Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público (Poder Judiciário do Pará)

Brasil ganhará após encontro entre Trump e Bolsonaro

Rodolfo Marques

Os encontros diplomáticos realizados entre os dias 18 e 20 de março envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em território norte-americano, geraram muitas controvérsias no que se refere aos benefícios práticos que o povo brasileiro poderá ter a partir do que foi discutido. Há, indiscutivelmente, muito mais proximidade cultural entre o “Trumpismo” e o “Bolsonarismo” – em especial, em relação aos princípios conservadores – do que propriamente entre os dois países.

Desde a campanha eleitoral de 2018, Jair Bolsonaro e seu grupo político demonstraram uma vontade clara de promover um alinhamento político, ideológico e econômico aos Estados Unidos, buscando um fortalecimento de laços – e evitando um movimento de “antiamericanismo”, como o próprio Bolsonaro ressaltou. Ressalte-se que, todavia, desde a redemocratização do Brasil, em 1985, todos os ex-presidentes da República (José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer) sempre mantiveram boas relações com os Estados Unidos, em especial considerando-se as parcerias econômicas no contexto das negociações comerciais bilaterais.

Entre as pautas discutidas, uma das mais polêmicas foi a liberação, sem necessidade de visto, para que turistas americanos possam visitar o Brasil. A priori, o governo norte-americano não apresentou quaisquer tipos de contrapartidas que pudessem beneficiar os turistas brasileiros. Para além disso, houve a proposição de o Brasil se tornar membro pleno da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico-Norte), enquanto força militar, além de um apoio ianque ao pleito do Brasil em entrar na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), com o país abrindo mão de algumas regalias junto à OMC (Organização Mundial do Comércio).

Dentro desse contexto da visita, causou um certo desconforto ao chefe do Itamaraty, o chanceler Ernesto Araújo, a sua perda de protagonismo na missão diplomática em prol da quase onipresença do Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e filho do Presidente da República.

Para além das questões que foram apresentadas, é preciso especular os ganhos reais que o Brasil pode ter a partir do conjunto de reuniões. Aparentemente, em havendo benefícios, apenas determinados grupos sociais como a classe média e os setores mais abastados da sociedade brasileira podem ter vantagens, em especial para quem atua no mercado financeiro e no comércio exterior.

A repercussão político-midiática do encontro foi grande, assim como os comentários favoráveis e desfavoráveis ao que foi debatido também ganharam espaço entre os chamados formadores de opinião. Assim sendo, há mais dúvidas do que certezas sobre os benefícios dessa aproximação do governo brasileiro, no curto prazo, com o governo norte-americano. Resta a nós vermos os próximos passos e avaliarmos as consequências desse encontro.

Rodolfo Marques