CARLOS FERREIRA

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro. | ferreiraliberal@yahoo.com.br

O futebol e seus avanços táticos, conforme a intensidade

Carlos Ferreira
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Estatísticas mostram bem a aceleração gradativa do futebol ao longo das décadas, conforme evolução da fisiologia. Estudos mostram que nos anos 70 os atletas corriam de 4 a 7 quilômetros por jogo. Agora, essa variação está em 10 a 13 quilômetros, mas, alguns, chegam a 15. São superatletas, em jogos muito intensos. E é esse crescimento de intensidade que determina as mudanças táticas.

Até os anos 70, por exemplo, o jogo cadenciado permitia que um volante marcasse dois meias. Três décadas depois passamos a ver times com três volantes e laterais muito ofensivos, em vez dos antigos pontas. A realidade agora é o sistema de linhas, que distribui melhor as funções de marcação. E quase todos os técnicos se dizem adeptos do sistema 4-2-3-1, em que dois meias-atacantes completam a primeira linha pelos lados do campo. Marcelo Cabo já disse que o Remo será assim com ele, e o Paysandu não é tão diferente com Márcio Fernandes.

A história facilita a compreensão

Conhecer os "ques" e os "porques" das transformações táticas ao longo da história é a melhor forma de compreender o futebol atual, de intensidade sobre-humana e sistemas complexos. Tudo decorre das tecnologias e dos serviços multidisciplinares, de fisiologistas, nutricionistas, fisioterapeutas... Os dados de performance revelados a cada Copa do Mundo norteiam novos avanços e reflexos nos sistemas táticos.

Somos tentados à saudade dos grandes craques de épocas românticas em que o talento era tudo no futebol. Agora o talento é só uma das valências na era dos superatletas e do jogo em alta rotação. É outro futebol!

BAIXINHAS

* Húngaros, os pais da tática no futebol brasileiro. Eugênio Medgyessy foi o primeiro, nos anos 20. Nos anos 30, Béla Guttmann, Nicolas Ladanyi e o introdutor do sistema WM (2-3-5), Izidor Kürschner (Flamengo), que consolidou a mentalidade do jogo tático no Brasil. Antes deles, sobrava talento, mas faltava organização aos times brasileiros.

* É comum ouvirmos que os sistemas táticos são ilusórios porque quando a bola rola os jogadores se misturam nos vários espaços do campo. Mas o sistema faz sentido, sim, na volta de todos às suas posições para marcação. É o que chamamos de "recomposição" no trabalho sem bola, sempre em alta rotação.

* O jogo cada dia mais intenso justifica o aumento de substituições, que após a parada das competições na pandemia subiram de três para cinco. Era uma circunstância pontual, mas a Fifa manteve as cinco substituições por conta do desgaste crescente dos atletas.

* Se nas competições profissionais alguns atletas chegam a correr até 15 quilômetros por jogo, nas categorias de base a correria é bem abaixo, conforme o lastro fisiológico dos atletas. Por isso que foi criada a categoria sub-23, de transição, para adaptação. O Pará ainda não acordou para essa necessidade.

* Outro aspecto da transição está nas questões táticas. Na maioria dos clubes as categorias de base não exigem dos atletas a execução das funções que vão encontrar no profissional. É bem o caso dos clubes paraenses, que seguem muito atrasados no desenvolvimento dos novos atletas.

* Todos os grandes jogadores da atualidade foram construídos, a partir do talento, na estrutura física, na mentalidade, na capacidade tática, no suporte emocional, nos diversos comportamentos intra e extracampo. Sem essa formação poucos conseguem fazer sucesso e ter longevidade. 

Carlos Ferreira
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