Faz algum sentido perdoar quem nos faz tanto mal?
Pense comigo: se você tivesse sido submetido às torturas físicas e psicológicas que Jesus passou , incluindo a crucificação, seria capaz de perdoar os seus algozes como um dos últimos gestos de bondade de sua vida? Reflita e se projete naquela cruz, debaixo do sol escaldante daquela sexta-feira sombria do ano 33 d.C. E o que lhe diz a voz da sua consciência?
Jesus Cristo – queira ou não ainda hoje tal como muitos naquele tempo o rejeitaram – mudou a história da humanidade com o maior e mais extraordinário gesto de amor universal: o perdão sem paralelo aos seus algozes.
Observe a cena da crucificação de Jesus. A cena revela um gesto de amor que transcende o tempo e o espaço: na agonia da cruz, Ele ergue a voz e faz a súplica que calou fundo seus algozes: “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”, conforme relatado pelo evangelista Lucas (23:34).
Rigorosamente, a súplica não é apenas um clamor; é a expressão máxima de caridade, um convite à fraternidade universal, capaz de transformar até os corações mais endurecidos. Naquele momento, quem entendeu aquela súplica? O “bom” ladrão, que soube pedir perdão pelos seus crimes e um centurião romano que estava vigiando a crucificação de Jesus: "Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus" (Marcos, 15:39).
Perdoar, naquela circunstância agonizante, não foi mero ato de complacência. Mas pode dizer que foi a arte sublime da simplicidade e do amor, que demonstra que a verdadeira grandeza não se mede pela ira, pela vingança, pela arrogância, pela prepotência, nem pela força do poder ; mas, pela capacidade de compreender e acolher o erro do semelhante, tal como desejamos que nos perdoem quando erramos.
Jesus, ao perdoar, ensina que a misericórdia é força, e não fraqueza. Deixa a lição de que o valor amor é a maior nobreza que o ser humano pode adotar como propósito de vida, sem as narrativas que apenas geram aparências.
O perdão universal legado na cruz, por Jesus, revela que o perdão divino manifesta-se como ponte entre a humanidade e Deus: a fraternidade não é uma convenção social, mas uma lei espiritual. É uma condição especial para a evolução do espírito e para a serenidade da alma. Por isso, cada indivíduo, por mais imperfeito que seja, torna-se destinatário de uma graça que ultrapassa ofensas, erros e violência.
Observemos bem isso, para nunca mais esquecermos: ao dizer “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”, Jesus reconhece a ignorância humana como um obstáculo à bondade.
Contudo, a súplica pelo perdão não nega as fissuras éticas ou as fraquezas espirituais , mas é um claro convite à sincera tomada de consciência para começarmos a aprender, a crescer e a participar de uma fraternidade honesta que não conhece fronteiras. É como se – ainda crianças – estivéssemos aprendendo a andar. O perdão fraternal está nessa mesma perspectiva: exige aprendizado e resiliência constantes.
O perdão da crucificação – com toda expressão da dor física, mas, por outro lado, da sublimação espiritual de Jesus – também pode ser entendido como retrato da sua própria essência: a caridade como uma arte da simplicidade. Não se trata de justificativa ou sofisma teológico, mas de um amor direto, puro, que se manifesta mesmo diante da dor extrema.
Na teologia cristã, esse ato de perdão não possui paralelo universal. Por isso, sempre será um paradigma da mais elevada importância para a humanidade. Ele ensina que o amor deve superar a ira, ou raiva, o ódio, a vingança.
Por outras palavras: Jesus ensina que misericórdia deve sempre preceder o julgamento. Então, nessa perspectiva, posso afirmar: a cruz, não é apenas instrumento de sofrimento, mas é um altar da mais profunda pedagogia espiritual.
A simplicidade de Jesus, ali, é inseparável de Sua grandeza humana e espiritual. Logo, considero que posso dizer: se Ele conseguiu, pelo menos, nós – falíveis mas perfectíveis – podemos tentar. Veja-se que Jesus não complicou o amor, nem o reduziu às narrativas para impressionar ou para obter aprovação ou aplauso. Ao contrário, o seu clamor na cruz lembra que perdoar é viver os desígnios de Deus, curando feridas, restaurando relações e revelando o sentido mais profundo da vida humana.
Então, permaneça pensando comigo: em que medida aquela súplica especial de Jesus nos diz alguma coisa ou afeta nossas vidas? Ora, a lição do perdão universal permanece atual; E por quê? Porque, naquela perspectiva, o perdão é chave que abre a porta da paz interior, a síntese para a verdadeira fraternidade universal.
Naquelas palavras serenas – quase finais na cruz – está resumida a essência da vida humana: misericórdia, humildade, simplicidade, amor e a busca incessante pela reconciliação de todos os semelhantes. O perdão como chave que abre a porta da paz interior rejeita todas as formas de arrogâncias e prepotências humanas.
Em tempo: as últimas sete célebres palavras (frases) de Jesus na cruz foram as seguintes:
- “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”, (Lucas (23:34).
- “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” , (Lucas, 23:42).
- “Mulher, eis aí o teu filho” , (João, 19?26-29).
- “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”, (Mateus, 27:46).
- “Tenho sede”, (João, 19:28).
- “Está consumado”, (João, 19:30).
- “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” , (Lucas, 28:46).
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