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RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições 2022: Bolsonaro recupera votos de 'arrependidos' e avança na esfacelada 3ª via

Rodolfo Marques

Os números divulgados na segunda semana de agosto na pesquisa BTG Pactual/FSB, juntamente com outros levantamentos, indicam alguns movimentos importantes no que se refere às intenções de voto no presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

Ao investir na pauta moral/valores conservadores e nos constantes ataques às urnas eletrônicas e às instituições, Bolsonaro conseguiu manter seus 25% de sua base mais fiel – e que está com ele desde 2018. Além disso, ele também viabilizou a recuperação de parte de eleitores que estiveram com ele no último pleito, mas que haviam se arrependido, em virtude de um governo com muitos erros e com ações descontroladas e radicais do presidente. Alguns desses números podem ser observados na lenta, mas consistente recuperação da avaliação da própria gestão federal, com a diminuição nos índices de “ruim” e “péssimo”.

Ainda nesse contexto, há um aumento da presença da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, na campanha à reeleição. Michelle vem emulando, em termos de discurso, a ideia de uma guerra religiosa, do “bem contra o mal”, para reforçar a conexão com alguns grupos – como parcelas significativas de correntes evangélicas –, em detrimento de outros. A presença da primeira-dama no processo eleitoral pode ser importante para que Bolsonaro amplie sua margem de diálogo junto às mulheres.

Outra questão importante nesse cenário pré-eleitoral é o pagamento de benefícios sociais e auxílios entre os meses de agosto e dezembro de 2022. A prática populista tende a trazer impactos positivos para a candidatura de Bolsonaro, apesar das consequências perigosas nos campos fiscal e da conjuntura econômica. Ao mesmo tempo, o candidato à reeleição mimetiza falas públicas com transferência de responsabilidade de problemas para outros atores políticos, como governadores e prefeitos, e para instituições – como o Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse contexto, Bolsonaro pode ter volta outras parcelas de “arrependidos” para o seu grupo de eleitores.

Por fim, o aumento nas intenções de votos em Jair Bolsonaro também pode sinalizar o processo de esfacelamento da “terceira via”, juntamente ao reforço do antipetismo. Na ausência de candidaturas competitivas além das do ex-presidente Lula (PT) e Bolsonaro, parcelas do eleitorado tendem a se movimentar para ambos, abandonando as demais possíveis preferências. O terceiro colocado nas pesquisas, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), por exemplo, continua com índices inferiores a dois dígitos – e, em sua estratégia de comunicação política, vem priorizando fazer ataques ao candidato petista, beneficiando, de certa forma, o movimento bolsonarista.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido até 02 de outubro – apesar de, paradoxalmente, serem poucas semanas de campanha oficial. Os comitês eleitorais de Lula e de Bolsonaro vão jogando suas “cartas” e avaliando sempre o movimento adversário. A melhor calibração dessas estratégias, na conquista dos votos dos indecisos, principalmente, deve definir o vencedor nas já históricas eleições presidenciais em 2022. 

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