Um grande ator chamado Robert Duvall
Robert Duvall foi um ator tão especial e talentoso que, em determinado momento de sua carreira, tornou-se uma referência de excelência na arte da interpretação. Mas, até chegar a esse patamar de atuação tão reconhecido pela crítica e pelo público, sua trajetória artística foi intensa. É importante evidenciar sua história especialmente após seu falecimento no dia 15 de fevereiro. Duvall foi ator, produtor e cineasta norte-americano. Em sua brilhante carreira como ator, recebeu sete indicações ao Oscar, vencendo uma por sua atuação em A Força do Carinho (1983), além de quatro prêmios Globo de Ouro e diversas indicações a outros importantes prêmios, como o BAFTA, o Screen Actors Guild Award e dois Emmys.
Duvall iniciou sua carreira no teatro americano no final da década de 1950. Nesse período, trabalhou na televisão em diversas séries, como Além da Imaginação, Viagem ao Fundo do Mar, O Túnel do Tempo e Quinta Dimensão. No início da década de 1960, começou a atuar no cinema e ganhou destaque ao interpretar Boo Radley no belo filme O Sol é para Todos (1962) de Robert Mulligan.
No final dessa década e início da seguinte, teve atuações marcantes em várias produções, como Caminhos Mal Traçados (1969) de Francis Ford Coppola, MASH (1970) de Robert Altman, e, principalmente, como protagonista em THX 1138 (1971) de George Lucas. Em 1972, foi elogiado pela crítica por sua atuação em Amanhã de Joseph Anthony, drama baseado em um conto de William Faulkner — filme que o próprio Duvall considerava um dos melhores trabalhos de sua carreira.
Foi, no entanto, com O Poderoso Chefão (1972) de Francis Ford Coppola, que Duvall se tornou mais conhecido internacionalmente, no papel de Tom Hagen, um dos personagens centrais da família Corleone. Voltou a trabalhar com Coppola em A Conversação (1974) e Apocalypse Now (1979). Neste último, sobre a Guerra do Vietnã, Duvall viveu um de seus momentos mais memoráveis no cinema ao interpretar o tenente-coronel Bill Kilgore, comandante da Cavalaria Aérea obcecado pela guerra e pelo surfe. Ainda nos anos 1970, foi elogiado por sua atuação em Rede de Intrigas (1976) de Sidney Lumet.
A partir da década de 1980, Duvall já era uma referência de excelência interpretativa e participou de filmes como Um Homem Fora de Série (1984), As Cores da Violência (1988) e Um Dia de Fúria (1993). Também atuou como diretor em Angelo My Love (1983), O Apóstolo (1997), O Tango e o Assassino (2002) e Cavalos Selvagens (2015).
Lembro-me dele no excelente O Sol é para Todos (1962) de Robert Mulligan, em um papel intenso em uma história que abordava questões raciais nos Estados Unidos. Mas é difícil lembrar apenas de um filme com ele. Claro, O Poderoso Chefão é a lembrança mais imediata e merecida, mas Duvall também está extraordinário em THX 1138, de George Lucas, e em A Conversação, de Francis Ford Coppola, entre muitos outros filmes. No entanto, acredito que sua participação em Apocalypse Now, também de Coppola, seja um de seus maiores momentos no cinema.
Assistam aos filmes de Robert Duvall e percebam sua intensidade e sensibilidade em cada papel interpretado. Um grande ator que deixou um legado expressivo sobre o que significa ser um intérprete de excelência.
Obrigado, Robert Duvall!
Tó Teixeira
O documentário Tó Teixeira... Cotidiano e Memória de Chico Carneiro e Januário Guedes, terá sessão de lançamento no dia 2 de março, no Cine Líbero Luxardo. Com trilha musical interpretada por Salomão Habib, o filme sobre o compositor Tó Teixeira (violonista, compositor e professor autodidata, considerado um dos pilares da música paraense do século XX) foi filmado em 1982 e apresenta momentos raros do grande mestre por meio de sua imagem, voz e música. Depois de tantos anos de luta pela finalização do documentário, finalmente o público poderá assistir a essa importante obra. Parabéns aos realizadores Chico Carneiro e Januário Guedes!
Studio Gibli 2
O Cine Líbero Luxardo exibe, esta semana, o esperado Ghibli Fest – Parte 2, com a programação de mais filmes do Studio Ghibli, estúdio de animação japonês que tem entre seus fundadores o mestre Hayao Miyazaki. A mostra inclui os clássicos da animação A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro e O Castelo Animado.
Dicas da semana
Ghibli Fest – Parte 2. Mostra de filmes realizados pelo renomado Studio Ghibli (Cine Líbero Luxardo. De 19 a 25 de fevereiro).
O Fantasma da Ópera de Rupert Julian. Com Lon Chaney, Mary Philbin. Acompanhamento musical ao vivo com Paulo José Campos de Melo (Cineclube SINDMEPA. Terça-feira, dia 24/2. Horário: 19h. Entrada gratuita)
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