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Novo filme de Jim Jarmush em exibição nos cinemas

Marco Antonio Moreira

Jim Jarmusch é um dos cineastas americanos mais versáteis e autorais, com uma carreira cinematográfica que desperta intenso interesse entre cinéfilos e amantes do cinema. Seus filmes, em geral, são produzidos de forma independente dos grandes estúdios de Hollywood e, desse modo, ele vem construindo uma filmografia autoral, com temas e estéticas sempre instigantes, que ampliam a curiosidade do público por suas obras.

Como um dos mais produtivos nomes do cinema independente americano, Jarmusch construiu uma trajetória consistente desde Permanent Vacation (1980). Seus primeiros sucessos de crítica foram Estranhos no Paraíso (1984) e Down by Law (1986). Nos anos seguintes, realizou obras marcantes como Mystery Train (1989), Uma Noite na Terra (1991), Dead Man (1995), Ghost Dog (1999) e Coffee and Cigarettes (2003).

Um de seus filmes mais celebrados é Flores Partidas (2005), com Bill Murray, em uma das melhores atuações do ator no cinema. Em 2016, com Paterson, alcançou grande reconhecimento da crítica e do público ao apresentar a história de um motorista de ônibus que utiliza a poesia para dar sentido ao seu cotidiano. Outras produções expressivas de sua autoria são Os Limites do Controle (2009), Amantes Eternos (2013) e Os Mortos Não Morrem (2019).

Em Pai, Mãe, Irmã, Irmão, seu novo filme, o diretor apresenta três histórias independentes, interligadas por relações familiares entre filhos adultos e pais emocionalmente distantes. Após anos sem se verem, esses personagens são forçados a confrontar tensões não resolvidas e a reavaliar seus vínculos. As narrativas se passam em diferentes países: “Pai”, no nordeste dos Estados Unidos; “Mãe”, em Dublin, na Irlanda; e “Irmã, Irmão”, em Paris, na França.

O elenco reúne excelentes atores, como Adam Driver, Cate Blanchett, Vicky Krieps e Charlotte Rampling. Pai, Mãe, Irmã, Irmão venceu o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 2025 e se destaca como uma das melhores estreias do ano nos cinemas. Confira! Em exibição no Cine Líbero Luxardo.

Hollywood

Hollywood demonstra constantemente que tem receio de arriscar em novas ideias e prefere repetir e/ou dar continuidade a histórias em franquias de sucesso, buscando no passado novos êxitos de bilheteria e reeditando esses sucessos de qualquer maneira, em um atraso temático e estético que parece não ter fim. Enfim, como quase sempre, quanto mais se pensa nas bilheterias, menos risco artístico e maior o faturamento.

Basta observar quantos filmes de franquias ou potenciais franquias Hollywood vem oferecendo ao público. As continuações de filmes de sucesso anunciadas para 2026, envolvidas em grandes campanhas de marketing, evidenciam uma crise criativa que realmente precisa ser debatida por aqueles que gostam de cinema. Felizmente, o cinema americano não se resume a Hollywood, e outros cineastas mantêm a dignidade de pensar e fazer cinema para além dos números.

Vitrine

A Sessão Vitrine Petrobras abriu inscrições para a Ação de Capacitação de Produtores Locais em Distribuição Cinematográfica. A iniciativa tem como objetivo capacitar estudantes universitários em estratégias de circulação, lançamento e difusão do cinema brasileiro independente, em diferentes regiões do país, incentivando a realização de ações culturais em suas próprias cidades.

A ação é voltada a estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação de universidades públicas brasileiras, com interesse nas áreas de cinema, cultura e produção de eventos. As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas exclusivamente por meio de formulário online até 24 de abril ou até atingir 50 inscrições por cidade. Os selecionados serão divulgados até 01/05 nas redes sociais da Vitrine Filmes.

Estreias

Além da melhor estreia desta semana nos cinemas, Pai, Mãe, Irmão, Irmã, de Jim Jarmusch, confira O Olhar Misterioso do Flamingo, de Diego Céspedes, uma produção entre Chile e França. A história do filme se passa no deserto do Atacama, em 1982, quando uma comunidade de mineiros sobrevive em uma coexistência precária com drag queens e mulheres transgênero que se apresentam na cantina local, Alaska House.

A Cronologia da Água, de Kristen Stewart, continua em exibição no Cine Líbero. Na elaboração de um filme autoral e denso, a obra surge como uma grata surpresa. Stewart, atriz de vários sucessos, dirige seu primeiro longa com muita sensibilidade e soluções estéticas marcantes (fotografia, montagem, sons), ao retratar uma mulher em busca de autoconhecimento e reconhecimento, a partir de uma trajetória familiar traumática. Excelente interpretação de Imogen Potts. Um filme intenso do início ao fim. Vale conferir!

Dicas da Semana

A Cronologia da Água de Kristin Stewart, Barba ensopada de sangue de Aly Muritiba (Cine Libero Luxardo).

Suplicio de uma Saudade de Henry King. Com William Holden, Jennifer Jones. Um clássico do cinema vencedor do OSCAR de melhor figurino, canção original e trilha musical (Cineclube SINDMEPA. Terça-feira, dia 14/3. Horário: 19h. Entrada gratuita). 

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