Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições municipais 2022 entram em pauta no país, enquanto covid-19 continua amedrontando as pessoas

Rodolfo Marques

No cenário brasileiro observado no início do segundo semestre de 2020, após quatro meses de crise sistêmica gerada a partir do descontrole da Covid-19, observam-se, ao mesmo tempo, a preocupação com os efeitos da pandemia e o cálculo pragmático para as eleições municipais deste ano.

O Brasil ultrapassou os 2 milhões de casos e se aproxima das 80.000 mortes, mas a maioria dos estados realiza a reabertura das atividades econômicas e sociais e já há um entendimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o país atingiu o seu “platô” – mesmo que os índices apontem a média aproximada de 1.000 mortes diárias. O Brasil precisa exercer mecanismos para controlar a pandemia – algo que não apresentou até o momento. Embora se busque alguma sensação de “normalidade” em várias regiões metropolitanas do Brasil, o temor e insegurança diante da Covid-19 ainda atingem milhões de pessoas, que optam em permanecerem em distanciamento social.

No âmbito político, percebem-se movimentos muito claros do presidente Jair Bolsonaro (sem partido/RJ). Mesmo sem ter viabilizado completamente sua agremiação partidária – a “Aliança pelo Brasil” –, Bolsonaro visualiza nas eleições municipais um momento importante para testar sua popularidade e emplacar o máximo possível de prefeitos que possam apoiá-lo, com vistas ao pleito de 2020, em que vai tentar a reeleição.

Em paralelo a isso, até mesmo para garantir sua sobrevivência política e afastar a possibilidade de impeachment – processo que, no atual contexto, apresenta-se improvável –, Bolsonaro vem cedendo espaço para políticos e partidos do Centrão, com a concessão de cargos, mudanças em lideranças e alianças políticas. O presidente recorre à chamada “velha política”, satanizada por ele, em termos de discurso, no pleito de 2018. O governo federal também busca a ampliação da base social, junto às populações mais carentes. A ampliação do número de parcelas a serem pagas do Auxílio Emergencial e a possibilidade de aprovação do programa “Renda Brasil” compõem essa estratégia dos núcleos político e econômico do governo Bolsonaro.

Por outro lado, os partidos de oposição ao governo – em especial os alinhados ideologicamente à esquerda ou ao chamado campo progressista – continuam desarticulados, tanto para as eleições de 2020, quanto em termos de projeções para 2022. Há uma briga sobre a hegemonia deste bloco de oposições e várias lideranças disputam o espaço que, historicamente, foi ocupado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), através de seu principal líder, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Essa desarticulação fragiliza agremiações partidárias com o próprio PT, o PSOL, o PCdoB, o PDT e o PSB, enquanto partidos do centro e da direita políticas parecem mais organizados – a despeito também de existirem outros níveis de dissensos.

No Pará, enquanto se convive com uma expansão da covid-19 pelo interior do estado e um relativo controle da pandemia na região metropolitana, a corrida eleitoral começa a permear os debates e gera uma rearticulação dos grupos políticos, em especial em municípios mais relevantes, como Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá, Castanhal, Altamira e Itaituba. O desempenho de gestores públicos em relação ao combate à pandemia deverá ser um dos pontos de debate na campanha.

Cabe a nós, cientistas políticos, buscar interpretações dos cenários e avaliar as variáveis postas à mesa dentro dos contextos partidário, eleitoral e social. E o contexto atual aposta uma “convivência” maior com a covid-19, mesmo com os números cada vez piores, ao mesmo tempo que as forças políticas se reorganizam para as eleições municipais e para a formação de blocos de poder. Em política, mais do que o wishful thinking de quaisquer grupos políticos e/ou análises, devem predominar a percepção de realidade e a abordagem crítica.

Rodolfo Marques
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