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Eleições presidenciais 2026: o favoritismo do PT e os desafios da oposição

Rodolfo Marques

As pesquisas divulgadas nesta semana reforçam um dado político que vem se consolidando nos últimos dois meses: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à segunda metade de 2026 como favorito para conquistar um inédito quarto mandato presidencial. O levantamento Atlas/Bloomberg mostra Lula com 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36,6% de Flávio Bolsonaro (PL), consolidando uma vantagem de quase dez pontos em um cenário marcado pela fragmentação da direita e pela dificuldade da oposição em ampliar sua base eleitoral para além do núcleo bolsonarista .

Mais relevante do que a distância numérica é a estabilidade do desempenho do presidente. Mesmo convivendo com índices elevados de desaprovação e enfrentando desgastes econômicos e políticos naturais de um governo em seu quarto ano, Lula mantém uma posição eleitoral robusta e relativamente resiliente. A pesquisa revela ainda que sua vantagem se distribui de maneira socialmente ampla, especialmente entre mulheres, católicos e eleitores de baixa renda, indicando que o lulismo preserva capacidade de articulação nacional e continua sendo, até aqui, a principal força política organizada do país.
No segundo turno, porém, a eleição permanece aberta e profundamente polarizada. O Atlas registra Lula com 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro, diferença confortável, mas distante de qualquer cenário de hegemonia eleitoral. O dado talvez mais importante seja outro: desde o início do ano, a disputa oscilou dentro da margem de erro em diversas medições, revelando um país dividido praticamente ao meio entre dois projetos políticos que se alimentam mutuamente da rejeição ao adversário. O favoritismo existe, mas convive com uma polarização que continua sendo o principal combustível da política brasileira contemporânea.

A pesquisa BTG/Nexus oferece uma fotografia semelhante, embora mais apertada. No levantamento, Lula aparece com 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro. Ainda assim, o resultado preserva um elemento recorrente de praticamente todas as sondagens realizadas desde o início da pré-campanha: independentemente do instituto ou da metodologia empregada, é Lula quem aparece à frente, ainda que por diferenças variáveis. A convergência entre pesquisas distintas costuma ser um indicador mais importante do que a oscilação pontual dos números.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio parece ir além da matemática eleitoral. A campanha enfrenta turbulências internas no campo bolsonarista, tensões familiares tornadas públicas e dificuldades para construir uma narrativa própria que não dependa exclusivamente do legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Está muito latente o conflito com a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, investigações e desgastes recentes, como as relações financeiras de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, adicionam ruídos a uma candidatura que ainda busca se apresentar como alternativa viável de poder. 

Faltam ainda pouco mais de três meses para o encontro do eleitor com as urnas e a experiência brasileira recomenda cautela diante de qualquer prognóstico definitivo. A campanha real ainda nem começou e variáveis econômicas, crises políticas e acontecimentos inesperados podem alterar trajetórias aparentemente consolidadas. 

Ainda assim, os números disponíveis hoje sugerem uma realidade difícil de ignorar: Lula entra na reta decisiva como favorito ao quarto mandato. A pergunta que fica é se a oposição conseguirá transformar a polarização em crescimento eleitoral ou se o Brasil está prestes a testemunhar a consolidação de mais um período de predominância lulista