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Dia internacional das mulheres e o cinema

Marco Antonio Moreira

Entre diversos modos de refletir sobre o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, entendo que é essencial incluir o cinema como meio de reflexão e questionamento sobre a participação da mulher na sociedade. Certamente, valorizar as mulheres no cinema, por exemplo, é reconhecer que elas estiveram presentes desde o início da história da sétima arte e foram essenciais em toda a trajetória do cinema como arte, atuando em diversos setores da realização, seja como diretoras, roteiristas, atrizes, montadoras, diretoras de fotografia e de cenografia, entre outras funções.

Neste Dia Internacional da Mulher de 2026, mais do que nunca é imprescindível debater a importância de a mulher ocupar todos os espaços que desejar. No campo do cinema, entre diversas razões, isso implica combater o apagamento histórico — já que a historiografia do cinema privilegiou diretores homens, muitas vezes relegando as mulheres ao esquecimento ou a funções secundárias —, restaurar e difundir obras esquecidas dirigidas por mulheres e incentivar pesquisas sobre trajetórias femininas no audiovisual nacional e internacional.

Desse modo, será possível ampliar as perspectivas narrativas do cinema a partir de pontos de vista diferenciados, trazidos por mulheres que, de certo modo, apresentaram outras formas de olhar o mundo por meio de seus filmes. Muitas dessas obras abordam temas ligados à subjetividade feminina e questionam os papéis sociais das personagens, com narrativas que rompem com olhares exclusivamente masculinos.

Como forma de homenagem às mulheres, compartilho nomes de artistas essenciais na história do cinema que atuaram no século XX, de modo pioneiro em várias funções. Espero que o leitor tenha interesse em conhecer suas trajetórias artísticas.

Ao citar essas artistas pioneiras do cinema, homenageio todas as mulheres que trabalham no cinema e que tornam essa arte ainda mais especial e fundamental para todos nós. E, claro, homenageio todas as mulheres que fazem deste mundo um lugar melhor para se viver!

  • Alice Guy-Blaché: uma das primeiras artistas a dirigir filmes de ficção, ainda no final do século XIX. Dirigiu seu próprio estúdio, a Solax Company, no início do século XX.
  • Lois Weber: uma das cineastas mais importantes do cinema mudo americano, abordando temas sociais complexos.
  • Germaine Dulac: contribuiu decisivamente para o cinema de vanguarda francês.
  • Dorothy Arzner (foto): única diretora mulher atuando em Hollywood durante anos na era clássica.
  • Ida Lupino: atriz, produtora, roteirista e diretora inglesa radicada nos Estados Unidos. Diretora e produtora pioneira na década de 1950 com uma produtora independente onde co-produziu e co-escreveu diversos filmes.
  • Frances Marion: uma das roteiristas mais bem-sucedidas da era clássica, vencedora de dois Oscars de roteiro.
  • Anita Loos: roteirista influente do cinema mudo.
  • Mary Pickford: uma das maiores estrelas do cinema mudo e também produtora influente cofundadora da produtora United Artist.
  • Lillian Gish: considerada uma das maiores intérpretes da história do cinema.
  • Margaret Booth: pioneira da montagem e posteriormente executiva influente na MGM.

Roda de Cinema sobre o Oscar 2026

O Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) realiza no dia 11 de março de 2026, às 18h30, na Casa das Artes (ao lado da Basílica de Nazaré), a Roda de Cinema – Especial Oscar 2026, com entrada gratuita. O encontro promoverá uma análise dos principais filmes indicados ao Oscar, com destaque para o brasileiro O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho. Estarei na mediação desta ação de cultura cinematográfica com participação de convidados ligados à cinefilia paraense. A atividade integra a programação do CEC voltada ao debate e à formação de público para o cinema, reunindo estudantes, pesquisadores e cinéfilos interessados em debater sobre o Cinema.

Tó Teixeira

O lançamento do documentário Tó Teixeira...Cotidiano e Memória sobre o compositor Tó Teixeira dirigido por Chico Carneiro e Januário Guedes ocorreu no Cine Líbero Luxardo, dia 2 de março. É belo filme com depoimentos importantes de Tó Teixeira em um trabalho que demorou mais de 40 anos para ser concluído. Inesquecível sessão de cinema paraense! Parabéns aos amigos Chico Carneiro e Januário Guedes!

Estreias

Os destaques das estreias desta semana são A Noiva! de Maggie Gyllenhaal (inspirado no filme A Noiva de Frankenstein (1935), que foi baseado no romance Frankenstein de Mary Shelley, publicado em 1818), e Kill Bill – The Whole Bloody Affair de Quentin Tarantino (versão de Kill Bill e Kill Bill 2 compilados em um único longa).

Dicas da Semana

Sirât de Oliver Laxe (Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes), Living the Land de Meng Huo (Urso de Prata de Melhor Direção em Berlim 2025), São Paulo S/A de Luiz Sérgio Person (cópia restaurada) (Cine Líbero Luxardo).

Sob os Tetos de Paris de René Clair. Com Albert Préjean, Pola Illéry, Edmond T. Gréville. Do diretor de A Nós a Liberdade. Um clássico do cinema francês (Cineclube SINDMEPA. Terça-feira, dia 10/3/26, às 19h. Entrada gratuita).

 

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