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A filosofia da alegria e da renovação

Océlio de Morais

Adota-se a seguinte tese para este breve ensaio filosófico-teológico:  o poder da Boa Nova, Jesus,  é  específica  filosofia da alegria à existência, que é o sentido finalístico espiritual da imortalidade àqueles que têm fé em Deus. A filosofia da alegria é a própria estrutura construtiva do poder Divino da Boa Nova.

E como hipóteses, definem as duas a seguir:

Se a filosofia da alegria liberta da ignorância, porque aquela é o próprio Jesus, pode-se afirmar que essa filosofia não é meramente  emocional, mas, verdadeiramente um princípio teleológico essencial para a felicidade humana – possível de se alcançar  pela fé em Deus, a fonte perene da plena realização espiritual.

Se Jesus é a própria Boa Nova (a nova filosofia da alegria ou da felicidade), é coerente afirmar que a fé é a questão central  (ou conexão ontológica) entre a vida corpórea e a imortalidade espiritual.

Em quantas e tantas vezes já expressamos o seguinte pensamento: minha filosofia é a felicidade! Pode-se dizer que, por certa medida, está alinhada aos alinhada com os princípios do estoicismo consciente – sabedoria (prudência), justiça (ser justo),  coragem (fortaleza) e temperança (autocontrole) –  porque são princípios  inerentes à  excelência moral e à tranquilidade de Alma. Portanto, à falta de vivência concreta desses princípios sem sentido (inócua e vazia) seria  a frase a  “minha filosofia é a felicidade!

Faz-se a referência aos princípios do estoicismo para também lembrar que esses princípios foram muito presentes  no pensamento e na vida dos filósofos Sócrates e Platão e, por grande medida, no pensamento filosófico e teológico de Jesus, embora a filosofia de Jesus seja transcendente à vida terrena, eis que se apresenta atemporalmente como ascese à vida espiritual eterna.  Vamos ver algumas dessas perspectivas diferentes . 

“Sócrates e Platão acreditavam na imortalidade para pelo menos alguns seres humanos, mas a ressurreição corpórea não tinha lugar nessa crença”,  escreveu Paul K. Moser na introdução do livro “Jesus e a Filosofia” , ao ressalvar que, na concepção dos dois filósofos gregos,  “a redenção corpórea não deve ser confundida com a ressurreição de um morto ou com a imortalidade”, (210, p. 15).

Contrariamente,  em relação à concepção socrática e platônica,  a mensagem filosófica e teológica de Jesus modifica o pensamento exclusivista de que  a imortalidade alcança apenas alguns seres humanos. Com o nascimento de Jesus, desde as profecias – onde é indicado como o Messias e o salvador, até a sua morte e ressurreição – o sentido da vida plena modificou: a crença sobre a vida deixa de ser meramente física (ou corpórea) e ganha a dimensão espiritual.

 E isso acontece por toda a concepção do projeto salvífico na pessoa de Jesus Cristo, que incluiu aquilo que a filosofia e a teologia da religião cristã denominam de “morte obediente de Jesus” para a redenção dos pecados da humanidade  e para a necessária reconciliação entre o Ser humano e Deus, o Criador. 

É o que Paulo K. Moser explica como sendo a filosofia do “poder da Boa Nova”, apregoada por Jesus e por Paulo de Tarso; “(...) à luz da teologia das profecias hebraicas antigas (...) promoveram um movimento do poder da Boa Nova, que ofereceu às pessoas o poder da redenção espiritual, moral e até corpórea de Deus” (...) e a ressurreição completa incluía, assim, a encarnação”, (2010, p.  11-12). 

Observemos que, na filosofia de Jesus – e  muito mais do que o seu pensamento filosófico e teológico – o sentido da sua vida é extra-humano, não obstante a sua breve experiência humana. 

A sua filosofia para a vida  – vamos entendê-la aqui como a ressignificação daquilo que era para aquilo que promete ser sublime,  nobre e extraordinário na espiritualidade com Deus –  é baseada  na Boa Nova, assim  anunciada pelo evangelistas Lucas e Marcos: 

No relato de Lucas (2:10-11):  "O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Jesus é a própria Boa Nova, aquele que vai além do paradigma do sentido da vida   judaico anterior (santificar a vida individual e coletiva), honrando-se a aliança como povo escolhido, mas com foco na vida terrena.  Como “Boa Nova”, Jesus é a promessa “alegria” (..) para todo o povo”, ou seja, é a felicidade transcendente como Messias libertador do povo das escravidões.

E por Lucas (4:18-19): “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração; para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor”.

A filosofia da alegria baseia-se na eliminação ou na cura dos “contritos de coração” – ontologicamente inerente aos cegos e pobres espiritualmente – o que significa a libertação das escravidões terrenas e na consequente restauração da vista, a filosofia da imortalidade espiritual.

 E conforme Marcos, 1:15: “Enfim chegou o tempo prometido!', proclamava. 'O reino de Deus está próximo! Arrependam-se e creiam nas boas-novas!'

A verdade filosofia nunca é única e inquestionável, nessa perspectiva espiritualista: o Reino de Deus é específico aos que acreditam (têm fé) em Jesus como Boa Nova; portanto, é disponível àqueles que aceitaram o desafio do novo sentido de vida, através do arrependimento (a conversão) da mentalidade aprisionada (ou cegueira e pobreza anteriores) para abraçar a vida nova (a filosofia da alegria, que é o poder espiritual da Boa Nova, o Messias =  o Salvador  = Jesus).

Concretamente, esse caráter sublime, nobre e extraordinário na espiritualidade com Deus – Jesus é o caminho, a porta, a porta dessa conexão – na prática da vida cotidiana aponta para a natureza   ético-moral nas relações humanas, para o poder espiritual da redenção espiritual, para a reconciliação e à comunhão dos homens com Deus, conforme relatado por Marcos (8:31-32).

A filosofia central desta mensagem de Jesus permite concluir assim esse breve ensaio filosófico-teológico: o Reino de Deus é a Boa Nova, o próprio Jesus, o Salvador, que é a excelsa notícia prometida e esperada: aquele que veio para sarar os contritos de coração; libertar os cegos e pobres dos vícios e pecados escravizantes, e para ressignificar a vida terrena com alegria, transcendendo-a pela promessa (espiritual) de vida eterna. Então, a vida nova ou vida eterna é o sentido da imortalidade espiritual. 

É essa filosofia da renovação transformadora espiritualmente que vai além dos princípios do estoicismo, embora deles não prescinda, porque a conversão transformadora exige sabedoria para viver concretamente na prática da justiça com atributos da coragem e da temperança. 

 

ATENÇÃO: Em observância à Lei  9.610/98, todas as crônicas, artigos e ensaios desta coluna podem ser utilizados para fins estritamente acadêmicos, desde que citado o autor, na seguinte forma: MORAIS, O.J.C.; Instagram