Carlos Ferreira

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro.

Parazão 2020 corre risco de ter o mesmo fim que o embrião

Carlos Ferreira

Se não continuar, Parazão 2020 repete destino do "embrião"

A história conta que o campeonato paraense de futebol teve a sua primeira edição em 1908, fechada com o União Esportiva campeão. Na realidade, porém, houve uma edição não concluída em 1906, com oito equipes: Belém, Brasil, Sport Pará, Sportivo, Recreativo, Pará Club, Internacional e Pará FBC.

A competição, que não chegou a ser oficializada, prolongou-se até junho de 1907, àquela altura com o Pará Clube na liderança. Divergências impediram a conclusão. Assim, abortou-se o "embrião" do agora centenário Parazão, que não teve disputas em 1909, 1911, 1912, 1935 e 1949. Nas 107 edições concluídas, 47 títulos do Paysandu, 46 do Remo, 10 da Tuna, 02 do União Esportiva, 01 do Independente e 01 do Cametá.

 

Ainda impera o casuísmo

Tal como em 1906, o casuísmo impera nas divergências entre os clubes, que estão divididos em três linhas de interesses: os que querem o prosseguimento, os que querem a anulação e os que querem o cancelamento do restante, mas prevalecendo a classificação atual para efeito de acesso às competições da CBF, sem rebaixamento.

Muito longe de um consenso, os clubes seguem dialogando e esperando por orientações da CBF e decisões da FPF. Alguns com atletas em atividades no isolamento social, outros em férias e outros já com elenco dissolvido. Da tabela original faltam 16 jogos: dez das duas últimas rodadas da fase classificatória, quatro das semifinais e dois da decisão.

 

BAIXINHAS

* Convém ao Paysandu ser proclamado campeão caso seja cancelado o restante do campeonato. Ao Remo, obviamente convém que não. Eis um impasse que nem deveria existir, e a questão sequer suscitada, se o olhar geral fosse para uma solução salomônica. Ou seja, criteriosa e sábia, mas que não necessariamente agradasse a todos.

* Castanhal e Paragominas acenam, agora, com proposta para que o Parazão 2020 fique sem campeão e que a FPF e os clubes dediquem o título aos profissionais de saúde, heróis na luta contra o novo coronavírus, causador da suspensão do campeonato.

* A FPF planeja para o dia 6 de abril uma reunião com os clubes para tratar de uma solução para o destino do Parazão 2020. Enquanto isso os clubes trocam ideias e divergem muito na defesa dos seus interesses.

* Prevenindo-se do assédio de empresários ao menino Ronald, lateral esquerdo de 17 anos, agora tratado como uma jóia, o Remo prolongou o vínculo do atleta até 2023. Já o caso Rony, lateral direito, continua rendendo na Justiça, entre liminares e recursos.

* Muito pertinente a proposta de uma linha de crédito do Banpará para os clubes. Empréstimos em condições especiais, como o Banco já está disponibilizando para autônomos e empresas. Afinal, clubes e Banpará já têm parceria. O Remo é o mais ansioso por essa possibilidade, pelo desabamento das receitas e pelo bloqueio de patrocínios na Justiça do Trabalho.

Carlos Ferreira
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