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RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Ex-governador do Pará, Simão Jatene, desiste de se candidatar nas eleições 2022

Rodolfo Marques

Na última quinta-feira (31.03.2022), o ex-governador do Pará, Simão Jatene, anunciou que não seria candidato nas eleições 2022, com o aproximar do encerramento de alguns importantes prazos. Em primeiro de abril, encerrava-se o prazo para a migração partidária – também conhecida como “janela”. No dia 2 de abril, seis meses antes do pleito, terminava o prazo para a desincompatibilização de quem ocupava cargos públicos e pretendia concorrer nas eleições – o que não era o caso de Jatene –, além de ser a data-limite para que eventuais candidatos e candidatas estivessem com sua filiação deferida pelos partidos políticos correspondentes.

Simão Robison Oliveira Jatene, com 73 anos recém-completados, foi ocupante da cadeira principal do Poder Executivo do Pará por três vezes, após vitórias eleitorais (2003-2006, 2011-2014 e 2015-2018).  Foi o político que mais vezes foi governador do Pará desde a redemocratização, em 1985. Venceu as três eleições majoritárias que disputou. Antes das eleições 2002, já havia ocupado cargos como Secretário de estado nas gestões de Jáder Barbalho (MDB), entre 1983 e 1984, e de Almir Gabriel (então, no PSDB), entre 1995 e 2002, no Ministério da Reforma Agrária, além de ter sido um dos fundados do PSDB, em 1988. Tem uma larga experiência nos meios cultural e acadêmico.

Jatene começou a perder protagonismo político no Pará quando das eleições 2018. O candidato apoiado por Jatene ao governo do estado, o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), Márcio Miranda (então no DEM, hoje União Brasil), foi derrotado por Helder Barbalho (MDB) na disputa, após eleição em dois turnos.

Outro revés importante para Simão Jatene foi a decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em outubro de 2021. A Corte confirmou a inelegibilidade, até 2022, de Simão Jatene, por motivos de abuso do poder econômico e político realizado durante o pleito de 2014, quando o então governador disputava a reeleição. A decisão do TSE, unânime, acompanhou o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará, que condenou Jatene pelo uso do programa governamental “Cheque-Moradia”, em 2014, como sendo uma ação de distribuição de recursos com finalidade eleitoral – os valores usados no período eleitoral triplicaram, segundo análise da Corte

Por fim, é possível apontar a fragilidade do PSDB nos níveis regional e nacional. O PSDB teve um desempenho pífio nas eleições presidenciais 2018 e muitos líderes da agremiação perderam espaço. No Pará, Jatene se afastou do movimento partidário e, no final de 2021, anunciou sua desfiliação do PSDB, não indicando o seu destino. O ex-governador participou de várias conversas e articulações, mas acabou optando em ficar mais à margem do processo eleitoral de 2022.

Seria a aposentadoria de Simão Jatene no âmbito político-eleitoral? É difícil afirmar, embora seja uma possibilidade.

Ao mesmo tempo, com a desistência de Jatene, é possível reforçar que o atual governador do estado, Helder Barbalho, amplia seu favoritismo para se reeleger e seguir mais 4 anos como chefe do Poder Executivo do Pará. 

A seis meses das eleições 2022, há muitas articulações para ocorrer, com alianças, coligações majoritárias e possíveis federações. Mas as “cartas” já postas à  mesa nos permitem indicar tais tendências.

Rodolfo Marques
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