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O.J.C. MORAIS

OCÉLIO DE JESÚS C. MORAIS

PhD em Direitos Humanos e Democracia pelo IGC da Faculdade de Direito Coimbra; Doutor em Direito Social (PUC/SP) e Mestre em Direito Constitucional (UFPA); Idealizador-fundador e 1º presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (Cad. 01); Acadêmico perpétuo da Academia Paraense de Letras (Cad. 08), da Academia Paraense de Letras Jurídicas (Cad. 18) e da Academia Paranaense de Jornalismo (Cad. 29) e escritor amazônida. Contato com o escritor pelo Instagram: @oceliojcmorais.escritor

Anjos do bem e anjos do mal: eles estão por toda parte

Ocelio de Morais

Por toda a minha existência, direta ou indiretamente, muita gente me ajudou — e ainda ajuda — a subir muitos degraus, colaborando para a formação de meus valores e de meu caráter. Pessoas que se dedicam a ajudar outras são guiadas pela boa espiritualidade.

Esses anjos do bem — o meu é Ierathel, que integra a legião das Dominações e auxilia nas emergências e na resolução de conflitos humanos — são mensageiros de Deus. ,

Assim, não estamos sozinhos. E nada conquistamos sozinhos.

Mas, por toda essa mesma existência, também percebi — e ainda percebo — que há quem, às escuras, procure me prejudicar. Isso não é privilégio meu: acontece com todo mundo. A vida é uma luta constante entre pessoas boas e pessoas más.

Essa luta visível aos nossos olhos é a confirmação de uma verdade maior: existe também uma permanente batalha entre as forças espirituais do bem e as forças espirituais do mal. 

Observem isso com calma no cotidiano, no seu e no das pessoas mais próximas. Os sinais são claros: há quem nos brinde com preces e orações, como blindagem contra os malévolos — aqueles que se aperfeiçoam na maldade e atiram flechas venenosas para minar a vida de quem consideram inimigo.

Pessoas malévolas são dominadas por espíritos maus, cuja tarefa neste plano terreno é neutralizar a evolução espiritual de quem atravessa seus caminhos e se opõe a seus projetos perversos. 

Trancam a mente e o coração ao bem, direcionando ao mal tanto o desejo — a parte irracional do ser, para usar a distinção de Kant — quanto a vontade, que é o resultado da escolha racional. São movidas por desejos nocivos incontroláveis e por vontades inconfessáveis, povoadas de usura, luxúria, avareza, soberba, egoísmo, inveja, ingratidão, vingança e ira.

Pessoas boas, ao contrário, não desejam nem praticam o mal a ninguém. Com honestidade de alma, dedicam-se ao bem incondicional, sem olhar a quem. Seus pensamentos são povoados de caridade, bondade, compaixão, perdão e gratidão — mente e coração abertos às virtudes, como força necessária para dominar as desvirtudes.

É desse embate entre desejo e vontade que nasce a tese central desta reflexão: a vida é física e metafísica, pois a existência material é apenas uma parte do plano da espiritualidade.

Os desejos habitam o pensamento: são o imaginário que envia estímulos ao corpo, o repositório abstrato de tudo aquilo que cobiçamos ou recusamos. As vontades, por sua vez, são as escolhas conscientes que realizam — ou não — esses desejos. A vontade é racional: decidir agir é dar corpo, no mundo, àquilo que nasceu apenas como ideia. 

O desejo pode permanecer trancado na gaveta do imaginável, realizável ou não; só a vontade o liberta do mundo das ideias e o converte em ato.

Ao longo da vida, moldados pelo livre-arbítrio, incorporamos desejos e vontades marcados por virtudes e desvirtudes — uma percepção que só se aprofunda com a experiência. E essa disposição para o bem ou para o mal não é apenas uma condição do corpo: é, sobretudo, uma condição espiritual de cada indivíduo.

Céticos e ateus contemporâneos diriam que a vida se resume à terra — como já sustentaram os filósofos materialistas (Marx, Feuerbach, Darwin, Freud), os "cavaleiros do ateísmo", na expressão do filósofo chileno Gómez, em O Deus da Filosofia — Deus existe?.

A essa visão, proponho três perguntas que me parecem centrais:

Por que, na terra, alguém nos desejaria tanto mal se nunca lhe fizemos mal algum?

Por que alguém nos inflige violências físicas, psicológicas, emocionais ou morais, se nunca lhe infligimos nada?

Por que pessoas que jamais vimos ou conhecemos nos ajudam com preces e orações?

Não há lógica nem evidência científica capaz de explicar essas manifestações — boas ou más — como fenômenos exclusivamente físicos entre pessoas que nunca se conheceram e que, portanto, nunca desejaram reciprocamente bem ou mal uma à outra. 

A resposta está na compreensão da espiritualidade: bons e maus espíritos em luta permanente.

A escritora Mônica Buonfiglio, estudiosa da Angeologia — doutrina teológica que estuda os anjos —, ilustra bem esse diálogo entre o mundo metafísico e o físico. 

Em A Magia dos Anjos Cabalísticos (2022, p. 68), ela descreve como o impulso repentino de telefonar a um amigo, nos momentos de dúvida ou dificuldade, seria obra da comunicação entre anjos guardiões — a origem espiritual daquilo que chamamos de coincidência.

Também recorro a Epicuro, na Carta sobre a Felicidade, dirigida a Meneceu — filósofo que, apesar de acusado de bruxaria na infância, distinguiu com clareza a morte do corpo da imortalidade. 

Epicuro ensina que a morte nada representa para nós, pois todo bem e todo mal residem na sensação, e a morte é justamente sua ausência; e recomenda pensar a divindade apenas em termos compatíveis com sua imortalidade e bem-aventurança. 

Ainda que ao falar de imortalidade se refira aos deuses, Epicuro deixa clara a oposição entre o bem e o mal que regem a vida — e expressa uma crença que se aproxima da espiritualidade e da visão teosófica da natureza divina.

Encerro com Jesus — o maior dos filósofos e o maior dos profetas, na perspectiva humana; e o próprio Deus-filho, na perspectiva da dupla natureza, humana e divina, que ele prometeu estender a qualquer um, desde que as ações na terra sejam suficientemente boas para nos ligar aos Céus: 

"Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus" (Mateus 18:19).

O maior exemplo dessa promessa cumprida foi o acolhimento a Dimas, o ladrão arrependido, que rogou: "Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino". E Jesus respondeu: "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lucas 23:42-43).

Ainda restaria alguma dúvida de que o bem e o mal — por mais presentes que estejam em nosso cotidiano — pertencem também ao mundo da espiritualidade, esse território que só se acessa pela fé, ou que se recusa pela força do ceticismo e do ateísmo?

Estou convencido, pela própria experiência, de que a vida também é espiritual — pois a vida física é apenas uma parte do plano maior da espiritualidade.

 
MORAIS, OJC.
PhD em Democracia e Direitos Humanos (IGC/CDH, instituto associado à Universidade de Coimbra e à FDUC através de protocolos de cooperação institucional.).Doutor em Direito (com ênfase ao princípio da proteção social)  pela  puc/sp; Mestre em Direito pela UFPA, e Acadêmico Perpétuo da APL, da APLJ, da APJ e da ABDSS. Escritor brasileiro.

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Océlio de Morais
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