Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Pandemia do coronavírus explode no mundo e deixa o Brasil apreensivo. País precisa de um estadista.

Rodolfo Marques

A pandemia do Coronavírus tem o seu epicentro na Europa, nas últimas semanas, após uma expansão inicial na China e em alguns outros países asiáticos. O cenário que aponta maior gravidade, neste mês de março, é na Itália, em especial no norte do país, na região da Lombardia. O governo italiano demorou a aplicar as medidas restritivas e, pelas características da Covid-19, os números de morte acabaram crescendo de forma exponencial pelo grande número de pessoas idosas e com comorbidades naquele país, além da falta de infraestrutura nos serviços públicos – e mesmo particulares – para enfrentar a demanda que surgiu. 

Outras nações do mundo começaram a se mobilizar para enfrentar a pandemia. Apesar do desdém inicial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resolveu agir, após pressões da população e quando os números passaram a crescer rapidamente em números absolutos no país. Outros países, como a Argentina, decretaram quarentena total por um período e um fechamento progressivo das fronteiras. Reuniões de chefes de Estado vêm ocorrendo através dos recursos tecnológicos para conferências. No Brasil, algumas ações, como a decretação do estado de calamidade pública/emergência, enfim foram encaminhadas e aprovadas e, com isso, o país pode aumentar os gastos públicos para conter a pandemia, até 31 de dezembro. 

Na ausência de uma ação mais efetiva de seu chefe de Estado, o Brasil tem observado medidas importantes do Ministério da Saúde, através do titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, como comunicações diárias e ações preventivas. E, em paralelo, há mobilizações das próprias unidades federativas, através de seus governadores. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde a crise de saúde se alastra com maior velocidade, e no Distrito Federal e no Pará, por exemplo, observam-se várias ações para orientar as populações a evitarem contato social e normas para fechamento de espaços não essenciais que poderiam apresentar aglomerações humanas. 

As medidas adotadas pelo governo federal foram tardias, muito em virtude da maneira como presidente da República, Jair Bolsonaro, tratou a questão. Ele chegou, inclusive, a participar das manifestações de 15 de março, mesmo com a suspeita de ter sido contaminado quando da viagem da comitiva presidencial aos Estados Unidos, nas primeiras semanas do mês. Há uma esperança, mesmo que ínfima, que os danos em termos de mortes e de contaminações não sejam tão desastrosos, embora os fatos indiquem o contrário. Há um prognóstico, do próprio ministro da Saúde, de que a curva da doença só seja “achatada” entre agosto e setembro de 2020.

No ponto-de-vista econômico, o país já enfrentava muitas dificuldades em lidar com os problemas de condução das principais demandas – e mesmo das reformas. Com a expansão da crise gerada pelo Covid-19, a equipe econômica mostra-se atônita e sem quaisquer condições de criar mecanismos para lutar contra os problemas e construir um cenário positivo já para o segundo semestre. 

No âmbito diplomático, o filho “03” do presidente, Eduardo Bolsonaro, “resolveu” postar nas redes sociais conteúdos ofensivos à China e à maneira como este país lidou com a questão do Coronavírus. Mesmo que não integre o governo, as suas falas tiveram repercussão negativa junto à embaixada chinesa no Brasil e geraram mais um motivo de desconforto para a cada vez mais combalida gestão do presidente Jair Bolsonaro. É importante lembrar que a China é o principal parceiro comercial do Brasil. Até mesmo nas mídias e redes sociais, espaço em que o núcleo político do presidente sempre teve muitos apoios, a simpatia ao governo federal vem diminuindo. 

Em crises como estas – com proporções ainda não completamente dimensionadas – os povos precisam de governantes que consigam agir com eficácia e eficiência e que priorize as demandas sociais, as respostas rápidas – chamadas também de responsiveness. Mas o Brasil vê um presidente da República que está muito mais preocupado em atacar a mídia e as instituições e que não consegue se posicionar como um estadista. O país precisa, pois, de um presidente da República para mobilizar esforços contra os contar os cada vez mais presentes efeitos do Coronavírus. 

Rodolfo Marques
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