Pai é condenado a mais de 24 anos de prisão por matar filha de 4 anos asfixiada em São Paulo
Auxiliar administrativo foi sentenciado após 3 dias de julgamento pelo assassinato da menina de 4 anos, ocorrido em dezembro de 2015
Ricardo Najjar, auxiliar administrativo, foi condenado na sexta-feira, 14, a 24 anos, 10 meses e 20 dias de prisão.
A condenação é pelo assassinato da filha Sophia Kissajikian Cancio Najjar, de 4 anos. A menina morreu por asfixia em dezembro de 2015, na zona sul de São Paulo.
A sentença foi proferida pelo Conselho de Sentença após três dias de julgamento, conforme informou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Segundo a Justiça, a decisão manteve a qualificatória de meio cruel contra a vítima, que tinha menos de 14 anos. A pena foi aumentada, mesmo com o réu negando o crime durante todo o processo.
Detalhes da condenação de Ricardo Najjar
"A agravante sanciona a violação do dever de assistência, proteção e apoio mútuo inerente à relação entre pais e filhos, revelando maior insensibilidade moral do agente", afirmou a juíza Melanie Liesenberg, que presidiu o julgamento.
Este foi o terceiro julgamento do processo, conforme a Justiça. O primeiro foi anulado por contradições na votação dos quesitos pelo jurado. O segundo, por sua vez, foi anulado por decisão contrária à prova dos autos.
Em setembro de 2020, a 12ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo anulou o júri popular que condenou Ricardo Najjar. Em 2018, após duas sessões, ele já havia sido considerado culpado pelo homicídio. A pena definida naquela ocasião foi de 24 anos, 10 meses e 20 dias.
Relembre o caso da morte de Sophia Najjar
Em 2015, a Polícia Civil concluiu que Sophia, de 4 anos, foi assassinada pelo pai. A menina foi encontrada morta com um saco plástico na cabeça em 2 de dezembro. O fato ocorreu no apartamento do pai, na zona sul de São Paulo.
Inicialmente, havia suspeita de que a criança tivesse sufocado acidentalmente. Contudo, laudos do Instituto Médico-Legal (IML) apontaram que ela foi vítima de agressão. Os exames descartaram abusos sexuais.
Segundo os exames, Sophia morreu sufocada por esganadura. Ela teve o tímpano esquerdo estourado e sofreu um edema cerebral. A menina também apresentava 21 hematomas espalhados pelo corpo. A principal suspeita é que o assassinato tenha ocorrido após Sophia contrariar o pai.
Em depoimento, Najjar afirmou que encontrou a menina caída após sair do banho. Ele teria colocado a criança sobre a cama e, em seguida, tentado tirar o saco que a sufocava. Ao perceber sangramento no rosto de Sophia, ele teria ligado para pedir socorro. A versão do suspeito, no entanto, é contestada pelos policiais.
Dados do telefone de Najjar mostram que ele ligou primeiro para o pai, depois para a namorada, e só então para o Samu. Segundo Elisabeth Sato, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), o auxiliar administrativo não chorou nem esboçou reação durante os depoimentos. "Estamos convictos da autoria", declarou.
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