Hospital explica o que levou à amputação de mão de paciente após parto

Empresa afirma que paciente teve hemorragia pós-parto e trombose

Emilly Melo
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A rede de hospitais onde uma mulher grávida teve a mão amputada após o parto emitiu uma nota que explica o quadro médico da paciente que levou à medida extrema. Gleice Kelly da Silva, 24 anos, perdeu o punho e a mão esquerdos depois de dar à luz o terceiro filho no hospital particular de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.

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A empresa afirmou que foi aberta uma sindicância com o apoio de perícia independente especializada. Segundo a nota, o parto aconteceu sem intercorrências, com o bebê vivo e bem, mas com complicações no pós-parto. A paciente teve hemorragia. 

Após a repercussão do caso, o Ministério Público do Rio (MP-RJ) e a Polícia Civil do estado investigam o ocorrido. A diretoria do hospital onde foram feitos os procedimentos seria ouvida na quinta-feira (19). A oitiva foi adiada a pedido da defesa da empresa.

Leia o posicionamento da empresa na íntegra:

“O Hospital informa que procurou a paciente e a sua advogada para prestar todos os esclarecimentos solicitados, porém informaram que somente estariam disponíveis na próxima semana. Em resumo, declara que sindicância realizada com apoio de perícia independente especializada apurou o seguinte:

1) A paciente tinha histórico de múltiplas gestações, inclusive com algumas complicações, o que aumenta risco de hemorragia pós-parto, além de diabete gestacional.

2) O parto ocorreu sem intercorrência, com bebê nascido vivo e bem.

3) A paciente apresentou quadro importante de hemorragia pós-parto, evoluindo para um choque hemorrágico grave secundário a atonia uterina e inversão uterina. Tal quadro é responsável por 60% de mortes maternas no período pós-parto: 45% desses óbitos ocorrem nas primeiras 24 horas. A hemorragia pós-parto é responsável por 25% de todas as mortes maternas no mundo, segundo a literatura médica.

4) As medidas imediatas tomadas na unidade hospitalar garantiram a manutenção da vida da paciente.

5) O braço esquerdo foi imediatamente tratado desde os primeiros sinais de isquemia secundária ao choque hemorrágico, conforme consta no relatório médico.

6) Todas as medidas e decisões tomadas priorizaram salvar a vida da paciente até que ela apresentasse melhores condições para transferência para um hospital de maior complexidade.

7) A paciente recebeu assistência de todos os médicos, especialistas e recursos necessários na tentativa de preservar o braço esquerdo. Porém, devido à irreversível piora do quadro com trombose venosa de veias musculares e subcutâneas, houve a necessidade de se optar pela amputação do membro em prol da vida da paciente.

O Hospital lembra que afastou a liderança da unidade objetivando a transparência nas apurações e reitera seu compromisso em continuar prestando assistência e dando o suporte necessário à paciente. As demais denúncias agora apresentadas também serão apuradas com critério e rigor”

(*Emilly Melo, estagiária, sob supervisão de Elisa Vaz, repórter do Núcleo de Política)

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