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CEO de empresa multada pelo MP sugere que pessoas ‘virem’ deficientes para cumprir cota

As declarações do presidente da Baston, uma fabricante de aerossol, viralizou e provocou reações negativas

O Liberal

“Se alguém aí quiser virar deficiente, avisa para nós cortar o dedo, sei lá, dar um tiro no joelho, furar o olho, pra gente poder cumprir os deficientes”. “Quem tiver um deficiente conhecido, por favor, traga pelo cabelo”. A fala foi retirada de uma conversa trocada por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas entre o empresário Gustavo Malucelli Bacila, presidente da Baston, empresa de aerossóis sediada em Palmeiras, nos Campos Gerais (PR). As informações são do portal Banda B.

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O áudio faz referência a Pessoas com Deficiência (PcD), no que o CEO da Baston chamou de um “desabafo particular” e fora do “contexto natural”. Nela, Gustavo reclamava que o Ministério Público do Trabalho havia multado a empresa em R$ 150 mil por não cumprir regras de contratação de PcDs. A troca de mensagens vazou na última semana e desde o dia 14 deste mês passou a circular na web, gerando grande indignação. Ouça o áudio:

“Esse é o país que eles querem”, comenta o empresário, referindo-se à lei trabalhista que determina o preenchimento de uma cota de 2% a 5% do quadro de funcionários com beneficiários reabilitados do INSS ou pessoas com deficiências (PCD) nas empresas com 100 ou mais empregados, nas seguintes proporções: até 200 empregados, 2%; de 201 a 500, 3%; de 501 a 1.000, 4%; e de 1.001 em de 5%.

Inconformado com a penalização, Gustavo Bacila pede ajuda das pessoas para encontrar deficientes que possam ocupar as vagas específicas e, ainda sugere que as pessoas “virem” deficientes: "(...) Então pelo amor de Deus me ajudem gente, preciso de um deficiente. Quem tiver um deficiente conhecido, um amigo, por favor traga pelo cabelo, arraste e ponha para trabalhar na Baston, porque nós não podemos mais tomar multa do Ministério do Trabalho por falta de deficiente. E se alguém aí quiser virar deficiente, avisa, para nós cortar o dedo, sei lá, dar um tiro no joelho, furar o olho, pra gente poder cumprir os deficientes. Me ajudem, por favor, a buscar os deficientes”, diz o áudio.

A fala do CEO provocou indignação principalmente junto a entidades que atuam com PcDs. Uma página do Facebook chamada Reclama Paraná postou um texto repudiando as declarações e cobrando um posicionamento da Baston: “Sabemos a importância da empresa para muitas famílias e pessoas que dependem do salário, entendemos a situação o stress e a preocupação, mas uma pessoa com necessidades não merece ouvir isso”.

Em outra postagem na mesma rede social, um morador de Palmeira se mostrou indignado com os comentários do empresário, que classificou como “capacitistas” e “apáticos”. “Eu como deficiente auditivo me senti desvalorizado e menosprezado, “esse é o país que eles querem” se ao menos ele soubesse o que é ser PCD (Pessoa com Deficiência) as marcas que ficam na pessoa, como ela se sente em relação a sua deficiência. Não é legal não conseguir ouvir, não conseguir andar, não conseguir enxergar. Ninguém escolhe ser um PCD!”, escreveu

Ele conta ainda que há alguns anos participou de um processo de seleção na Baston e que “foi uma experiência infeliz, não existiu acessibilidade alguma, depois de horas sem ninguém me falar nada fui jogado para dentro da empresa para passar por um médico que invalidou tudo o que eu disse, mesmo eu usando aparelho auditivo e tendo laudos de especialistas esse “médico do trabalho” disse que eu não era PCD.”

Brasil
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