MENU

BUSCA

Como você enxerga o futebol?

Carlos Ferreira

De você enxerga futebol só por posições e esquemas tradicionais, se pensa que cansaço de jogador é apenas uma questão de fôlego, se não consegue perceber as evoluções físicas, táticas e tecnológicas do futebol, se você não reconhece os reflexos da ciência no jogo, se não entende os processos de desenvolvimento... Tudo bem, desde que você seja apenas um torcedor, um mero consumidor do produto futebol, sem compromisso algum com o que diz. Mas se você faz comentários nas redes sociais, por exemplo, você já está fadado a cometer injustiça nas análises. 

O futebol do Pará tem hoje um técnico respeitado em todas as regiões do mundo, por ideias de jogo fora do padrão. Mas em um mês de trabalho, depois do quarto jogo (Re-Pa), Juan Carlos Osorio já era alvo de ataques ferozes, mais por desconhecimento dos críticos do que por suas decisões. Afinal, é sempre mais fácil destruir o diferente do que analisar e tentar compreender. 

Atacado por ter sido responsável 

A substituição de jogadores que atinjam o limite físico, sob risco de lesão, conforme o monitoramento eletrônico, é uma questão de responsabilidade do técnico. A queda de rendimento é normalíssima no começo de temporada de um time em construção. Mas Osorio foi impiedosamente atacado por ter feito o certo no jogo contra o Mirassol. Virou "burro" no Re-Pa e provou o contrário diante do Atlético Mineiro.

O Remo subiu à Série A e foi buscar um técnico com Copa do Mundo no currículo. Como pode ser "burro" em Belém com o currículo que tem? Quem analisa também precisa subir à Série A, entendendo e explicando o futebol em nível mais elevado, com isenção e respeito. Esse é a nossa obrigação.

BAIXINHAS

* Não há competitividade de futebol sem intensidade física, organização tática e inteligência emocional. Ninguém consegue elevar e associar essas valências do dia para a noite. Esse processo é uma construção gradativa que exige tempo. Que o diga Osorio, que o diga Junior Rocha.

* Alguns técnicos atropelam etapas para dar resposta imediata, mas o sucesso é efêmero porque o trabalho não tem consistência. Osorio no Remo e Junior Rocha no Paysandu estão fazendo trabalho para a temporada, dentro das condições que lhes são oferecidas.

* O projeto do Paysandu com Junior Rocha precisa muito de vitória sobre o Santa Rosa, hoje, em Ipixuna. O Papão corre risco de não se classificar à segunda fase do Parazão, o que teria grande impacto no projeto para a temporada. O jogo virou uma decisão na vida dos bicolores. 

* O futebol de alta rotação, principalmente na Série A, exige grande resistência na musculatura. É a isso que os profissionais se referem quando falam em "ritmo de jogo", a capacidade de resistir ao ritmo intenso. Essa está sendo uma grande dificuldade do Remo pelo começo de temporada tumultuado, com excesso de jogadores e de jogos em duas competições simultâneas. 

* No entanto, só se fala em "decisões erradas" de Osorio e de jogadores ruins, sem considerar a etapa do processo e o potencial de desenvolvimento. Análises muito rasas, voltadas para urgência e emergência, não contribuem na construção. Isso vale igualmente para o projeto do Paysandu, embora em circunstâncias muito diferentes. 

* Rodada de fogo e emoções ardentes, hoje, a partir de 15:30, no Parazão. Decisões de classificação (envolvendo o Paysandu, que tem risco de eliminação) e de rendimento. O campeonato chega ao momento da aflição também pelas habituais denúncias de ilegalidade, que surgem na definição de rebaixados. 

* A FPF prometeu um serviço de investigação de ilegalidades e denúncias imediatas ao TJD. Não houve nenhuma denúncia porque não há ilegalidade? Não houve denúncia porque a investigação falhou? O campeonato corre ou não corre risco de suspensão, como ocorreu nos últimos três anos? Fiquemos atentos, porque os garimpeiros de irregularidades, que costumam vender informações aos desesperados, não estavam de férias.