Quem é a desembargadora que gerou polêmica ao citar 'escravidão' após salário de R$ 91 mil?
Na manifestação, ela afirmou que a categoria estaria sendo prejudicada com a restrição de benefícios
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), voltou ao centro do debate após declarações feitas durante sessão judicial, na qual afirmou que a situação financeira da magistratura é “muito triste” e que, no futuro, a categoria poderia enfrentar dificuldades até para “pagar as contas”.
Os comentários ganharam repercussão diante de dados disponíveis no Portal da Transparência, que indicam que a magistrada recebeu R$ 1.024.117,30 ao longo de 2025, considerando o período de 12 meses. Saiba mais sobre a magistrada.
Quem é Eva do Amaral Coelho?
Com uma trajetória de 40 anos na magistratura paraense, Eva do Amaral Coelho atua atualmente no Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), onde integra o segundo grau da Justiça estadual.
Nascida em 15 de julho de 1951, a desembargadora Eva do Amaral Coelho, hoje com 74 anos, construiu uma longa trajetória na magistratura paraense. Ela ingressou na carreira em outubro de 1985, após aprovação em concurso público, e foi promovida ao cargo de desembargadora em julho de 2020, passando a ocupar a vaga aberta com o falecimento da desembargadora Nadja Nara Cobra Meda.
Ao longo da carreira, iniciou sua atuação como juíza na Comarca de Afuá, que à época abrangia também o Termo Judiciário de Anajás, atualmente desmembrado em comarca própria. A magistrada também respondeu, de forma interina, pela Comarca de Chaves e atuou na Comarca de Primavera, com jurisdição que incluía distritos como Quatipuru, Boa Vista, Jabaroca e o município de São João de Pirabas.
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Massacre de Eldorado
Entre 2001 e 2002, Eva do Amaral Coelho esteve à frente de fases iniciais do julgamento do Massacre de Eldorado do Carajás, um dos casos mais emblemáticos da Justiça no Pará. Na ocasião, substituiu o então juiz José Maria do Rosário, conduzindo etapas como o sorteio dos jurados. Posteriormente, retirou dos autos um laudo da Unicamp e deixou o processo em maio de 2002, após alegações de suspeição levantadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Polêmica
Durante a 8ª sessão da 3ª Turma de Direito Penal, realizada no dia 9 de abril, a desembargadora voltou a chamar atenção ao comentar decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceram critérios para o pagamento de verbas indenizatórias, os chamados “penduricalhos”, a magistrados e membros do Ministério Público.
Na manifestação, ela afirmou que a categoria estaria sendo prejudicada com a restrição de benefícios. “Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro. [...] Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse durante a sessão.
Ainda em sua fala, a magistrada afirmou que a categoria não estaria “no fundo do poço”, mas sim “no fundo do alçapão”. Os comentários ocorreram em meio à divulgação de dados do Portal da Transparência, que mostram que a desembargadora recebeu, em março de 2026, remuneração bruta de R$ 117.863,72. Após os descontos legais, o valor líquido pago foi de R$ 91.211,82.
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