Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições 2020: para a prefeitura de Belém, há muitas candidaturas e pouca representatividade

Rodolfo Marques

O quadro eleitoral de Belém, considerando-se o pleito majoritário, apresenta um número grande de candidatos: 11. Alguns rostos já bem conhecidos do eleitor paraense estão presentes, mas alguns fatos chamam a atenção. O primeiro deles é que seis dos candidatos à prefeitura de Belém ocupam cargos eletivos.

São quatro deputados federais (Vavá Martins/Republicanos, Edmilson Rodrigues/PSOL, Cássio Andrade/PSB e José Priante/MDB) e dois deputados estaduais (Thiago Araújo/Cidadania, Gustavo Sefer/PSD). Participam também como candidatos a prefeito o delegado Everaldo Eguchi/Patriota, o ex-senador Mário Couto/PRTB, o pastor evangélico Guilherme Lessa/PTC, o sindicalista Cleber Rabelo/PSTU e José Jerônimo/PMB. Alguns pré-candidatos acabaram fora da disputa, como o deputado federal Eder Mauro (PSD) e o apresentador de rádio e televisão Jeferson Lima (PP).

Alguns ingredientes importantes dessa campanha – e que serão avaliados mais detalhadamente nos próximos artigos – estão ligados ao uso das mídias e das redes sociais pelos candidatos e sobre os apoios de outros ocupantes de cargos públicos.

Sobre as plataformas digitais, terão vantagens os candidatos que conseguiram manter um trabalho mais consistente, ainda mais em período de distanciamento social em virtude da pandemia. Ocupantes de cargos públicos saem na frente neste quesito – mas isso não significa um sucesso na abordagem e na conquista de votos.

Na disputa por votos, os apoios declarados – ou velados – terão seu grau de importância. Cássio Andrade e Edmilson Rodrigues buscam o fortalecimento de parcerias e disputarão a maioria dos votos do espectro ideológico da esquerda. O governador Helder Barbalho/MDB já declarou apoio e deverá atuar diretamente na campanha de seu correligionário José Priante – e o pleito não deixa de ser um teste de popularidade, na capital, para o chefe do executivo estadual. E alguns candidatos mais situados ao centro e à direita, como Vavá Martins e Gustavo Sefer, buscam o apoio do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Thiago Araújo tem o apoio do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho.

Outro ponto que chama atenção – neste caso, negativamente – é a ausência da candidatura de mulheres e de negros para o cargo de prefeito de Belém. Há três candidatas confirmadas, apenas, como pleiteantes à vice-prefeitura – assim como um negro. É uma campanha que mostra, também, a falta de representatividade dos grupos sociais e de várias minorias.

Com a campanha começando, oficialmente, em 27 de setembro, observa-se a tendência de um pleito polarizado em Belém – assim como em várias outras capitais brasileiras – em que ideias e carismas pessoais estarão em evidência para escolha de pouco mais de um milhão de eleitores, no dia 15 de novembro de 2020. Com muitas candidaturas, com tempo reduzido de campanha e com o distanciamento social, é possível destacar um cenário ainda com muitas dúvidas – mas com uma tendência efetiva da necessidade de um segundo turno, no dia 29 de novembro.

Aguardemos os próximos capítulos.

Rodolfo Marques
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