Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Pará entra em semana decisiva para o combate à pandemia. Lockdown precisa ser respeitado

Rodolfo Marques

Em mais uma semana que se inicia, Belém e outras nove cidades do Pará vivem o período do isolamento social rígido (lockdown) e o cenário mais crítico da expansão da pandemia Covid-19. Com a ampliação das medidas restritivas, o governo do Estado e a prefeitura da capital buscam evitar o crescimento ainda maior do número de casos e o colapso nos sistemas de saúde e de serviços funerários.

Em relação a prospecções, pesquisa divulgada na segunda quinzena de abril e realizada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) indicam que o pico da Covid-19 no Estado deva ocorrer entre os dias 13 e 15 de maio, com uma projeção de 12 mil infectados em 24 horas – possivelmente, em 14 de maio. E, em caso de não atendimento das medidas de distanciamento social – em especial o lockdown –, o cenário pode se agravar ainda mais. Até esta segunda-feira (11) – e desde o início da pandemia, o Estado registrou 7.563 casos, com 709 óbitos e 4378 pessoas recuperadas. O índice de letalidade está entre 9 e 10%, o que é muito alto, fora o problema geral das subnotificações.

Dentro de suas medidas de combate à pandemia, o estado do Pará fez um investimento para a compra de respiradores para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Os 152 equipamentos chegaram a Belém em 4 de maio, mas apresentaram problemas durante a instalação. O governo conseguiu, junto à Justiça do Pará, o bloqueio de cerca de 25 milhões de reais de ativos da empresa SKN do Brasil, que forneceu os equipamentos que apresentaram problemas. O grande prejuízo desse episódio é o tempo desperdiçado para o uso dos equipamentos corretos. Mas o governo vem agindo certo e de forma ágil para resolver essa questão.

Sobre a capital do Pará, Belém, além de ser a principal cidade e epicentro da pandemia no Estado, ainda há um cenário de muita incerteza em relação ao seu principal evento do calendário religioso – o Círio de Nazaré, celebrado no segundo domingo de outubro, com cerca de duas milhões de pessoas nas ruas. O próprio prefeito da capital, Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), indica que o evento corre riscos em sua realização, pelo menos nos moldes tradicionais e na data prevista. Certamente, ainda haverá uma noção mais clara em relação a esse assunto entre os meses de junho e de julho.

Ressalta-se, pois, que em um cenário de tanta crise, busca-se paciência e confiança na ciência para que haja processos de adequação à normalidade, respeito e, acima de tudo, que se evitem disputas de cunho político e partidário entre os entes federativos. Quando mais houver um pacto entre essas esferas de poder, os esforços tendem a tornar esse processo menos dramático para a população como um todo.

Rodolfo Marques
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