a concurso internacional
Imagem registrada pelo fotógrafo Helder Lana retrata a infância ribeirinha amazônica e emociona público ao mostrar crianças brincando sob a chuva às margens do rio Arauaia, em Barcarena.
O olhar sensível sobre a infância ribeirinha amazônica levou o barcarenense Helder Lana a um concurso internacional de fotografia promovido pela PhotoFUNIBER. A imagem intitulada “Infâncias Ribeirinhas, Futuros Compartilhados” mostra duas crianças paraenses, Maria Eloísa e Geane, brincando sob a chuva às margens do rio Arauaia, em Barcarena.
A fotografia reúne elementos marcantes da realidade amazônica: o rio, o trapiche, o cacau e a simplicidade da infância vivida em contato direto com a natureza. Na cena, Geane, moradora da comunidade ribeirinha Arauaia, divide o momento com Maria Eloísa, influencer e atriz mirim que participa de ações voluntárias ligadas a causas socioambientais.
Segundo Helder, a imagem nasceu de forma espontânea durante uma visita ao espaço da marca Arauaia Cacau de Origem, onde voluntários produziam conteúdos para divulgação do projeto.
“A foto não foi posada, não teve direção, não teve repetição. Ela simplesmente aconteceu. Acho que o grande trunfo dessa imagem é justamente a verdade que ela carrega”, afirmou.
A fotografia permaneceu guardada por um período no computador do fotógrafo até que ele decidiu inscrevê-la no concurso após ler o regulamento da competição, que busca valorizar histórias de impacto social, conexão humana e transformação.
O concurso internacional da PhotoFUNIBER reúne fotógrafos de diversos países e avalia imagens que retratem temas ligados à humanidade, diversidade cultural, sustentabilidade, inclusão e experiências transformadoras. As fotografias selecionadas passam por votação popular e também análise técnica, considerando critérios como narrativa, composição, originalidade e impacto emocional. As votações seguem abertas até o dia 23 de maio.
Para Helder, a fotografia representa muito da identidade amazônica e da infância nortista.
“Quando olho para essa imagem, vejo duas crianças vivendo o presente sem medo, cercadas pela natureza, pelos rios e pela liberdade de ser criança. Acho que muita gente que vê essa foto acaba lembrando da própria infância”, destacou.
O fotógrafo também reforça a importância de mostrar Barcarena e o Pará a partir do olhar de quem vive na região.
“Durante muito tempo, a Amazônia foi retratada pelos olhos de quem não vive nela ou pelos estereótipos. Mostrar Barcarena através da fotografia é mostrar que a cidade vai muito além do contexto industrial. Aqui existem pessoas, histórias, infância, afeto e beleza humana integrados com a natureza”, disse.
A repercussão da fotografia emocionou as famílias das crianças retratadas. Segundo Helder, houve um sentimento coletivo de orgulho ao perceber que uma história simples e verdadeira conseguiu ultrapassar fronteiras.
Mesmo sonhando com a vitória, ele afirma que o principal já aconteceu.
“Essa fotografia conseguiu conectar pessoas e trazer visibilidade para uma família ribeirinha empreendedora. Ela fez gente se emocionar, lembrar da própria infância e perceber a beleza única da vida ribeirinha amazônica”, concluiu.
CRÉDITOS – Helder Lana é formado em Marketing e atua na área de Comunicação Corporativa com foco em audiovisual. Embora não tenha nascido em Barcarena, chegou à cidade aos 4 anos de idade, onde viveu a infância e a adolescência. A relação com a fotografia começou ainda jovem e se fortaleceu em 2008, quando criou, junto com amigos, um site voltado à venda de fotos de eventos locais. Ao longo da trajetória, trabalhou direta e indiretamente com produção de imagens e teve, em 2016, a primeira experiência como fotógrafo documental em um projeto realizado no Marajó para uma grande marca. Atualmente, além da atuação profissional na comunicação, também registra paisagens, comunidades e personagens da Amazônia, utilizando a fotografia como uma forma de conexão com suas origens e com as histórias presentes no cotidiano amazônico.
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