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Gramado pode ser um adversário a mais para o Papão

Carlos Ferreira

Gramado ruim é sempre pior para o time mais pressionado a atacar e vencer. No entanto, o Paysandu opta pela Curuzu para receber o Guarani. É compreensivo pela projeção financeira, mas muito perigoso na projeção técnica.

No Mangueirão o Paysandu pagaria para jogar. Na Curuzu dá até para ter algum lucro financeiro. A questão é que o gramado provoca erros de passe, produz insegurança nos atletas, principalmente diante de um adversário qualificado, que vai se fechar e tem potencial para explorar e aproveitar contra-ataques. O jogo vai ser muito difícil e o gramado ruim da Curuzu deve piorar a missão do time bicolor. No entanto, o Paysandu resolveu "pagar pra ver". Que tenha razão, então. 

Lionel Picco, exemplo de profissional 

Contratação mais cara do Remo, destaque nas estatísticas da Série A no item desarme, querido pela torcida e pela imprensa. Lionel Picco poderia se encher de marra por não ser titular, mas, ao contrário, aplaude Zé Welison e Patrick, não reclama de nada e está sempre de prontidão. É ou não é conduta exemplar de um profissional?

Léo Condé já explicou que apenas fez justiça a Zé Welison e Patrick, que estavam com performance acima quando foram feitas as escolhas. Cabe a Picco esperar o seu momento, e ele está sabendo esperar respeitosamente. Não tem tanta lógica o investimento mais precioso do clube estar em segundo plano na vitrine, mas é sendo justo com os atletas que o técido (qualquer técnico de qualquer time) conquista e mantém o respeito de todos. Isso é liderança!

BAIXINHAS 

* Guarani, vice-lider da Série C, tem apenas uma derrota como visitante. No mais, duas vitórias e três empates fora de casa. O Paysandu tem três vitórias, dois empates e as duas derrotas recentes em casa, para Inter de Limeira e Santa Cruz. O Papão é o 10° melhor mandante do campeonato. 

* Há seis anos, o Sampaio Corrêa brigava por acesso à Série A, enquanto Remo e Paysandu sofriam na Série C. Então, diziam que o presidente do Sampaio Corrêa deveria vir a Belém dar aula de gestão de futebol. Ele segue no comando do Sampaio, que vai disputar acesso à Série D, enquanto o Pará tem o Remo na Série A. 

* A bola dá voltas. Marcelo Sant'Ana foi palestrante em Belém como festejado presidente do Bahia, e agora se esforça para desatar nós na Curuzu como executivo do Paysandu. Dirigentes do Ceará e do Fortaleza também viraram referências de gestão, mas hoje o Ceará luta contra rebaixamento na Série B e o Fortaleza luta para voltar à Série A.

* Plano de Recuperação Judicial do Paysandu se aproxima da hora do "vamos ver". Dentro de 30 dias, a contar de ontem, a assembleia dos credores vai se posicionar sobre o que está proposto no Plano. Diante disso, o clube trata de ser discreto em tudo o que mexe com as finanças, como as contratações para o futebol. 

* Facundo Bonafazi impressionou nos primeiros jogos pelo Paysandu. Aos poucos foi tornando-se uma figura discreta, com regularidade de performance bem abaixo. Agora já é questionável, mas se mantém titular porque o reserva Luciano Taboca não transmite confiança nas funções defensivas.

* Remo obteve esta semana um precioso documento: Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas. É a glória de um clube que há 11 anos estava em estado de insolvência, até fechar e cumprir um grande acordo com a Justiça do Trabalho e com credores, tendo aberto não de todas as verbas de patrocínio por cinco anos. 

* Pelo fato de ter garantido vaga na próxima Série D ao chegar à fase atual, o Águia já está no lucro. Agora a luta é por ascensão à Série C e o desafio é não perder para o ABC, domingo, em Natal. O time de Marabá vai ter todos ou titulares na batalha por mais uma classificação, agora às oitavas.