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Geração Listel x Geração Google

Mayara Domont

As páginas eram amarelas. Cheirinho de papel reciclado, tinta fresca. A década era a de 1980 - e o privilégio de ter uma era apenas para quem detinha uma linha telefônica. A expectativa de receber a nova edição era gigante: será que tem médico novo na área? Ou quem sabe uma nova empresa no mercado, nos anúncios. Para ter acesso a números de telefone, endereço ou CEP, era necessário “dar uma passada” de páginas e pesquisar. 

Antes que eu entregue a minha idade, quero dizer que, quando me deparo com a realidade de hoje, fico pensando no público que busca serviços e produtos pela pontuação da avaliação: naquela época, era o boca a boca. Se o médico “fulano” era bom, logo ficávamos sabendo. Mas se ele não atendia bem… nem se passava o olho na lista telefônica.

Até meados de 2000 ela tentou seus últimos minutos de vida. A realidade mudou com o advento da internet e do famoso Google. Esse chegou de mansinho em nossas vidas. Com um clique já te dizia como chegar naquele médico que você passava minutos pesquisando “nas amarelas”. 

De repente temos a foto, o endereço, o telefone, o e-mail, o mapa, a rede social... E, se  aprofundar mais, já sabemos tudo sobre quem buscamos - que o assunto até já começa avançado no atendimento. A preocupação sobre “se é bom” se resolve com apenas cinco estrelas e um bom comentário.

São duas gerações que se conectam hoje, e uma se esforça para se adaptar a essa realidade. Não é de toda simplicidade e facilidade dar um “Google”. O 102, que tanto foi requisitado, ficou para trás e fora de moda. Ah! Que época, hein? Ele resolvia tudo.

Hoje está tudo em nossas mãos. A autonomia, a era “pontozero”, está cada dia mais intuitiva e veloz. Mas fiquem tranquilos: ainda tem muito assunto pra gente  papear outro dia...

Mayara Domont é Especialista em Negócios e Redes Sociais