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JAMILLE SARATY

Por Jamille Saraty

É advogada, mestre em Direito Civil pela Universidade de Coimbra, pós-graduada em proteção de menores pelo Centro de Família da Universidade de Coimbra, membro da diretoria do IBDFAM-PA, professora de graduação e pós-graduação em Direito. | jsaratyadv@gmail.com

Mães que trabalham

Jamille Saraty

Comecei a assistir a série canadense que aborda o universo feminino, cujo nome é Workin moms (mães que trabalham, em tradução livre). A trama com 6 temporadas é idealizada pela atriz  principal da série, Katie Foster (Catherine Reitman), uma mãe de dois filhos, workaholic, que se separa e no mesmo dia engravida da segunda filha, após descobrir que seu marido estava tendo um caso com a babá dos filhos da sua melhor amiga, Anne.

A série envolve um grupo de mães em diferentes fases e situações de vida, demonstrando que, ao fim e ao cabo, no final, seja rica ou seja pobre, seja branca ou preta, com marido presente ou separado, a responsabilidade sobra sempre para elas, as mães.

Curiosamente, rolando o feed do meu instagram (aliás, me sigam @jamillesaratyadvs), me deparei com a seguinte frase: “um homem com filhos, para trabalhar, precisa apenas de um trabalho, já uma mulher, precisa encontrar um trabalho e alguém de confiança que possa cuidar de seu filho". Eu incluiria mais: ela precisa encontrar um trabalho que consiga sustentar sua família e pagar a pessoa de confiança que vai cuidar do seu filho enquanto ela se dedica a outras pessoas.

Mais curiosamente ainda, na mesma semana, reuni com uma cliente cuja audiência de instrução será no próximo mês. Trata-se de ação de revisão de alimentos, em que o filho já recebe um valor determinado por sentença, mas diante de suas necessidades aumentadas em relação à educação e saúde, precisou lançar mão da justiça para conseguir um aumento na pensão, já que o pai nunca se fez presente, e faz questão de se manter longe. Em pedido de urgência, a magistrada (uma mulher, pasme!) negou o aumento, sob a justificativa de que como ele tinha colégio e plano de saúde pago, a criança não estava em perigo. O ponto aqui é que faz parte da estratégia mostrar o óbvio, cuidar de um filho sozinha custa muito, muito mais do que uma mensalidade escolar e um plano de saúde.

Três histórias, países e estados diferentes. A mesma narrativa. Mulheres que decidem enfrentar a sociedade machista, sofrem. E têm que aguentar sozinhas. Ninguém está por elas, as vezes, nem as próprias mulheres.

O fato é que parece clichê, já que virou “modinha” gritar pelos direitos femininos, mas como eu já disse aqui, o óbvio além de ser dito, precisa ser sentido. A mulher que também tem a necessidade de demonstrar a todo tempo que está super bem, pois precisa reafirmar a sua força de trabalho, é punida, quando não consegue completar um trabalho e ainda sustentar seu filho sozinha. “Aproveitadora, preguiçosa, golpista!” gritam quando ela chama o homem à responsabilidade.

Cuidar, em tempo integral, é muito mais estressante do que passar 8h em um escritório onde você pode determinar que não quer ser interrompido, pois precisa terminar um relatório. Criar uma criança depende muito mais do que colégio e plano de saúde.

A mulher não quer deixar de cuidar, mas ela quer ser produtiva e realizar seus projetos pessoais. Por isso, Cobrar menos, participar mais, é a nova moda entre os casados e o divorciados com filhos

Jamille Saraty
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