MENU

BUSCA

Beija-Flor apresenta sinopse e logo do enredo em homenagem a Zeneida Lima

Apresentação oficial do enredo da agremiação de Nilópolis para o Carnaval 2027 se deu na noite desta quarta-feira (27), na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, em meio a muito samba

Eduardo Rocha

Na data em que se celebra o nascimento de Laíla, Luiz Fernando Ribeiro do Carmo (1943-2021), eterno diretor de Carnaval da escola de samba, a Beija-Flor de Nilópolis lançou, na noite desta quarta-feira (27), seu enredo oficial (sinopse e logo) para o Carnaval 2027: “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”, em homenagem à pajé paraense Zeneida Lima, um nome histórico na preservação da cultura e do meio ambiente na Amazônia. A apresentação do enredo contou com a agitação da bateria e dos intérpretes da agremiação carnavalesca na quadra da Beija-Flor, em Nilópolis, no Rio de Janeiro.

O lançamento do projeto contou com a apresentação de um coletivo de grupos de carimbó, que fez o público dançar na quadra da escola. Também foi apresentado o texto da sinopse do enredo de 2027, no qual Zeneida Lima narra a própria história em um diálogo com a Beija-Flor, uma inovação no Carnaval da escola. Em seguida, a logo do enredo de 2027 foi apresentada ao som da voz de Zeneida cantando uma canção.

“Tem coisa que a gente escolhe pra vida, mas tem coisa que a vida escolhe pra gente. Tem coisa que é um encontro agendado pela ancestralidade. E, portanto, moço, tem alguma maneira de fugir daquilo que já está traçado? Não tem”, disse Zeneida Lima na sinopse.

[instagram=DY3Va2pRUF7]

A Beija-Flor volta o olhar para a Região Norte do Brasil, especialmente para a Amazônia, e aposta em uma narrativa centrada na trajetória de Zeneida Lima, reconhecida como a última pajé marajoara e referência cultural do Arquipélago do Marajó, no Pará. A homenageada também se destaca como compositora, escritora, poeta, ambientalista e ativista social, com atuação marcante na preservação dos saberes ancestrais e na defesa do meio ambiente. À frente da Instituição Caruanas do Marajó Cultura e Ecologia (ICMCE), Zeneida desenvolve um trabalho de formação com crianças e adolescentes por meio da educação, da cultura e da consciência ambiental.

O primeiro título da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí se deu em 1998, após um jejum de 15 anos, e daí para frente foram mais nove títulos.

VEJA MAIS

Carimbó toma conta na quadra da Beija-Flor, no lançamento do enredo sobre Zeneida Lima
Público aguarda pela apresentação da sinopse e logo do enredo 2027

Os vínculos entre Zeneida Lima e a Beija-Flor remontam ao livro “O Mundo Místico dos Caruanas da Ilha do Marajó” (1992), de autoria da pajé. A obra inspirou o desfile campeão da escola em 1998, sob a condução de Laíla, e marcou o primeiro encontro entre Zeneida e a agremiação. Agora, quase três décadas depois, a escola muda a perspectiva sobre essa história para contar a trajetória de vida da homenageada. A Beija-Flor foi vice-campeã do Carnaval de 2026 com o enredo “Bembé”.

Reconhecimento

O carnavalesco João Vitor Araújo destacou ao O Liberal que a iniciativa de revisitar essa história “foi graças à energia que Dona Zeneida possui”.

“Ela é um ser de luz, e foi numa visita, às vésperas do desfile da gente em 2026, que Dona Zeneida, com sua sabedoria, energia e sensibilidade, trouxe algumas dicas valiosas para que o nosso desfile desse muito certo. Então, quando a gente fala sobre um sopro de pó de ouro, que tem outros significados fortíssimos, eu posso adiantar que foi por conta dessa dica que ela me deu para que o desfile de 2026 não tivesse nenhum tipo de problema”, pontuou.

João Vitor contou que fez o que a pajé orientou: “Eu soprei o pó de ouro na esquina onde o desfile começa, e deu tudo certo. Então, daí surgiu a ideia de pensar na possibilidade de trazer Dona Zeneida como enredo da escola”.

Ele explica que o enredo de 2027 não é uma reedição do desfile campeão de 1998, mas que esse trabalho serve de referência para o que a Beija-Flor irá mostrar na avenida.

“A gente quer contar a trajetória de Dona Zeneida desde a infância, antes de ela se tornar pajé, todos os caminhos que percorreu, todas as dificuldades que enfrentou e todas as formas de intolerância que uma mulher podia sofrer, principalmente naquela época, até chegar ao trabalho e à atuação dela como ambientalista”.

Araújo ressalta ainda o trabalho de Zeneida com o instituto no Marajó, onde 180 crianças e adolescentes aprendem sobre cultura e ecologia. “É isso que a gente quer mostrar: esse trabalho lindo que Dona Zeneida desenvolve no arquipélago”, afirmou.

João destaca que o enredo evidencia a “força feminina do Pará e do Norte, que vem ganhando cada vez mais espaço no Carnaval”. Ele também afirma ter certeza de que o enredo de 2027 seria aprovado por Laíla. “Esse enredo está sendo feito sob a regência, além da ancestralidade e da Pajelança Marajoara, da Pajelança Cabocla. Eu digo que ele também tem a regência do nosso querido e saudoso mestre Laíla, com certeza”.