Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Pleito municipal 2020: eleitor tende a ser assertivo em suas opiniões e decisões políticas

Rodolfo Marques

Neste domingo (29), acontece o segundo turno das eleições municipais para o cargo de Prefeito, em 18 capitais de estados brasileiros e em outras 39 cidades com mais de 200 mil eleitores, nos casos em que nenhum candidato obteve mais de 50% dos votos válidos para a finalização do pleito ainda no dia 15 de novembro. Dentre as capitais, os pleitos mais equilibrados tendem a ocorrer em três regiões diferentes do país.

No sudeste do Brasil, o atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), tem alguma vantagem sobre Guilherme Boulos (Psol), mas essa diferença de preferências vem diminuindo de acordo com as últimas pesquisas divulgadas. A eleição se acirrou a partir de apoio maciço concedido por lideranças de esquerda a Guilherme Boulos e pela dificuldade de Bruno Covas em lidar com críticas a seu candidato a vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), e a seu “padrinho político”, o governador de São Paulo, João Dória Júnior (PSDB).

No nordeste brasileiro, há uma eleição muito equilibrada entre os primos de segundo grau, João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), no Recife-PE. A disputa na capital pernambucana se acirrou não apenas pelos números muito parelhos nas pesquisas, mas também pela briga de ambos por apoios políticos nacionais e pelas denúncias mútuas entre os adversários, principalmente através das plataformas digitais.

E, no Norte, a capital do Pará, Belém, sedia uma querela entre o deputado federal Edmílson Rodrigues (PSol) e o delegado federal Everaldo Eguchi (Patriota). Os candidatos aparecem tecnicamente empatados nas principais sondagens de intenção de voto. A competição em Belém está muito ligada à imagem pública dos candidatos junto ao seu eleitorado – assim como as bandeiras ideológicas antagônicas que eles defendem, mais à esquerda ou mais à direita. A polarização na capital paraense se consolidou em 2020, ainda como um reflexo do pleito presidencial de 2018.

E o eleitor? Será necessário acompanhar o movimento dos votantes no quesito abstenções, assim como sobre os votos não-válidos (brancos e nulos). Estes indicam, prioritariamente, uma rejeição aos candidatos em questão e mesmo ao processo e/ou ao sistema político-eleitoral do Brasil. Sobre a ausência de comparecimento às urnas, esse movimento pode estar ligado a uma perspectiva multifatorial, como o descrédito pelos políticos e/ou o medo do novo coronavírus. A escolha por um dos candidatos também pode ser a negação de seu opositor, já que o segundo turno traz esse tipo de reflexão e de postura política.

Assim, em uma eleição com mais dúvidas do que certezas, envolta na crise da pandemia de Covid-19, o eleitor continua soberano em suas escolhas e nos “recados” que repassa para os candidatos, partidos e coligações. E que o pleito de 2020 represente uma retomada no fortalecimento das liberdades democráticas e na ampliação da politização da sociedade brasileira e das suas escolhas eleitorais.

Rodolfo Marques
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