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Leão em contradição de resultados

Carlos Ferreira

Com o futebol que está jogando na Série A, se tivesse garantido as vitórias que escaparam (Mirassol e Atlético Mineiro), o Remo estaria no céu. Cabe mesmo o clima de inferno? Acima das intrigas pelas ideias incomuns do técnico Juan Carlos Osorio, está a escassez de vitórias. Apenas uma (dramática!) nos últimos sete jogos. Afinal, se prevalece o resultadismo, por que não considerar os dados positivos construídos nos 13 jogos da temporada?

Veja se não está havendo uma contradição. O Remo de Osorio foi campeão da Supercopa Grão Pará, sofreu apenas uma derrota (para o Vitória, em Salvador), é o único invicto do Parazão e está na decisão do título.  Tudo isso no processo de construção de um time dentro de competições oficiais, inclusive a dificílima Série A brasileira. Há muito o que se discutir sim, sobre as concepções de Osorio, mas também há o que reconhecer sobre resultados em circunstâncias contrárias. Ou não?

O único bicolor que já foi campeão paraense

No elenco do Paysandu, o lateral Edilson é o único com medalha de campeão paraense. Com a camisa bicolor foi campeão ainda da Copa Verde e da Supercopa Grão Pará. Esses dois títulos estão no currículo também do zagueiro Quintana.

A maioria do elenco bicolor busca o primeiro titulo na carreira profissional. Para todo o time, conquistar esse troféu é uma questão de afirmação. E isso indica um time muito guerreiro na decisão, até por reconhecer a maior riqueza técnica do rival.

BAIXINHAS

* Jogador pouco badalado no Remo, João Pedro merece reconhecimento de uma virtude rara. O atacante português joga com inteligência acima da média. Dificilmente ele toma uma decisão errada em campo. Erra sim nas execuções, mas sempre com boa leitura de jogo e se doando ao plano de jogo. Ele tem seis gols e duas assistências em 20 jogos pelo Leão.

* Melhor zagueiro do campeonato. Joga limpo e transmite segurança. Esse é o carioca Luis Felipe Castro Neto, 31 anos, o Castro, do Paysandu. Primeira contratação do Papão para a temporada, ele veio referendado pelo que tinha mostrado pelo Águia como volante em 2023. Castro foi ganhando a confiança da torcida jogo a jogo e chega à decisão do título com muito crédito.

* Camaronês Tchamba está chegando sob grande expectativa do técnico Juan Carlos Osorio para resolver deficiências da zaga remista, principalmente no jogo aéreo. O atleta terá duas semanas para adaptação e aprimoramentos até a provável estreia contra o Fluminense, dia 12.

* Com a camaronês, o elenco do Remo passa a ser transcontinental. Além da maioria sulamericana, tem dois europeus (João Pedro e Panagiotis) e agora também um africano (Tchamba). Alguns vieram da Ásia, como Vitor Bueno e Léo Andrade, mas são brasileiros. Em 116 anos de história no futebol, o Leão nunca foi tão internacional. São 13 estrangeiros no elenco e comissão técnica.

* Gramado do Mangueirão, que tanto atrapalhou o primeiro Re-Pa, foi recuperado dos maus tratos em shows musicais e agora oferece condições dignas para bom futebol na decisão estadual. Para o primeiro dos dois Re-Pas, as torcidas estão economizando na festa dos mosaicos, guardando o auge para a finalíssima.

* Ironia! O Comando Vermelho, poderoso grupo do crime organizado, teria determinado que as principais torcidas organizadas do Fortaleza e do Ceará suspendam os seus confrontos, depois que cerca de 350 pessoas foram capturadas em briga nas ruas, por ocasião do primeiro clássico do ano. 

* Hoje o clássico se repete na decisão cearense, testando os efeitos da ordem que a Polícia e o Ministério Público estão investigando. O fato é que líderes das torcidas organizadas brigonas surpreenderam com vídeos nas redes sociais comunicando renúncia ou afastamento. A medida do CV teria sido pela avaliação de que esses eventos de selvageria superlotam as prisões e atrapalham os interesses da organização criminosa.

* Não há o que comemorar nesse fato irônico que está ocorrendo no Ceará e que não é inédito. O mal não vira bem ao gerar benefícios, mas esse fato provoca reflexões importantes. Afinal, Estatuto do Torcedor e Lei Geral do Esporte trouxeram avanços insuficientes, meramente atenuantes, ao longo de décadas, por travas (exageradas ou não) da própria lei à Polícia e ao Judiciário, que se limitam a pouco mais do que “enxugar gelo” no combate aos grupos violentos que se travestem de torcidas organizadas.