Jesus Cristo e o sistema de seu tempo Océlio de Morais 09.09.25 8h55 Venho refletindo sobre a saga de Jesus, marcada pela perseguição, falsas acusações, traição até sua morte pelo sistema de seu tempo. Sua mensagem de paz, de humildade, de igualdade, de fraternidade e de amor – que naturalmente se opôs ao sistema – não foi aceita pelo sistema corrupto de então. Fariseus, Saduceus e Zelotas não se entendiam. Todos queriam, para si, o predomínio do poder religioso e político da Judeia. Das leis, os Fariseus defendiam apenas aquilo que lhes interessava, promovendo desvirtuadas interpretações orais das tradições. A aristocracia política e religiosa dos Saduceus preocupava-se mais com o acúmulo de riquezas materiais. Eram materialistas e, das leis, também retiravam o que convinha à sua legitimação de poder. Os Zelotas, que faziam assaltos e usavam armas para fortalecer o grupo, opunham-se aos Fariseus e aos Saduceus. Mesmo sem poderio, seu objetivo era a luta armada contra o sistema romano. Politeísta – porque baseado em várias divindades greco-romanas – o sistema político de Roma dominava tudo e a todos. Dominava pela força militar, impondo a obediência e o medo, com penas de mortes sumárias. Julgamento, quando havia, já tinha uma sentença condenatória previamente pronta. A execução da pena vinha em seguida. O povo vivia sufocado, sem liberdades e sem qualidade de vida. Escravização no trabalho e subjugado às cobrança de impostos eram os açoites que o cinzel do sistema romano utilizava para amedrontar o povo simples e mantê–lo cativo – (cinzel é um substantivo masculino que significa “lâmina de aço temperado, de que uma das extremidades é talhada em bisel, para trabalhar a madeira, o ferro, a pedra, o mármore”). A esperança do povo era a vinda do Messias, anunciado por vários profetas: Isaías (9:6-7) profetizou que “virá uma criança maravilhosa, o Príncipe da Paz”. Jeremias (22:5 e 33:15) anunciou a vinda do “justo rebento”, com o nome de “Senhor Justiça nossa”. E João Batista (Mateus 3:1-12 e Marcos 1:1-8, e Marcos 1:1-8) – o profeta que prepara “caminho do Senhor” – afirmou que não era “digno de desamarrar a correia das sandálias", referindo-se à sua insignificância perante Jesus Cristo (Marcos,1:5,7-8). E o maior, o mais sábio, o mais honesto e o mais ético humanista de todos os tempos da nossa história, de fato, nasceu da jovem Maria, a filha de Anna e Joaquim, no inexpressivo lugarejo de Belém de Nazaré, tal como havia profetizado Elias (9:6) garante que “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho chamado Emanuel” e também Miquéias (5:2-4) disse que “O Messias viria de Belém, a menor e mais pobre das cidades de Judá”. Mas, o sistema não queria alguém justo e honesto no seu caminho e atrapalhando seus palnos de poder. Por isso, o menino Jesus foi perseguido desde o início: o sistema político tentou eliminá-lo, simplesmente, matá-lo. Herodes, que sentia-se ameaçado em perder o trono, ordenou que matassem todos os meninos com até dois anos em Belém de Judá e nas proximidades” (Mateus 2:16-18). Mas, a bem da verdade, o mal não queria o bem – história que se repete todas as vezes que o sistema se sente minimamente questionado . O sistema reagiu com toda força que lhe é própria: oferece vantagens, chantageia, suborna, corrompe, prende, e até manda eliminar opositores. Assim aconteceu com Jesus de Nazaré: o sistema subornou um de seus discípulos por trinta moedas de prata. Precisamente p Judas Iscariotes, que com Jesus sempre esteve, como se fosse um infiltrado para conhecer seus costumes e delimitar seus passos: Os líderes religiosos daquela época queriam matar Jesus, porque Ele era nato, muito popular e desafiava o poder deles, conforme o relato de Mateus 26:14-16. O sistema religioso, então, imputou-lhe fatos falsos, como a trama de que Jesus queria usurpar o trono de César, conforme relatado no Evangelho de João (19:12-15). Por outras palavras, disseminaram que Jesus Cristo queria destruir o sistema político romano pela força e por se fazer passar por Rei. E, por sua vez, o sistema político fez aquele joguinho de uma verdadeira farsa do julgamento: Preso depois da última Ceia, na quinta-feira, Pôncio Pilatos mandou Jesus para Herodes Antipas – aquele mesmo que ordenou a decapitação de João Batista – e Herodes o devolveu a Pilatos. O resultado, toda humanidade sabe, especialmente os cristãos: Jesus é trocado por Barrabás. (Mateus, 27:15-35). O sistema preteriu o justo e o honesto e deu liberdade ao assassino e ladrão. O sistema estava com sangue nos olhos: depois da sessão de torturas – privação de sono, de água, de alimento, imposição de açoites, coroa de espinhos, caminhada com a pesada cruz até´o Monte Gólgota – o Jesus é crucificado entre dois ladrões. O sistema deu o seguinte recado. Quem se opõe a mim, terá o mesmo destino: será torturado física e psicologicamente na prisão e, crucificado, morrerá aos poucos até que a última gota de sangue esvazie suas veias, o coração pare de bater e o cérebro deixe de funcionar por extrema e brutal exaustão física e psicológica. Mas, Filho do Homem, o Divino, deixou – na última Ceia e antes da traição de Judas – a certeza da esperança para que os discípulos e o povo vencessem o medo: – “Deixo a paz a vocês. A minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá.”(João 14:27). A promessa de esperança na última Ceia, naquela quinta-feira daquele ano 33 d.C., ao mesmo tempo em que prenunciava a sua morte no dia seguinte (secta-feira), o “Filho do Homem” estava plenamente consciente de que seu tempo de vida na Terra estava próximo do fim e que logo voltaria à casa do Pai. Daniel, no Antigo Testamento (7:13-14) e Mateus, no Novo Testamento (8:20), relatam que Jesus era o Filho do Homem. E percebendo a desesperança, a tristeza e a angústia nos olhares dos discípulos, o Divino-Filho – com a sua extraordinária e magnífica aura espiritual – também consolou os discípulos:“ Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo”. (João 14:27). O medo atemoriza e, muitas vezes, alimenta a covardia nas pessoas. Mas a esperança é maior do que o medo, pois a paz que Jesus garantiu não é ilusória nem passageira – “Não a dou como o mundo a dá”. (João 14:27) – mas é a paz espiritual, aquela inerente à esperança eterna como recompensa aos justos e aos honestos: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos" (Mateus, 5;4). A paz na esperança, para aqueles que têm sede e fome de justiça, não reside no poder, pois ela é uma espécie de dom espiritual donde advém a fé e a coragem para vencer o medo, crendo que são “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus” (Mateus, 5;8). ATENÇÃO: Em observância à Lei 9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram: oceliojcmoraisescritor Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞 Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱 Palavras-chave colunas océlio de morais COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA Océlio de Morais . Desculpe pela interrupção. 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