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Crescida em vila ou em Grupo de Zap?

Mayara Domont

Quem diria que as vizinhas deixariam de usar suas cadeiras espreguiçadeiras na porta de casa, puxariam aquele assunto no final da tarde acompanhado de um cafezinho, uma bolachinha com toda aquela expectativa pra ver a vizinha que comprou um carro novo, o vizinho que chegou cedo em casa ou quem sabe até biscoitar o rapaz que aparece toda semana com uma namorada diferente.

Ahhh! Pra quem mora em vila ou naqueles prédios mais tradicionais já é mais raro ver alguém debruçado como uma namoradeira na janela. O hábito da fofoca de janela ou de porta era bem mais presente quando a gente busca os tempos da década de 80, 90 até os anos 2000, onde ainda se podia ficar na porta de casa e o tipo de comunicação, muitas vezes presumida, inventada acrescida de criatividade, tudo em torno da fofoca.

Depois surge o famoso WhatsApp, que traz a realidade dos grupos e, até quem já estava nos casa dos 60 aderiu a esse grande projeto de comunicação.

Os grupos formados normalmente tinham a ver com algum interesse em comum. Lembro que o meu avô quando jogava dominó tinha o seu grupo fiel e não era só um jogo, tampouco uma mera distração, mas o prazer de conversar, de colocar a conversa em dia, de fofocar.

 As senhoras que se juntavam pra costurar ou pra bordar naquele chá da tarde, o famoso chá das cinco pra conversar sobre qualquer coisa apenas pra ter um propósito e uma motivo pra se encontrar.

 Hoje o nosso encontro é um pouco mais virtual. De alguma forma parece seguro, mas nem sempre hein?! Cada um que entra no grupo se não aderir às regras pode acabar sendo banido e o mais engraçado é que nos grupos presenciais não era tão simples “sair do grupo” as pessoas eram reais e se mostravam como eram.

Hoje nos grupos do WhatsApp a pessoa pode dizer que está em um lugar, mas está em outro, ela pode dizer que está bem, mas a realidade é outra.

Tudo até parece muito seguro; mas basta uma palavra equivocada ou até uma frase em caixa alta que se tona mais perigoso que sentar na porta pra papear às 10 da noite.

Ainda há os perfis inusitados: o que se irrita e sai com rapidez do grupo, o que nunca está on-line, o que não fala e até mesmo aquele que entra no grupo e nem sabe o porquê de estar lá.

A comunicação mudou muito! Hoje podemos baixar um áudio ou não, acelerar a fala ou até mesmo só mandar um emoji de resposta. Tente fugir de um assunto no presencial?! Tenso. No digital é só desligar os dados! Pode ter certeza que logo aparecerá a palavra “saiu do grupo”.

Éramos bem fiéis aos grupos formados, já que hoje é uma infinidade! O smartphone só falta explodir! Entramos em grupos com assuntos que dominamos ou com temas que nem conhecemos muitas vezes. Até caímos de para quedas em alguns! Imagina você está na sua casa e de repente alguém te pega pelo braço e te leva pra dentro de um grupo de conversa em que você não conhece ninguém! É mais ou menos isso.

No digital acontece muito! Há também no Whatsapp algo chamado de comunidade, no digital é algo similar a uma comunidade que nós temos na vida real onde pessoas tem interesses comuns e ficam atualizadas sobre assuntos gerais.

A líder do grupo agora tem título de administradora. Lembra bem aquela senhorinha que liga pra todo mundo pra reunir para o terço, cafezinho ou pro chá e o mais bacana de tudo isso é não perder o contato, os laços.

Eu adoro criar grupos pra atrair pessoas que eu não vejo há muitos anos, amigos de escola, de trabalho, mas somente os que se entendem, imagina só colocar desafetos no mesmo grupo?! Seria uma grande confusão.

Desde que o mundo é mundo vivemos em bando então, agrupe-se, entre em comunidades. Faça como a namoradeira da janela ou a senhorinha que sentava na porta, de vez em quando fique observando, converse olho no olho, organize os grupos virtuais na vida real na sua casa, chame os amigos…Socializar faz um bem danado!