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Dira Paes será homenageada com título de Doutora Honoris Causa pela UFPA

Atriz tem trajetória ligada à valorização cultural, ao audiovisual e a causas sociais

Amanda Martins

Para Dira Paes, ser amazônida é mais do que uma origem - é um compromisso. “É um lugar de orgulho e responsabilidade”, resumiu a atriz em entrevista ao Grupo Liberal, ao refletir sobre sua trajetória. É justamente essa dimensão, que une arte, identidade e atuação social, que fundamenta o título de Doutora Honoris Causa concedido pela Universidade Federal do Pará (UFPA), a mais alta distinção concedida pela instituição.

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Dira vai receber a homenagem em uma cerimônia que acontecerá nesta quinta-feira (7), a partir das 10h, no Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus Guamá, em Belém, com participação aberta ao público e transmissão ao vivo pelo canal da universidade no YouTube.

Reconhecimento institucional

A honraria foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário (Consun), instância máxima deliberativa da UFPA. A indicação partiu do curso de Cinema e Audiovisual da Faculdade de Artes Visuais (FAV), que destacou a relevância da trajetória de Dira não apenas pela projeção nacional, mas também por sua conexão constante com as raízes e as narrativas da região Norte.

Além da carreira artística, a atriz é reconhecida pelo engajamento em temas como direitos humanos, preservação ambiental e defesa de populações tradicionais. Na UFPA, a concessão do título segue um processo institucional que envolve análise técnica e aprovação em instâncias superiores. A outorga também reforça o reconhecimento das artes como campo de produção de conhecimento e impacto social, ampliando o alcance das discussões acadêmicas para além dos espaços formais.

Natural de Abaetetuba, Dira Paes construiu uma trajetória de mais de quatro décadas, com atuação no cinema, na televisão e no teatro. Sua produção artística se destaca pela valorização das identidades amazônicas e pela presença em narrativas que ampliam a visibilidade da região Norte, consolidando-a como um dos principais nomes das artes cênicas no país.

A atriz afirma que sente realizada de utilizar sua visibilidade para causas que considera essenciais, especialmente aquelas ligadas à identidade amazônica. “Eu sinto muito orgulho de poder usar a minha visibilidade para causas nobres, e entre elas tem esse ser amazônico que eu represento na minha própria pele, nos meus próprios traços’, diz. 

Ao mesmo tempo, ela observa que essa identidade também envolve desafios e responsabilidades, destacando a necessidade de preservação da região e de valorização de seus povos e culturas.

Nesse contexto, Dira aponta que sua atuação artística também passa por dar visibilidade à cultura amazônica. “Eu acho que eu contribuo, como Amazônia, dando visibilidade e lançando luz sobre a nossa cultura, que eu tenho tanto orgulho”, afirma.

Audiovisual e projeção cultural

A atriz também destaca a importância do fortalecimento do audiovisual regional como ferramenta de projeção cultural. Para ela, é fundamental que cada estado tenha condições de contar suas próprias histórias. 

“Eu acho fundamental todo estado ter sua identidade audiovisual e a possibilidade de filmar no seu próprio estado, contando uma história que ecoa internacionalmente”, diz. 

Segundo Dira, produções que unem força cultural e impacto social contribuem para ampliar o alcance dessas narrativas. Esse movimento pode ser observado em trabalhos recentes, como o filme “Manas” (2024), dirigido por Marianna Brennand. 

Filmado na Amazônia, o longa percorreu festivais como o Festival do Rio, o Festival de Veneza e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, acumulando mais de 20 prêmios. A história aborda casos de exploração sexual infantil na região do Marajó, trazendo Dira no papel da policial Aretha, personagem inspirada em profissionais que atuam no enfrentamento desse tipo de crime.

A atriz ressalta que trabalhar no Pará tem um significado especial em sua trajetória. “Para mim, é sempre um prazer filmar no meu estado. É sempre um prazer contar as nossas histórias, vivenciar as minhas lembranças e as minhas referências”, afirma. Entre os trabalhos recentes, ela cita o filme “Sedução”, rodado em Alter do Chão, ainda inédito, que deve ser lançado ainda esse ano.

Além da atuação, Dira também ampliou sua atuação no audiovisual ao estrear como roteirista e diretora no longa Pasárgada. Ao mesmo tempo, ela adianta que novos projetos ligados ao Pará estão em desenvolvimento. 

“Eu estou, sim, com alguns projetos para o nosso estado, que estão se desenvolvendo, que eu espero brevemente estar de novo na terrinha, com câmera aberta, para contar mais uma história emocionante e maravilhosa da nossa gente”, conta. 

A trajetória da atriz começou ainda na adolescência, com o filme “A Floresta das Esmeraldas”, em 1985. Desde então, acumulou mais de 40 produções no cinema, com destaque para títulos como “Corisco e Dadá”, “Amarelo Manga”, “Dois Filhos de Francisco”, “Ó Paí Ó”, “Divino Amor e Pureza”, que lhe rendeu o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Atriz em 2023.

Atualmente no ar na novela “Três Graças”, Dira Paes também construiu uma trajetória marcante na televisão brasileira, com participações em diversas produções ao longo dos anos. 

Entre os trabalhos mais conhecidos estão novelas como “Salve Jorge”, “Caminho das Índias”, o remake de “Pantanal” e muito mais.