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Previsto para 2028, Brasil terá primeiro censo da população em situação de rua realizado pelo IBGE

Levantamento do IBGE está previsto para 2028 e deve gerar dados inéditos sobre o perfil socioeconômico dessa população no país

O Liberal
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O governo federal lançou nesta terça-feira (23), em Brasília, as ações preparatórias para o primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, que será realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As informações são da Agência Brasil.
O levantamento está previsto para ser realizado entre 3 e 7 de julho de 2028. Os primeiros resultados devem ser divulgados em dezembro do mesmo ano.

O anúncio ocorreu durante evento no Palácio da Justiça, sede do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), e apresentou um conjunto de iniciativas voltadas à ampliação de direitos, ao acesso a serviços públicos e ao fortalecimento da proteção social dessa população.

O levantamento inédito, já anunciado em abril, pretende mapear de forma padronizada o perfil demográfico e socioeconômico das pessoas em situação de rua em todo o país, gerando dados oficiais para subsidiar políticas públicas.

A etapa inicial do censo será realizada em cinco capitais, uma em cada região do país: Belo Horizonte, Goiânia, Florianópolis, Manaus e Salvador. Segundo o IBGE, o estudo marca uma mudança metodológica na forma como os censos são feitos no Brasil, tradicionalmente baseados em domicílios fixos.

Em vídeo exibido durante a cerimônia, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, afirmou que a inclusão dessa população no levantamento é fundamental para qualificar as políticas públicas e ampliar a compreensão sobre essa realidade no país.

Políticas públicas

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou que o censo permitirá a formulação de políticas mais precisas, com base em dados confiáveis, retirando a população em situação de rua da invisibilidade estatística.

“O censo nos dá os dados seguros para que a gente possa ter uma política pública que chegue em quem ela precisa chegar. [...] O censo do IBGE [da População em Situação de Rua] nos dando dados exatos, precisos, vai permitir, de uma vez por todas, tirar a população de rua da invisibilidade estatística”, comentou.

Referência internacional

 

Já a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, afirmou que a experiência brasileira pode servir de referência internacional, diante do aumento da população em situação de rua em diversos países.

 “O crescimento da população de rua está presente, hoje, em vários outros países, que não sabem como contar a sua população em situação de rua. E a gente tem metodologia. Mas, precisamos aprimorá-la e queremos avançar, inclusive, para discutir isso com os outros países”, disse.

Durante o evento, o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, defendeu a iniciativa como um avanço histórico e criticou levantamentos municipais considerados imprecisos ou baseados apenas em observação visual.

O presidente do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política para Inclusão Social da População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), Anderson Miranda, também destacou a importância da contagem oficial para garantir visibilidade e acesso a direitos.

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