De um lado, obrigação; do outro, glória e valorização
Para o Remo, com o seu alto investimento, ser campeão estadual é a mais elementar das obrigações. Para o Paysandu, cujo orçamento está em torno de 20% do rival, ser campeão é a glória e a valorização de um trabalho alternativo executado na plenitude.
Mesmo que o título escape, o Papão terá sido vitorioso. Com o título, terá voltado às boas com a torcida e somado forças para a Série C. O Leão não tem meio termo. O time precisa ser campeão para se redimir das decepções causadas à torcida no campeonato estadual. Caso contrário, terá um débito moral a ser cobrado na Série A. O Re-Pa de hoje virou “jogo da verdade”, principalmente para os azulinos que têm o fato novo da troca de técnico, enquanto os bicolores focam em confirmar a força já mostrada nos clássicos anteriores.
Duelo tático promissor
O Papão se impôs nos dois Re-Pas com marcação avançada, forçando os azulinos a errar na iniciação de jogadas. Desta vez, com a vantagem do empate, mantém o ímpeto e a postura ou investe em contra-ataques? E o Leão, agora sob novo comando e novas concepções táticas, até que ponto terá segurança para o jogo ofensivo que precisa impor? Essas questões indicam duelo tático muito promissor e jogo cheio de alternativas na decisão do campeonato.
Vai sobrar emoção, com certeza. Só gramado alagado poderia estragar esse Re-Pa, que tem tudo para ser um dos mais eletrizantes da história.
BAIXINHAS
* Parazão, em geral, é jogo de muita correria e em campos que não ajudam. Um atleta que está em Belém por causa da Série A vai se arriscar a uma lesão e ficar fora de parte da vitrine? Por trás da pergunta está a tese para explicar o baixo rendimento de jogadores importantes do Remo no campeonato estadual.
* Hoje, além de o jogo valer título, também é o primeiro da "era" Léo Condé. Não dá para não render todo o potencial. E essa deverá ser a principal utilidade do novo técnico no Mangueirão, depois de todo o trabalho feito por Flávio Garcia na semana.
* O Remo pode desencantar sim, mas nada que garanta êxito. O time operário do Paysandu é admiravelmente guerreiro e organizado. Se voltar a jogar na sua plenitude, como nos Re-Pas anteriores, será difícil o título escapar, inclusive porque lhe basta o empate.
* Pesquisador Felipy Chaves mostra que nos 112 anos da rivalidade Remo x Paysandu, o Leão Azul se manteve à frente nas estatísticas do confronto por 101 anos. O Papão só teve vantagem de 1943 a 1948 e de 1970 a 1972. Os tabus dos anos 70 (24 jogos) e dos anos 90 (33 jogos) deram ao Remo uma vantagem que está em 32 vitórias a mais.
* Se o Paysandu for campeão, vai premiar o bom trabalho do executivo Marcelo Sant'Ana e o ótimo trabalho do técnico Júnior Rocha. Os títulos do matogrossense (2016) e da Copa Verde (2017) pela Luverdense foram as últimas conquistas importantes do comandante bicolor. Depois, só, uma Recopa Catarinense pelo Figueirense em 2022.
* Marlon (Remo) e Edilson (Paysandu) são os mais vitoriosos nos seus times. Marlon com 10 títulos: uma Série B, quatro estaduais no Mato Grosso pelo Cuiabá, dois paulistas pelo Corinthians, um cearense pelo Ceará e a Supercopa Grão Pará pelo Remo. Edilson tem oito títulos: Parazão, duas Copas Verdes e uma Supercopa Grão Pará pelo Paysandu, uma Série A, um estadual, uma Copa e uma Recopa pelo Brusque/SC.
* Antonico foi o primeiro capitão do Remo. Na época não havia a figura do treinador. O capitão era o comandante, e ele formou a base do heptacampeonato. Suíço, lateral esquerdo, foi convocado para a Seleção Brasileira jogando pelo Paysandu, mas não se apresentou à Seleção. Dois nomes históricos da centenária rivalidade Leão x Papão.
* Coluna de hoje dedicada ao público feminino pelo Dia Internacional da Mulher.
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