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Quem viu e quem vê o Mangueirão, hein!

Carlos Ferreira

Tínhamos um gramado de Champions League para o nosso futebol de Série C. Agora, que temos um clube de Série A, nos deparamos com um gramado que nem a Série D merece. Quem viu e quem vê o nosso estádio estadual, hein! 

No Mangueirão dos shows o futebol parece ter caído em desprezo. Tudo bem que os shows deem suporte para o custeio da manutenção do estádio, mas não com a destruição do gramado. O que foi vimos no jogo Remo x Águia, num domingo de chuva, foi o orgulho dos paraenses reduzido a vergonha e preocupação com o que será mostrado ao Brasil na Série A. 

Quando a gestão do estádio promete mutirão por atenuantes para o jogo do próximo sábado, Remo x Bragantino, passa recibo do imperdoável descuido. 

Impressões, só impressões 

Era um jogo para impressões e nada além. A vitória sobre o Águia e o título da Supercopa Grão-Pará deram crédito, mas os azulinos correram o sério risco de deixar impressão negativa. No sábado, contra o Bragantino, na abertura do Parazão, o time deve e precisa muito mostrar avanços.

O Remo fez em Pernambuco a melhor pré-temporada que poderia fazer. Por isso mesmo, haverá limitações de performance nos primeiros jogos. O começo no Parazão e na Série A vai impor grandes dificuldades, mas depois do quinto ou sexto jogo o time deve começar a mostrar o real potencial, com ampla margem de crescimento. 

O Paysandu, por sua vez, vai iniciar a temporada com a vantagem de ter cumprido as etapas básicas da preparação, mas tendo muito o que provar. 

BAIXINHAS 

* Mais com menos. Esse é o lema do Paysandu este ano. O clube teve que encolher o orçamento a um terço do que tinha até o ano passado. Com a curta receita, todos os passos têm que ser cirúrgicos, com riscos reconhecidos e calculados.

* A pré-temporada completa foi a principal providência para a construção de um time capaz, embora discreto, com contratações modestas e o espaço aberto para atletas da base. O mesmo clube que vinha apostando mais em nomes do que em trabalho, este ano inverte a ordem. O trabalho árduo é a estrela bicolor do momento. 

* Em contraste com a atitude dos brutos (torcidas organizadas que promoveram batalha campal na cidade), a festa da Supercopa teve a atitude dos solidários. Os profissionais do Remo deram lição de empatia. No luto do Águia, surpreenderam com o repasse das medalhas de campeões. O futebol se engrandece nesses momentos.

* Com time organizado e aguerrido, o Águia deu sinal de que vai ser uma das principais forças do campeonato estadual. Estará ainda na Copa do Brasil, na Copa Norte e na Série D. A temporada promete boas emoções aos marabaenses. 

* Se não carregasse uma carga de desconfiança, Alef Manga seria festejado pela ótima impressão na estreia. Valeu, no entanto, como sinal de que o atacante está mesmo disposto a retomar no Remo a sua melhor performance. Potencial não lhe falta.

* Finalmente, Eduardo Melo pode dizer que estreou no Remo. Em 16 minutos, contra o Águia, ele fez o que ficou devendo nos seis jogos que participou ano passado. Mostrou entrega absoluta e estrela também. Eduardo Melo e Pikachu foram as peças mais decisivas do jogo. 

* Encerradas as férias do colunista, eis a coluna reativada e já trazendo homenagem póstuma. A coluna de hoje é dedicada à memória de Ocimar, falecido ontem. Ele foi goleiraço da Tuna nos anos 80, especialmente no time campeão brasileiro da Taça de Prata.